Mercados fecham março no ‘verde’, apesar da continuação do conflito no Médio Oriente
O fim do mês de março foi positivo para os mercados, com as principais praças europeias e os índices norte-americanos a registaram ganhos, depois do presidente norte-americano, Donald Trump, ter feito declarações a dizer que estava disposto a suspender a campanha militar no Irão, sem que o Estreito de Ormuz deixasse de estar bloqueado.
Contudo, o conflito “continua, com notícias durante a noite de terça-feira a apontar para um forte ataque contra instalações subterrâneas de armazenamento de mísseis iranianas perto de Isfahan, seguido de uma série de grandes explosões”, referem os analistas da XTB.
O dia serviu para estabilizar os preços do petróleo, que continuam altos, acima dos 100 dólares, mas com subidas mais ligeiras.
Já o preço do ouro subiu para um “máximo de 10 dias no início da sessão europeia. Depois de terem atingido um mínimo de vários meses na semana passada, o metal precioso estabilizou em torno dos 4.500 dólares e recuperou algum terreno desde sexta-feira, à medida que os investidores viram nos preços mais baixos uma oportunidade para comprar na queda”, afirma Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
“A incerteza geopolítica e económica em curso está a reforçar o apelo do ouro enquanto ativo de refúgio. Após um período de correção, durante o qual muitos investidores encerraram posições lucrativas para responder a requisitos de margem noutras áreas, os preços apresentam-se agora mais atrativos e a procura está a regressar. No entanto, o potencial de valorização continua limitado pelas expectativas de uma política monetária mais restritiva por parte dos bancos centrais”, declara.
Os analistas apontam que esta semana será “de tensa espera” principalmente porque a “prorrogação da prorrogação” sobre o Irão vai terminar na próxima segunda-feira, 6 de abril. “E Trump afirma que os novos líderes iranianos são “muito razoáveis”, mas prepara tropas para uma operação terrestre que seria muito arriscada. Esta semana deverá ser de manobras e retirada até haver informação clara. Entramos numa fase de convivência tensa com a incerteza sobre a guerra no Irão, até que aconteça ou se possa prever o seu desfecho”, salientam os analistas do Bankinter.
Os analistas esperam que o conflito termine antes da visita de Trump a Pequim, que acontece a 14 de maio. “Continuamos a ver como limite temporal do conflito o dia 14 de maio, embora provavelmente seja antes. O Paquistão já anunciou que será a sede para as negociações, que poderão começar brevemente. E, por isso, os efeitos serão mais conjunturais do que estruturais. Trump quer levar o conflito resolvido a Pequim para poder negociar um melhor acordo de minerais críticos”, apontam.
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