Revolut regista lucro 1,5 mil milhões em 2025 com receitas a atingirem os 5,3 mil milhões
A Revolut anunciou hoje resultados históricos no seu Relatório Anual de 2025. O banco digital alcançou um resultado líquido de 1,5 mil milhões de euros, o que traduz uma subida de +65%. O resultado antes de impostos (PBT) ascendeu a 2 mil milhões de euros, um aumento de 57% face ao ano anterior, com uma margem financeira de 38% que compara com 35% em 2024, o que reflete a forte alavancagem operacional do modelo de negócio.
As receitas totais do grupo dispararam 46%, atingindo 5,3 mil milhões de euros (contra 3,7 mil milhões em 2024), impulsionadas pela diversificação do negócio e, em particular, pelo desempenho do Revolut Business, que representa agora 16% do total.
Victor Stinga, Chief Financial Officer, destacou o crescimento das receitas a um ritmo superior ao dos custos.
A administração da Revolut explica que este crescimento foi impulsionado por um modelo de negócio cada vez mais diversificado materializado, com as 11 linhas de produtos distintas a superarem, cada uma, os 116,8 milhões de euros em receitas anuais.
As subscrições cresceram significativamente, alcançando os 828 milhões de euros, o que corresponde a um aumento homólogo de 67% face aos 501 milhões de euros registados no ano anterior. Também os pagamentos com cartão tiveram um crescimento de 45%, totalizando 1,2 mil milhões de euros, em comparação com os 784 milhões de euros em 2024. Na área de gestão de património, verificou-se um aumento de 31%, atingindo os 775 milhões de euros, acima dos 572 milhões anteriormente registados, enquanto as receitas provenientes de câmbios cresceram 43%, para 708 milhões de euros, face aos 477 milhões do ano anterior.
O saldo total de depósitos e saldos de clientes cresceu 66%, para 57,5 mil milhões de euros. A base de clientes particulares aumentou 30%, para 68,3 milhões, enquanto os clientes empresariais cresceram 33%, totalizando 767 mil.
Nik Storonsky, cofundador e CEO da Revolut, considera que “2025 foi mais um ano marcante. Construímos um negócio diversificado e resiliente, que é rentável e escalável, estabelecendo as bases para a nossa próxima fase de crescimento. Uma década depois de iniciarmos esta jornada, ainda só agora começámos a mostrar o que é possível”.
Victor Stinga, Chief Financial Officer, fez a apresentação das contas de 2025 e destacou que “a margem de lucro antes de impostos de 38% resulta de uma gestão financeira disciplinada e da capacidade de crescer de forma eficiente, enquanto continuamos a investir nas nossas pessoas e infraestrutura.”
Ao nível do balanço, os depósitos e saldos de clientes expandiram-se 66%, alcançando os 57,5 mil milhões de euros, comparados com 36,5 mil milhões em 2024, refletindo uma forte capacidade de captação.
A carteira de crédito a clientes mais do que duplicou (+120%), atingindo 2,5 mil milhões de euros, enquanto o volume total de transações aumentou 65%, para 1,475 biliões de euros.
A carteira de crédito a clientes é composta sobretudo por crédito pessoal sem garantia, cartões de crédito e uma ainda incipiente oferta de crédito à habitação. Este crescimento contribuiu para um aumento de 23% na receita de juros, que ascendeu a 1,2 mil milhões de euros, face aos 922 milhões de euros em 2024.
O banco está em fase de expansão para o crédito com garantia. “Marcando uma entrada estratégica no mercado hipotecário, a Revolut lançou o refinanciamento de crédito à habitação na Lituânia, oferecendo um processo de candidatura totalmente digital e atualizações em tempo real na aplicação”, revela a instituição.
A Revolut diz que manteve uma abordagem prudente, com 90% dos ativos alocados a caixa, equivalentes de caixa e títulos do Tesouro.
O banco sublinha que está no quinto ano consecutivo de lucros líquidos, com o lucro antes de impostos a atingir 2 mil milhões de euros, representando uma subida de 57% face aos 1,24 mil milhões de euros registados no ano anterior.
Este conjunto de resultados reforça o objetivo de aumentar o envolvimento diário dos clientes e expandir a quota de mercado.
“A Revolut deu as boas-vindas a 16 milhões de novos clientes particulares a nível global, elevando o total para 68,3 milhões no final do ano (um aumento de 30%). Paralelamente, o número de clientes empresariais cresceu 33%, atingindo os 767 mil”, refere o banco.
O ritmo de crescimento foi particularmente forte na Europa, onde 1 em cada 5 adultos em idade ativa utiliza agora a Revolut, anunciou o CFO que acrescentou que um em cada três novos clientes bancários abre conta na Revolut.
A Revolut é a aplicação mais descarregada na categoria de Finanças, ocupando o primeiro lugar em 15 países e garantindo uma posição no “top 3” em 26 países do continente europeu.
O banco revela que “o reforço do envolvimento dos utilizadores tem sido evidente, com a utilização de serviços de valor acrescentado a registar um crescimento significativo. A adesão a planos pagos aumentou 42% em termos homólogos (YoY), enquanto o programa RevPoints já conta com 17 milhões de utilizadores distribuídos por 36 mercados, representando um aumento face aos 6,6 milhões registados no final de 2024”.
Por outro lado, a Revolut sublinha que “continua a beneficiar de um motor de crescimento eficiente, sustentado por um forte crescimento orgânico. Mais de 63% dos novos clientes particulares aderiram através de ‘passa-a-palavra’ ou recomendações, demonstrando a força da base de utilizadores. Este desempenho foi apoiado por um investimento de 769 milhões de euros milhões em vendas direcionadas, publicidade e atividades de marketing.
Portugal: um dos mercados mais dinâmicos da Revolut
Em Portugal, a Revolut confirmou 2025 como um ano histórico tendo ultrapassado os 2,1 milhões de clientes (crescimento de 35%), tornando-se o 10.º maior mercado da Revolut a nível global. Os depósitos cresceram 64% e as transações domésticas aumentaram 82%, representando mais de 58% do total.
Ao longo do ano, a Revolut em Portugal angariou mais de 580 mil novos clientes (atingindo 2,1 milhões, +35%). As poupanças dispararam 217%, impulsionadas pelos fundos do mercado monetário, enquanto a área de trading cresceu 63%, refletindo o interesse dos portugueses em investimentos.
Entre os destaques nacionais está a integração total com MB Way e rede Multibanco; a abertura da sucursal local e atribuição de IBAN português (PT50); o crescimento do plano Ultra (+79%) e do Revolut Business (+41% em clientes empresariais).
Entre os principais lançamentos, destacam-se ainda as poupanças de acesso imediato, com juros pagos diariamente, e as eSIMs, além de parcerias com festivais como o Primavera Sound e o Coala Festival, oferecendo experiências exclusivas aos clientes.
Para 2026, a Revolut ambiciona consolidar-se como banco principal dos portugueses, com foco na domiciliação de ordenados, e ultrapassar os 2,5 milhões de clientes ainda este ano.
Após a implementação do IBAN português, o foco passa por aprofundar a relação com os utilizadores, incentivando sobretudo a domiciliação de ordenados. No início do ano, já lançou uma promoção de 2,5% em poupanças e integrou a Via Verde, reforçando a presença no dia a dia. Em paralelo, quer acelerar o crescimento no segmento empresarial, posicionando o Revolut Business como uma alternativa competitiva e flexível para as empresas portuguesas.
Perspetivas do Grupo para 2026
Em 2026, a Revolut está a operacionalizar a sua rede bancária global a um ritmo acelerado, passando de líder europeu para se posicionar como o primeiro banco verdadeiramente global do mundo.
Este avanço é impulsionado, em primeiro lugar, pelo progresso no licenciamento global: o Grupo entrou no ano com desenvolvimentos regulatórios relevantes, destacando-se o lançamento da atividade bancária completa no México em janeiro e, em março, a conclusão bem-sucedida do período de mobilização no Reino Unido. Este marco permite à Revolut oferecer serviços bancários plenos aos seus 13 milhões de clientes britânicos e serve também como base para o pedido formal de licença bancária nacional nos Estados Unidos, submetido no mesmo mês.
Paralelamente, o banco está a apostar fortemente na expansão através de um investimento estratégico significativo, comprometendo-se com 11 mil milhões de euros nos próximos cinco anos para acelerar o crescimento internacional e fomentar a inovação. Este plano contempla a criação de 1.000 postos de trabalho altamente qualificados na nova sede global em Londres, assim como uma alocação relevante de capital para reforçar as operações nos Estados Unidos e na Europa Ocidental.
Por fim, a Revolut mantém o foco no seu objetivo estratégico de alcançar os 100 milhões de clientes até meados de 2027, sustentando essa ambição num modelo de negócio resiliente e diversificado, concebido para garantir crescimento consistente independentemente dos ciclos de mercado.
O CFO, Victor Stinga, questionado pelos jornalistas sobre o esperado IPO (oferta pública inicial) não se comprometeu com prazos. O CEO Nik Storonsky já tinha dado a entender um calendário mais longo, tornando 2026 ou posterior um prazo realista.
Share this content:


Publicar comentário