Turistas apostam na Europa com crise no Médio Oriente, mas com ligeira desaceleração em Portugal
O conflito no Médio Oriente com epicentro no Irão está a causar prejuízos a todos os níveis, entre os quais no setor do turismo que diariamente perde 550 milhões de euros nas despesas dos turistas internacionais naquela região, devido às interrupções nas viagens aéreas e a quebra da confiança dos viajantes que afetam a procura, segundo os dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC). Perante este cenário a Europa é por isso um destino que pode tirar partido desta situação, embora no caso de Portugal o impacto possa não ser tão relevante.
Esta é pelo menos a previsão do BPI Research divulgada na última semana, que aponta para um aumento do número de hóspedes de 2,8%, quando comparado a 2025, após uma subida de 3% em 2024, justificado por um lado pela previsão 76 novas unidades hoteleiras com 8.154 camas até ao final do ano, que vão gerar um aumento de 0,2% no total de hóspedes.
Mas por outro, os estragos provocados pelas tempestades e cheias de janeiro e fevereiro, que vão provocar uma descida de 70% e 100% até maio, em particular nos 68 municípios que foram afetados por esta situação e que representam 14,9% dos estabelecimentos turísticos a nível nacional.
“Enquanto o turismo noutras partes do globo está ainda numa fase de expansão/recuperação forte pós-Covid, em Portugal esse caminho já foi trilhado (entre os países da UE somos dos que tem maior variação face a este período) e encontramo-nos numa fase de consolidação”, pode ler-se na nota do BPI Research.
De resto esta nota dá conta de que Portugal tem vindo a perder competitividade na questão dos preços em comparação com os destinos mediterrânicos emergentes, como são os casos da Albânia, Montenegro e Turquia.
“Vamos assistir, nos próximos meses, a uma deslocação dos fluxos turísticos para destinos considerados mais seguros no Mediterrâneo Ocidental, na América Latina e na Ásia-Pacífico e à consolidação de alguns destinos emergentes, como a Albânia e o Montenegro”, diz à ‘Euronews’, Juan Molas, presidente da Junta de Turismo de Espanha.
Qualquer perturbação nos fluxos de viagens acaba por rapidamente gerar um impacto económico significativo no ecossistema turístico, mas Gloria Guevara, presidente e CEO do WTCC, destaca a resiliência deste setor.
“A história mostra-nos que o setor pode recuperar rapidamente, especialmente quando os governos apoiam os viajantes através de auxílio em hotéis ou repatriamento. A nossa análise de crises anteriores demonstra que os incidentes relacionados com a segurança apresentam geralmente os tempos de recuperação mais rápidos para o turismo, em alguns casos em apenas dois meses, quando os governos e o setor trabalham em conjunto para restaurar a confiança dos viajantes”, afirma.
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