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BCP propõe dividendos de 509 milhões e aumento do buyback até 40% dos lucros

BCP propõe dividendos de 509 milhões e aumento do buyback até 40% dos lucros

O Banco Comercial Português (Millennium BCP) publicou a convocatória da sua Assembleia Geral Anual (AGA) de 2026, marcada para o dia 7 de maio de 2026, depois do Conselho de Administração do BCP ter  aprovado um conjunto de propostas que reforçam significativamente a remuneração aos acionistas, combinando distribuição de dividendos com um potencial aumento do programa de recompra de ações. Segundo a convocatória publicada no site da CMVM, o BCP propõe a atualização da política de distribuição aos acionistas com aumento do buyback até 40% dos lucros.
O Conselho de Administração do BCP aprovou hoje 14 de abril, a proposta de atualização da Política de Distribuição aos Acionistas, que será submetida à Assembleia Geral Anual (ponto quatro da ordem de trabalhos). Esta atualização complementa diretamente a proposta de aplicação de resultados do exercício de 2025 (ponto dois), já apresentada em março, reforçando o compromisso de remuneração aos acionistas de forma mais ambiciosa e flexível.
Em 2025 o grupo BCP registou um resultado líquido consolidado de 1.018,6 milhões de euros e um resultado líquido individual de 814,65 milhões de euros. Deste montante individual, o banco propõe a distribuição de 509,3 milhões de euros em dividendos, o equivalente a 0,0344 euros por ação. A proposta inclui ainda um reforço da reserva legal de 81,5 milhões de euros (10% obrigatório) e a afetação de 223,9 milhões de euros a resultados transitados.
O BCP anuncia que o dividendo unitário mantém-se inalterado mesmo que venha a ser concretizada uma recompra de ações próprias antes do pagamento — operação ainda dependente de aprovação dos supervisores. Nesse cenário, as ações próprias não receberão dividendos, sendo esse valor reencaminhado para resultados transitados.
Política de distribuição mantém disciplina de capital
A proposta está alinhada com a Política de Distribuição aos Acionistas aprovada em maio de 2025, que prevê um payout de 50% dos lucros consolidados. A principal novidade é o aumento significativo do programa de recompra de ações (Share Buyback), que passa de um limite indicativo de 25% para até 40% dos resultados líquidos anuais consolidados atribuíveis aos acionistas. O banco introduz assim maior flexibilidade e ambição na remuneração aos investidores.
Isto é, a nova política mantém o dividendo ordinário até 50% dos lucros, mas complementa-o com um buyback mais robusto, calibrado em função do nível de capital.
O buyback será implementado em tranches anuais, sempre sujeito à aprovação prévia da Assembleia Geral e das autoridades de supervisão; ao cumprimento dos objetivos estratégicos do Plano Estratégico; e à preservação de rácios de capital adequados (consolidados e individuais pró-forma).
“A implementação da recompra de ações está ainda condicionada ao cumprimento dos objetivos de negócio relevantes do Plano Estratégico e das projeções de capital em Portugal e nas operações internacionais, assegurando, para além dos objetivos consolidados (…) a preservação de rácios de capital pró-forma individuais adequados (os quais resultam exclusivamente da dedução ao numerador e denominador, respetivamente, do valor contabilístico e da exposição ponderada pelo risco das participações financeiras detidas, direta ou indiretamente, em instituições de crédito fora da Zona Euro e que excedam 20% do capital dessas entidades”, lê-se na convocatória.

Assim, o dividendo ordinário mantém-se até 50% dos lucros, mas passa a ser complementado por um programa de recompra mais robusto, ajustado ao nível de capital do banco.

Entre os principais critérios que condicionam a distribuição de resultados está a manutenção de um rácio CET1 (fully loaded) mínimo de 13,5%, o reforço do capital económico e a garantia de recursos suficientes para suportar o crescimento e a inovação.
O buyback será executado em tranches anuais e dependerá sempre da aprovação dos acionistas e das autoridades de supervisão.
A nova estrutura define escalões de recompra com base no rácio CET1 pró-forma. Assim será até 40% dos lucros, se o CET1 for igual ou superior a 17,5%; será até 30%, se estiver entre 16% e 17,5%; e será até 25%, se abaixo de 16%, desde que cumpridos os restantes critérios.
Remuneração pode atingir 90% dos lucros
O BCP passa a poder oferecer uma remuneração total aos acionistas até 90% dos lucros anuais, combinando dividendos e recompra de ações, sempre que o nível de capital o permita.
O banco liderado por Miguel Maya sublinha que esta estratégia mantém os pilares de prudência financeira, incluindo a solidez dos rácios de capital, o cumprimento do processo ICAAP (Internal Capital Adequacy Assessment Process) – um processo interno obrigatório para instituições financeiras avaliarem e garantirem capital suficiente para cobrir todos os seus riscos, indo além dos requisitos mínimos regulatórios – e o alinhamento com as melhores práticas da banca europeia.
As duas propostas — aplicação de resultados e atualização da política de distribuição de resultados — serão votadas na Assembleia Geral de 7 de maio de 2026. A sua aprovação poderá consolidar a posição do Millennium BCP como uma das instituições financeiras portuguesas mais consistentes na criação de valor e remuneração dos acionistas.
Isto ganha particular relevância numa altura em que se fala que a Fosun estaria a avaliar as opções para sair do capital do banco português, segundo o jornal Expresso, e já terá contratado assessores para sondar o apetite do mercado por uma participação que ronda os 20,45%. Sem uma proposta interessante, a Fosun prefere manter a posição no BCP por causa dos dividendos, frisou ainda o jornal.

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