25 de abril no basquetebol
Daqui a duas semanas, a 25 de abril, os sessenta e um delegados da Assembleia-Geral vão eleger uma nova direção para a Federação Portuguesa de Basquetebol, incluindo um novo presidente. Quem olhar para as contas dos últimos anos e para o Plano de Atividades para 2026 apresentado pela atual direção só pode concluir que o basquetebol português precisa mesmo de um 25 de abril. Não por uma questão de renovação, mas por uma questão de necessidade e de sobrevivência.
O Relatório e Contas de 2025 tornou ainda mais claro o que já se vinha antecipando nos anos anteriores: que a situação financeira da Federação é frágil e que a quebra de receitas e a extrema dependência do dinheiro das apostas desportivas representam riscos estruturais que colocam em causa não só a sustentabilidade da Federação, mas o futuro do basquetebol nacional.
Ora, se os resultados financeiros já eram, por si, motivo mais do que suficiente para retirar a confiança à atual direção, o plano apresentado para 2026 limita-se a identificar a crise, sem apresentar um caminho credível para a resolver. Não há estratégia, não há plano, não há soluções, não há metas plurianuais, não há um modelo alternativo. Há um vazio, que se resume apenas a um assobiar para o lado e uma aparente fé de que fazer igual poderá vir a dar resultados diferentes.
Um exemplo claro desta incapacidade de a atual direção compreender a gravidade do problema é o facto de terem apresentado um plano para 2026 sustentado em resultados negativos de 150 mil euros em 2025, sendo que as contas de 2025 recentemente aprovadas apresentam resultados negativos de quase 1 milhão de euros!
Há um outro dado que tem de estar no centro do debate e não está: os fundos patrimoniais da Federação caíram para cerca de 572 mil euros, em resultado desses de prejuízos de quase 1 milhão de euros em 2025. Este não é um detalhe técnico. É o principal indicador da crise financeira que a Federação atravessa e o princípio de uma falência técnica iminente.
É muito simples: se em 2026 nada de diferente for feito, a situação deixa de ser apenas preocupante e passa a ser crítica. Um novo défice desta dimensão colocaria os capitais próprios da Federação em terreno negativo, colocando-a numa posição de elevada fragilidade financeira. A partir desse momento, a Federação deixaria de ter margem para absorver imprevistos, ficando exposta a pressões de tesouraria, atrasos de pagamentos e cortes abruptos na atividade. Mais do que um problema de sustentabilidade, estaríamos perante um problema de sobrevivência operacional, e isso comprometeria seriamente a capacidade de planear e desenvolver o basquetebol português no médio prazo. Ignorar este facto, ou tratá-lo de forma secundária, é não reconhecer a gravidade do momento.
Mais difícil ainda de compreender é a ambição financeira anunciada. O plano apresentado para 2026 fala em equilíbrio orçamental e em manter fundos patrimoniais acima de 1 milhão de euros mas não explica como se recupera, num único ano, quase meio milhão de euros de capital perdido apresentando, num plano já em si pouco credível, resultados operacionais de apenas 10 mil euros… Sem medidas concretas, sem trajetória definida, sem instrumentos operacionais, estes objetivos não passam de intenções.
Também a estratégia de ajustamento apresentada revela limitações claras. Perante uma quebra estrutural de receitas, a resposta é essencialmente cortar despesa. Mas não cortar com critério, com redefinição de prioridades ou com transformação do modelo. O que é proposto é cortar de forma linear, reativa, defensiva.
Ao mesmo tempo, mantém-se o nível de atividade, como se fosse possível sustentar o mesmo grau de ambição com menos recursos. Esta contradição é evidente: ou surgem novos défices, ou surgirão cortes adicionais durante a execução. Nenhuma das opções é desejável. Nenhuma é explicitada.
Mas o ponto mais crítico é outro: não existe qualquer estratégia de receitas. Não há plano comercial, não há abordagem estruturada a patrocínios, não há valorização mediática da modalidade, não há exploração de conteúdos ou criação de fontes recorrentes de financiamento. Há apenas uma ideia implícita: fazer o mesmo, com menos. Isso não é um plano. É uma tentativa de adaptação à perda de capacidade. E essa adaptação tem consequências. Num momento em que o basquetebol cresce, com mais praticantes, mais visibilidade e melhores resultados internacionais, as medidas propostas incidem precisamente sobre as áreas que sustentam esse crescimento: promoção, apoio a clubes e investimento estruturante na formação.
É assim que se entra num ciclo perigoso: menos investimento hoje, menos crescimento amanhã, menos receita depois. No fundo, o plano apresentado faz três coisas: reconhece o problema, não o resolve, e adia as decisões difíceis para quem vier a seguir.
Ora, o basquetebol português não precisa de mais um ciclo de gestão defensiva, liderado por quem é responsável pela situação atual. Precisa de uma mudança de modelo. Precisa de um plano financeiro plurianual, de uma estratégia clara de geração de receitas, de um alinhamento entre ambição desportiva e capacidade financeira, e de uma reconstrução progressiva dos fundos patrimoniais.
É isso que a candidatura da mudança liderada por Carlos Barroca propõe: uma Federação mais sólida, mais moderna e mais preparada para o futuro. Uma gestão onde os objetivos desportivos e financeiros se reforçam mutuamente, em vez de entrarem em conflito. Sem essa mudança, o risco é claro: continuar a gerir no curto prazo, acumulando fragilidade e reduzindo margem de manobra.
O basquetebol português merece mais do que isso. Merece ambição com responsabilidade. Merece crescimento com sustentabilidade. Merece futuro. E, neste momento, isso exige mudança.
Share this content:


Publicar comentário