Irão quer cobrar portagens no estreito de Ormuz
O parlamento iraniano pretende aprovar uma lei para cobrar portagem aos navios que transitam pelo estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula 20% do petróleo mundial. “Procuramos um projeto de lei que reconheça legalmente a soberania, o domínio e a supervisão do Irão sobre o estreito de Ormuz e que, além disso, seja uma fonte de receitas para o país através da cobrança de uma portagem”, afirmou o presidente da comissão de Assuntos Civis do parlamento, Mohamad Reza Rezaei Kochi.
Em declarações à CNN Portugal, Filipe Santos Costa, investigador associado do Instituto da Defesa Nacional, explica que “não há enquadramento” para a pretensão iraniana de cobrar portagem aos navios que pretendam atravessar o Estreito de Ormuz. Ainda assim, segundo o especialista, pode vir a fazê-lo, uma vez que tem capacidades para restringir o trânsito na zona.
A República Islâmica mantém o estreito de Ormuz bloqueado “aos inimigos” desde o início da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro, embora tenha permitido a passagem de petroleiros de países que considera amigos, como Tailândia ou Índia. Este bloqueio elevou o preço do petróleo, uma vez que o estreito é fundamental para o comércio energético global.
O presidente dos EUA, Donald Trump, prolongou o prazo para que o Irão reabra o estreito de Ormuz até 6 de abril, alegando novamente que as negociações estão em curso entre os dois países. Esta é a segunda extensão do prazo dada por Donald Trump, depois de a 21 de março ter ameaçado inicialmente atacar as centrais energéticas do Irão caso o país não reabrisse o estreito à navegação em 48 horas, passando o ultimato na segunda-feira a cinco dias, devido às alegadas “conversações produtivas” com Teerão.
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