Rally-Raid Portugal: Pilotos elogiam público e organização apesar da dureza extrema da prova
Lama, velocidade e emoção entre Portugal e Espanha…
O BP Ultimate Rally-Raid Portugal 2026 ficou marcado pela combinação desafiante de lama em território português e altas velocidades na Estremadura espanhola. A segunda ronda do Campeonato do Mundo de Rally-Raid (W2RC) deixou nos pilotos um misto de desgaste e entusiasmo — não só pelas condições técnicas da prova, mas também pelo calor do público ibérico e pela organização exemplar do ACP.
Frustração e emoção à flor da lama
Carlos Sainz, forçado a abandonar devido a problemas de motor no seu Ford Raptor, resumiu o sentimento de frustração que atravessou a equipa: “Foi uma chatice, não tanto pelos pontos, mas porque precisava destes quilómetros com o meu novo navegador, Dani Oliveras.” O espanhol, contudo, não escondeu a admiração pela atmosfera: “Correr em casa e logo ao lado de casa é único — a afición ibérica é a mais calorosa do campeonato, de longe.”
Já Lucas Moraes, este ano ao volante de um Dacia, destacou a receção do público português com emoção: “Portugal é uma prova que eu gosto muito… os fãs são fanáticos e o clima é muito especial para nós, latinos.” O brasileiro apontou ainda o contraste entre os terrenos: “Em Portugal era lama e trilhos estreitos; em Espanha, finalmente, deixámos o carro respirar nos estradões rápidos.”
Loeb reencontra memórias e vence em solo português
Sébastien Loeb regressou às vitórias em Portugal 17 anos depois da sua última no WRC, em 2009. O francês descreveu a experiência como “nostalgia pura”, elogiando as etapas desenhadas por Orlando Romana: “Algumas partes lembraram-me os ralis de Portugal de 2007 a 2012.” Para Loeb, a lama portuguesa foi um verdadeiro teste: “É traiçoeira — não é só água, é ‘sabão’. Exige leitura constante do terreno.”
Nasser e a dureza mental do rali
Nasser Al-Attiyah, que enfrentou vários problemas mecânicos, classificou o rali como “muito difícil para toda a gente”. O piloto do Qatar ficou surpreendido com a quantidade de água e lama: “Foi um desafio mental enorme, talvez mais desgastante do que o calor extremo.” Ainda assim, publicou nas suas redes que “se divertiu imenso”, revelando que, mesmo nas adversidades, o percurso foi dos mais divertidos do campeonato.
A organização e o público conquistam consenso
Nos bastidores, o sentimento geral entre pilotos e equipas foi unânime: o ACP elevou o padrão do W2RC. Muitos consideraram que a prova devolveu ao campeonato a essência dos “rali clássicos”, onde o talento do piloto pesa tanto quanto a navegação.
A “parede humana” que acompanhou as etapas portuguesas também não passou despercebida. “Há muito tempo que não víamos este entusiasmo”, ouviu-se entre as assistências, noa bivouac. A transição para as pistas largas de Badajoz funcionou como o “pulmão” da prova, equilibrando a dureza técnica de Grândola com a fluidez do percurso espanhol.
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