“Vinícius Júnior? Temos muito orgulho em tê-lo como acionista”, sublinha CEO do Alverca
Há um ano, Vinícius Júnior, craque do Real Madrid, tornava-se um dos acionistas do FC Alverca, clube que então militava na II Liga portuguesa, numa operação estimada em cerca de oito a dez milhões de euros. Poucos meses depois, o clube ribatejano voltava à Liga principal e estabilizou-se entre os maiores do futebol português.
José Miguel Albuquerque, CEO do Alverca, esteve presente num painel sobre a centralização dos direitos televisivos, no âmbito do evento ION – International Business & Sports Conference, que decorre esta quarta-feira em Cascais. O dirigente não quis falar muito sobre o tema mas admitiu que o clube tem muito orgulho no seu acionista mais mediático: “Vinícius Júnior é acionista minoritário, temos muito orgulho em tê-lo connosco. O Alverca tem uma ótima localização geográfica, boas camadas jovens e não tinha dívida, o que foi importante na aquisição”.
Direitos TV: “Grandes precisam dos pequenos”
A centralização dos direitos televisivos da Liga, que vai ser uma realidade em 2028/29 em Portugal, terá que ter em conta para onde vão as verbas que os clubes vão receber, defendeu este dirigente: “A centralização é muito importante para clubes como o Alverca mas isto não pode ser concebido sem se perceber para onde vão estas verbas que os clubes vão receber: melhoria das infraestruturas, a experiência do adepto, etc”.
E os clubes grandes em Portugal, percebem essa necessidade de um maior equilíbrio competitivo na Liga? José Miguel Albuquerque defende que sim e considera que isso vai também aumentar a competitividade dos grandes lá fora: “Precisamos dos grandes mas eles também precisam dos pequenos e temos uma realidade altamente desequilibrada. Mais de dois terços das transmissões televisivas em Portugal estão na pirataria. Os grandes nunca se posicionaram em relação a isto, não têm o estímulo nem o incentivo”, criticou.
“Futebol? Talento não falta mas falta escala”
O empresário Marco Galinha considera que o futebol em Portugal tem um problema para resolver e não é a falta de talento: “O futebol não tem falta de talento, falta escala. Temos bons CEOs à frente dos clubes mas ao nível dos valores, ao contrário do que levamos lá para fora, temos pequenez mundial. É preciso ter escala e marcas com dimensão até porque o futebol é a melhor indústria portuguesa”.
“O futebol está a pensar em pequena escala. Há formas de dar o salto, temos a tecnologia que o pode ajudar. Creio que os clubes portugueses podem perfeitamente cotar em bolsas internacionais. Mas os clubes nunca devem perder a maioria do capital da SAD. Os clubes têm que ter coragem mas é preciso um modelo de negócio e de escala”, defendeu.
O exemplo belga
Ricardo Barros, COO da wTVision, tecnológica portuguesa especializada em soluções de grafismo em tempo real, que tem a Liga dos Campeões como um dos clientes mais sonantes, destacou o exemplo belga, liga que centralizou há uma década os direitos de televisão.
“Em 2005, estive presente no canal que tinha os direitos da liga belga e a partir do momento em que houve centralização tivemos competitividade, atração de talento e a mostrar-se ao mundo. Houve dificuldade com a centralização mas aos poucos foram percebendo as vantagens. A oferta explodiu, passou a existir maior competitividade, patrocínios mais elevados”, destacou.
E o que traz a centralização ao produto futebol português? “A centralização cria identidade e um produto único. Todos os jogos promovidos da mesma maneira, de forma transversal, todos merecem que haja a mesma dedicação, a mesma exposição. Fazemos também o grafismo da Champions League e toda a gente conhece a estabilidade dessa mensagem”, concluiu.
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