Trump vai exigir aos países árabes que assumam parte da fatura da guerra
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode vir a exigir aos países árabes que paguem parte dos custos da guerra contra o Irão, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, esta segunda-feira – que aparentemente terá cometido algum tipo de inconfidência dado que foi de seguida muito vaga sobre o assunto. Já antes Donald Trump tinha manifestado estar indisposto com o facto de os países árabes da região não terem entrado na guerra ao lado da dupla EUA-Israel, apesar de terem gasto elevadas quantidades de dinheiro em armamento.
“Acho que é algo que o Presidente teria bastante interesse em pedir que eles o fizessem”, disse Leavitt. “É uma ideia que sei que ele tem e algo sobre o qual acho que vocês ouvirão falar mais da parte dele”, disse ainda, no meio de declarações que os jornalistas a quem elas são dirigidas tendem a não compreender: será uma declaração oficial, uma manifestação de vontades ou algo previamente combinado com o presidente.
Por outro lado, Leavitt afirmou que as negociações com o Irão estão em andamento e a progredir positivamente, acrescentando que o que Teerão diz publicamente difere do que diz às autoridades norte-americanas em particular e que o Irão concordou em privado com algumas propostas de Washington no plano de 15 pontos. “Apesar de toda a retórica pública do regime e das notícias falsas, as negociações continuam e estão a ir bem. O que é dito publicamente é, obviamente, muito diferente do que nos é comunicado em particular”, disse Leavitt.
Trump reafirmou esta segunda-feira que os complexos de energia e os poços de petróleo do Irão – a que entretanto acrescentou as unidades de dessalinização da água do mar – seriam destruídos se o país não abrisse o Estreito de Ormuz à navegação, depois que Teerão ter descrito as propostas de paz dos Estados Unidos como “irrealistas”.
Espanha bloqueia espaço aéreo
Entretanto, na mesma altura em que Portugal decidiu permitir que os norte-americanos estacionem na Base das Lages, nos Açores, os chamados ‘drones assassinos’ – os MQ-9 Reaper, utilizado pelos Estados Unidos para vigilância e ataques de precisão, com mais de 10 metros de comprimento, uma envergadura de cerca de 20 metros e podendo voar mais de 27 horas – Espanha fez precisamente o contrário: fechou o seu espaço aéreo aos aviões norte-americanos envolvidos em ataques contra o Irão. A medida que vai além da anterior proibição do uso de bases militares operadas em conjunto, disse a ministra da Defesa, Margarita Robles, esta segunda-feira.
“Não autorizamos nem a utilização de bases militares nem a utilização do espaço aéreo para ações relacionadas com a guerra no Irão”, disse. O encerramento do espaço aéreo obriga os aviões militares a contornar a Espanha, membro da NATO, a caminho dos alvos no Médio Oriente.
“Esta decisão faz parte da decisão já tomada pelo governo espanhol de não participar ou contribuir para uma guerra iniciada unilateralmente e contra o direito internacional”, disse o ministro da Economia, Carlos Cuerpo, em entrevista a uma rádio, quando questionado sobre se a decisão de fechar o espaço aéreo espanhol poderia piorar as relações com os Estados Unidos. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem sido um dos opositores mais veementes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, descrevendo-os como imprudentes e ilegais. Antes disso, Sánchez também discordou com os gastos de até 5% do PIB dos Estados-membros da NATO em defesa – e desde então tem sido rudemente criticado por Donald Trump.
Outro estreito na mira das armas
O Estreito de Bab el-Mandeb, um ponto de estrangulamento marítimo que liga o Oceano Índico e o Mar Vermelho, enfrenta potenciais perturbações com a escalada da guerra entre contra o Irão – parecendo possível que venha a passar-se ali algo de semelhante com o que se passa em Ormuz. Localizado entre o Iémen e o Djibuti, o Estreito de Bab el-Mandeb é a única rota marítima direta que liga a Ásia à Europa através do Canal de Suez. No seu ponto mais estreito, tem cerca de 32 km de largura.
Há dias, a agência de notícias iraniana Tasnim citava um oficial militar não identificado, que afirmou: “se os americanos querem pensar numa solução para o Estreito de Ormuz com medidas estúpidas, devem ter cuidado para não adicionarem outro estreito aos seus problemas e dificuldades”, acrescentando que “o Estreito de Bab el-Mandeb é considerado um dos estreitos estratégicos do mundo, e o Irão tem tanto a vontade como a capacidade para criar uma ameaça credível” na região.
O estreito movimentou cerca de 12% das remessas globais de petróleo no início de 2023, com fluxos médios em torno de 4,2 milhões de barris por dia no início de 2025. Qualquer interrupção poderia paralisar o tráfego entre a Europa e a Ásia, forçando os navios a contornarem a África e aumentando significativamente os tempos e custos de trânsito – tal como aconteceu num passado recente com os taques do houthis do Iémen do Sul ou com os surtos de pirataria organizados a partir do nordeste de África. A sua importância estratégica atraiu bases militares de potências globais, incluindo os Estados Unidos, a França e a China.
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