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ActiveCap quer duplicar ativos sob gestão para 250 milhões nos próximos três anos

ActiveCap quer duplicar ativos sob gestão para 250 milhões nos próximos três anos

A ActiveCap, gestora de fundos de private equity orientada para o investimento em empresas portuguesas, que tem como partner e CEO Pedro Correia da Silva, revelou, num encontro com jornalistas, que “neste momento temos, sensivelmente, sob gestão, 120 milhões de euros, e o nosso objetivo é que, nos próximos anos, atinjamos os 250 milhões de euros em ativos sob gestão, num horizonte de dois a três anos”.
Um crescimento que passa pelo lançamento de novos fundos de private equity. “Quando um fundo para de investir, quando o período de investimento de um fundo termina, temos necessariamente de lançar um novo fundo, cerca de um a dois meses antes, dependendo das circunstâncias, para continuar o processo de investimento. Não podemos ficar sem capacidade de investir”, explica o CEO da gestora de ativos, que não se compromete, no entanto, com datas para o lançamento de um novo fundo.
O site da empresa de capital de risco revela quais são os seus fundos Growth Equity: o ActiveCap I (já fechado); o ActiveCap II (criado no âmbito do Programa Consolidar do Banco Português de Fomento); e os ActiveCap I&D II e ActiveCap I&D III.
Há ainda um fundo de “Special Situations”, o Alpha Fund, e outro de “Liquid Bonds”, o ActiveCap Corporate Bond Fund.
Assim, o fundo ActiveCap I – Portuguese Growth Fund, FCR, é dedicado ao investimento em capital de expansão, preenchendo uma lacuna no tecido económico e no mercado de capital de risco nacional, e encontra-se em fase de desinvestimento; já o ActiveCap II – Portuguese Growth Fund, FCR é um fundo dedicado ao investimento em empresas com potencial de desenvolvimento, através de estratégias de expansão e capitalização, estando atualmente em fase de investimento.
Ao todo, até ao momento, os fundos da ActiveCap estão investidos em 14 empresas, explicou o CEO.
Foi sobre o ActiveCap II que os responsáveis da ActiveCap mais se debruçaram na conversa com jornalistas. O foco deste investimento está em empresas com elevado potencial de crescimento e nas quais a injeção de capital permita o seu posicionamento no mercado global.
Neste momento, este fundo — que investe apenas em empresas com sede em Portugal — já tem participações em cinco empresas e encontra-se em período de investimento. “O período de investimento termina este ano”, disse, acrescentando que “estamos a falar de tickets de investimento entre 3 e 10 milhões de euros”. Pedro Correia da Silva admite fechar o ano com investimento em oito a nove empresas, “mas também pode variar”.
“Tencionamos investir entre 3 a 4 empresas até final do ano”, detalhou.
“Nós temos vários investimentos em curso: uns de 8 milhões, outros de 10 milhões, outros de 3 milhões. A evolução vai depender”, explicou.
“Quanto é que é suposto investir nas empresas por fundo? Sete a oito milhões é o mínimo, às vezes 10 milhões”, revela o CEO.
Salvador Correa de Barros acrescenta que “os fundos normalmente têm 10 anos: cinco de investimento e cinco de desinvestimento. Em média, cada empresa fica cinco anos no portefólio, mas é uma média, não tem de ser sempre assim”.
“Depois temos um fundo mais pequeno, mas com a mesma estratégia, que chamamos I&D II, onde podemos fazer tickets entre 500 mil euros e 2 milhões de euros”, disse. Pedro Correia da Silva explicou que este fundo também está em fase de investimento.
“O primeiro fundo, o ActiveCap I, foi sensivelmente de 40 milhões, e entre o I&D II e o ActiveCap II anda à volta dos 80 milhões, sendo que, no que toca ao ActiveCap II, a dimensão é de 61 milhões de euros”, explicou o CEO.
“No fundo 1, nós dividimos em dois subfundos. No fundo 2, dividimos em dois fundos, mas a estratégia é sempre a mesma e a segmentação também”, sublinhou.
Os responsáveis explicaram que o I&D II tem um prazo maior de investimento: “são mais dois anos”.
“O que nós nos apercebemos, há uns anos, é que já havia muita oferta de fundos para venture capital, para startups, e também já existiam fundos com alguma dimensão para os chamados fundos de controlo (buyout). O que nos pareceu faltar — e que fazia sentido — era criar fundos de capital de longo prazo, que permitissem às empresas investir no longo prazo, numa estrutura em que os acionistas não saíssem do capital”, explica o CEO, acrescentando que os fundos da ActiveCap investem como minoritários. Em média, as participações no capital rondam os 30%, explicou Salvador Correa de Barros.
“Os fundos de private equity globais aumentaram cada vez mais os tickets. Dizem que investem em toda a Europa, mas, quando vamos ver as carteiras, não há investimentos em Portugal. À medida que aumentavam a dimensão, aumentavam o ticket médio, e as nossas oportunidades não estavam lá, porque não tínhamos empresas desta dimensão elegíveis, o que levou a uma escassez de capital em Portugal durante vários anos”, referiu Pedro Correia da Silva.
Essa escassez “hoje permite-nos ter esta estratégia bastante ativa e, apesar de ter havido muitos mais fundos nos últimos anos, quando comparamos os números agregados, Portugal ainda apresenta valores inferiores à média europeia. O que permite dizer que esta estratégia ainda tem um caminho de convergência a percorrer”.
“Enquanto sociedade gestora de fundos de capital de risco em Lisboa, o que quisemos sempre fazer — e que é o core da nossa atividade — é ter fundos que invistam em empresas portuguesas para lhes dar escala, ou seja, duplicar ou triplicar a sua dimensão”, explicou Pedro Correia da Silva, num encontro com jornalistas onde participou também o partner Salvador Correa de Barros.
“É financiar as empresas com capital, como alternativa à dívida, para lhes dar escala internacional, europeia ou global”, acrescentou, explicando ainda que “entramos sempre na gestão das empresas, porque estamos a falar de duplicar ou triplicar a faturação, o que é transformacional. Mas vamos sempre complementar”. O CEO acrescenta que o grande objetivo dos acionistas familiares é institucionalizar o processo de decisão.
O alvo são empresas já com mais de 10 milhões de euros de faturação, com vista à sua duplicação, para que possam alcançar uma escala europeia ou global — o que implica atingir 20, 30 ou 40 milhões de euros de faturação. “Este é o nosso objetivo: entrar em empresas que, passado quatro a seis anos, tenham uma dimensão europeia.”
Em termos de setores, “somos agnósticos. Investimos em todos os setores”, disse o CEO, defendendo a diversificação.
“Mas também é importante dizer que há características nos setores de que gostamos mais. Se queremos dar escala europeia ou global, têm de ser setores com forte capacidade de internacionalização e exportação”, acrescentou.
No que toca à rentabilidade, Pedro Correia da Silva explicou que “os fundos de capital de risco, se olharmos para séries de 10 a 20 anos, têm tido retornos à volta dos 15% anuais. Quando queremos captar investidores internacionais, não podemos dizer que fazemos menos do que isso. O objetivo é estar em linha com as melhores práticas europeias ou globais, ou seja, cerca de 15% de rentabilidade anual”.
O CEO revelou que o primeiro fundo cumpriu esse objetivo e que o segundo também está a cumprir. “Só é possível captar mais capital, nacional e internacional, para investir nas empresas portuguesas se entregarmos retornos”, sublinha.
O gestor revelou ainda que, atualmente, “40% dos nossos capitais já são internacionais, e queremos aumentar”.
Quanto às saídas, ou seja, aos desinvestimentos, Pedro Correia da Silva reconhece que não têm sido fáceis. As saídas “vão sendo construídas. Temos de pensar nelas ainda antes de investir”.
Assim, embora não haja garantias, os gestores explicam que “quando investimos já procuramos empresas em que a saída seja mais provável e onde seja mais fácil encontrar potenciais compradores”.
O CEO explica que, entre o investimento e o desinvestimento, nunca ficam parados: “temos equipas que criam valor nas empresas. Se uma empresa passa de 10 para 30 milhões de faturação, isso aumenta significativamente o número de potenciais compradores”.
A saída pode passar pela venda da participação do fundo ou pela venda total da empresa, incluindo os acionistas fundadores.
Pedro Correia da Silva admite que a solução ideal seria a cotação em bolsa. “Mantemos excelentes relações com a Euronext precisamente porque, para eles, também é importante haver ofertas públicas iniciais”, disse, reconhecendo que algumas empresas já manifestaram essa intenção. No entanto, o fundo avalia sempre se essa opção faz sentido, tendo em conta a dimensão e o setor da empresa, bem como a necessidade de dispersão de capital para garantir liquidez no mercado secundário.
O CEO referiu ainda eventos imprevistos que podem afetar os planos de negócio das empresas, como as tempestades que atingiram a região Centro de Portugal. A ActiveCap tem participação numa empresa sediada em concelhos afetados pela tempestade Kristin, em Leiria.
No passado, as empresas familiares portuguesas viam a entrada de fundos de capital de risco como um sinal de dificuldade, mas isso está a mudar, como explica Salvador Correa de Barros.
“Hoje, as empresas estão muito mais abertas a este tipo de instrumentos. Muitos casos estão associados a questões de sucessão, e as segundas gerações querem entrar de forma mais profissional e estruturada. Muitas vezes, são elas próprias que chamam os fundos”, afirmou.
Os gestores promovem também fusões entre empresas: “a melhor forma de crescer é juntar duas empresas pequenas. É a mais rápida” e, em alguns casos, “já temos targets identificados para dar esse passo”.
 

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