Unimadeiras contesta suspensão de trabalhos florestais por causa do Rally de Portugal
Segundo um comunicado divulgado esta terça-feira, 15 de abril, a empresa Unimadeiras SA considera que a decisão do Município de Sever do Vouga — que determina a suspensão de atividades florestais até 7 de maio nos troços Alombada–Alto do Roçario e Braçal–Alto da Serra — levanta “uma questão séria” sobre as prioridades na gestão do território.
“Em que momento uma prova desportiva passou a justificar a interrupção de uma atividade económica estruturante?”, questiona a empresa, sublinhando o contexto atual marcado por eventos climáticos extremos, risco acrescido de incêndio e abandono rural.
A Unimadeiras lembra que as tempestades que atingiram o país em fevereiro provocaram a queda de mais de dois milhões de toneladas de madeira, sobretudo em povoamentos de pinheiro-bravo na região Centro. Este volume excecional criou um “choque súbito de oferta” com impactos logísticos e económicos significativos para proprietários e operadores do setor.
Para Nuno M. Pinto, diretor de Sustentabilidade e Inovação da empresa, a relevância mediática e económica do rally não está em causa — mas sim o equilíbrio entre interesses. “Compreende-se a importância do Rally de Portugal. Mas essa importância não pode ser construída à custa de setores que garantem a resiliência do território ao longo de todo o ano”, afirma.
O responsável defende que a governação, tanto a nível local como nacional, deve assegurar a coexistência entre eventos e atividades económicas estruturantes, sem que uma inviabilize a outra.
No mesmo comunicado, a empresa aponta também responsabilidades à entidade organizadora, o Automóvel Clube de Portugal, defendendo uma abordagem mais integrada. “Tem de começar a ter uma visão mais abrangente e responsável no país. Não podemos viver todos em capelinhas”, sustenta Nuno M. Pinto.
A Unimadeiras alerta ainda que a interrupção prolongada dos trabalhos florestais pode fragilizar um sistema já sob pressão, numa altura em que a gestão ativa da floresta é considerada essencial para mitigar riscos, nomeadamente o de incêndios.
A decisão do município surge num momento em que o debate sobre o uso do território e a compatibilização entre grandes eventos e atividades económicas ganha renovada актуalidade, num país cada vez mais exposto a fenómenos climáticos extremos.
Sobre a Unimadeiras
A Unimadeiras é uma empresa dedicada à produção, comércio e exploração florestal, com mais de 50 anos de atividade. Envolve uma base de cerca de 700 acionistas e uma rede alargada de mais de 6.000 produtores florestais, assumindo uma posição de liderança no comércio por grosso de madeira em bruto e produtos derivados em Portugal.
A empresa participa ainda em processos de certificação florestal e presta serviços técnicos de apoio à gestão do território, contribuindo para a valorização da produção de pequenos e médios produtores. No conjunto das estruturas que representa, encontra-se associada a uma área florestal certificada superior a 96.000 hectares.
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