Um conjunto desconhecido de países liderados por França e Reino Unido quer manter o Estreito de Ormuz navegável
Líderes de países europeus reunidos em Paris anunciaram esta sexta-feira que estão a acelerar os planos para a criação de uma missão multinacional neutra e defensiva para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz – decisão que foi formalizada no mesmo dia em que o Irão decidiu que a via marítima vai ser totalmente reaberta ao tráfego comercial durante o restante do cessar-fogo entre Israel e o Líbano, que expirara a 22 de abril.
A reunião de Paris, liderada pelo presidente francês Emmanuel Macron e pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer, reuniu 49 países, na sua maioria por videoconferência – para além dos dois anfitriões estiveram em Paris apenas o chanceler alemão Friedrich Merz e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni – para discutir uma futura operação defensiva destinada a garantir a liberdade de navegação assim que as condições o permitirem. Ou, dito de outra forma, assim que a guerra acabar.
Os Estados Unidos não fizeram parte da iniciativa, que a França e o Reino Unido definiram como distinta dos beligerantes e separada da política de bloqueio de Washington ainda em vigor. Macron saudou tanto o cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos como a trégua entre Israel e o Líbano, afirmando que os últimos acontecimentos caminham “na direção certa”, citado pela agência Euronews. Mas insistiu que todas as partes devem agora garantir a reabertura total, imediata e incondicional do estreito.
Macron e os seus aliados neste projeto opõem-se a qualquer tentativa de transformar a passagem pelo Estreito de Ormuz num sistema de portagem ou com qualquer outro tipo de restrições, argumentando que a passagem não pode ser privatizada. O Irão pretende, com o sistema de portagens, financiar a destruição de que foi alvo por parte dos Estados Unidos e de Israel – mas, para isso, dizem os analistas, terá de exigir indemnizações a quem provocou essa destruição.
Do seu lado, Starmer adotou um tom semelhante, dizendo que o anúncio do Irão é bem-vindo, mas que “precisamos de garantir que seja uma proposta duradoura e viável”. E afirmou que os líderes reunidos em Paris concordaram em acelerar o planeamento militar para uma missão multinacional “assim que as condições permitirem”. Além disso, anunciou uma nova conferência militar em Londres na próxima semana, após mais de uma dúzia de países se oferecerem para contribuir com recursos.
A primeira-ministra italiana argumentou que a questão vai além da energia, afirmando que os fertilizantes também são cruciais para a segurança alimentar global. E afirmou que continua a ser vital para o Irão abandonar qualquer intenção de construir armas nucleares, deixando claro que a Itália está pronta para desempenhar o seu papel na futura operação – que deve concentrar-se no acompanhamento de navios comerciais, e na ajuda à desminagem das águas.
O chanceler alemão alertou para o risco de uma guerra global mais ampla e “multidimensional” caso a crise não seja contida. E indicou que a Alemanha poderia contribuir para um esforço futuro, inclusivamente através da remoção de minas. “Se possível, também gostaria de ver os Estados Unidos participarem; acreditamos que isso seria desejável”, afirmou, em contradição com a decisão dos dois autores do projeto.
O plano, chamado ‘Strait of Hormuz Maritime Freedom of Navigation Initiative’, tem a adesão de entre 40 e 50 países – mas, por qualquer razão (a segurança é invocada, mas percebe-se com dificuldade) não há uma lista oficial que permita perceber-se quais são. Os organizadores – que evidentemente excluíram os três países beligerantes – dizem apenas que são Estados oriundos de todos os continentes. Para além dos quatro Estados já referidos, Países Baixos, Bélgica e Dinamarca já mostraram publicamente interesse em participarem. Sabe-se também que a Ucrânia foi igualmente convidada e que o seu presidente, Volodymyr Zelensky, participou no encontro via telefone – daí se concluindo que é outro país a acrescentar à lista.
Share this content:



Publicar comentário