Ares Management limita pedidos de resgaste de fundo de crédito a 5%
A Ares Management anunciou na terça-feira que estava a limitar os resgastes por parte dos investidores num fundo de crédito (Ares Strategic Income Fund).
Este fundo, salienta a agência noticiosa Reuters, está avaliado em 22,7 mil milhões de dólares (19,5 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual). Os pedidos de resgate atingiram os 11,6% do total das ações em circulação, no primeiro trimestre, superando o limite dos 5%. A gestora assumiu o compromisso de honrar os pedidos de recompra de 5% das ações, do Ares Strategic Income Fund, o equivalente a 524,5 milhões de dólares (451,9 milhões de euros). O fundo teve entradas brutas de aproximadamente 708 milhões de dólares (610 milhões de euros) no primeiro trimestre, salienta a agência noticiosa.
O fundo, numa carta, transcrita pela agência noticiosa, referiu que a maioria dos pedidos de resgaste foram “feitos por um número limitado de family offices e instituições mais pequenas em regiões geográficas selecionadas”, o que representa menos de 1% dos mais de 20 mil acionistas do fundo.
A Ares salientou que esta decisão de utilizar o limite de 5% “está alinhada” com o que acredita ser o “melhor interesse” do fundo e de todos os stakeholders.
Fundos de crédito têm limitado resgastes
Esta decisão da Ares vem de encontro à tomada por outras entidades do setor.
A gestora de ativos Apollo informou os investidores de que iria limitar os resgastes do seu fundo de crédito (Apollo Debt Solutions), no valor de 25 mil milhões de dólares (21,5 mil milhões de euros), a 5% face a pedidos de levantamento que atingiram os 11,2%, de acordo com um documento entregue pela gestora junto do regulador de mercados norte-americano (SEC).
O fundo referiu, citado pela agência noticiosa Reuters, que esta decisão “está alinhada” com os seus objetivos de liquidez. Os resgates deixam o fundo com cerca de 730 milhões de dólares (630,1 milhões de euros) em saídas brutas [no trimestre] face a entradas de 724 milhões de dólares (624,9 milhões de euros), salienta o mesmo meio de comunicação.
O principal fundo de crédito da Blackstone (BCRED), que está avaliado em 82 mil milhões de dólares (70,7 mil milhões de euros), teve em fevereiro a sua primeira perda mensal em mais de três anos (-0,4%). No primeiro trimestre este fundo teve pedidos de levantamento de 3,7 mil milhões de dólares (3,1 mil milhões de euros), de acordo com a Reuters. A Blackstone também anunciou que iria levantar o seu limite de resgastes de fundos, por trimestre, de 5% para 7%.
A Blue Owl tinha anunciado em fevereiro que iria vender 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) em ativos de três dos seus fundos de crédito de modo a poder devolver dinheiro aos investidores e também para amortizar dívida.
E a BlackRock limitou os resgastes de um dos seus fundos de crédito (HPS Corporate Lending Fund). A gestora de ativos tinha recebido pedidos de resgate avaliados em 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros) no primeiro trimestre, o equivalente a 9,3% do total. A organização salientou que iria pagar 620 milhões de dólares (535,1 milhões de euros) atingindo desta maneira o limite de 5%. Esta foi a primeira vez em que os pedido de resgastes, no HPS Corporate Leding Fund, ultrapassou os 5%, salientou a Reuters.
“Embora esperemos que os resgates permaneçam elevados nos próximos trimestres, existe agora um precedente saudável para o rateio dos resgates”, considerou o analista da Evercore, Glenn Schorr, citado pela Reuters.
O analista da Piper Sandler, Crispin Love, também citado pela Reuters, considerou que a adesão ao limite [dos 5%] “equilibra adequadamente os interesses dos acionistas novos, existentes e que resgatam as suas ações, considerando o valor patrimonial líquido”.
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