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Atividade da zona euro recua marcadamente em abril pressionada pela guerra no Médio Oriente

Atividade da zona euro recua marcadamente em abril pressionada pela guerra no Médio Oriente

A atividade na zona euro caiu de forma expressiva em abril e para níveis não vistos desde final de 2024, refletindo as tensões decorrentes da guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irão, isto de acordo com o índice de gestores de compras (PMI). A Alemanha destacou-se pela negativa, levando o choque mais considerável ao seu sector privado, e os serviços saíram mais afetados do que a indústria, estando em contração.
A leitura preliminar do PMI composto para a zona euro em abril, divulgada esta quinta-feira, aponta para uma queda assinalável de 50,7 pontos em março para 48,6, ou seja, uma inversão da tendência de crescimento da economia europeia. O sector terciário foi o que mais pesou nesta evolução, ao contrário da indústria, que até registou uma subida do subindicador.
Os serviços caíram de 50,2 pontos em março para 47,4 em abril, renovando mínimos de cinco anos à medida que o choque energético se fez sentir em pleno no bloco europeu. Pelo contrário, a indústria subiu de 51,6 pontos para 52,2, contrariando a expectativa do mercado de uma queda e chegando mesmo a novo máximo desde maio de 2022.
No detalhe, o sector secundário registou uma performance assinalável, com crescimento da produção, o ritmo de crescimento de novas encomendas mais elevado dos últimos quatro anos e um crescimento na procura externa pela primeira vez desde fevereiro de 2022. No entanto, parte desta performance deve-se a uma antecipação de encomendas, dada a precaução de alguns clientes da indústria, que procuram agora constituir stocks de reserva.
Chris Williamson, economista chefe da unidade de pesquisa sobre negócios da S&P Global, a responsável pelo inquérito, fala em “impactos negativos crescentes da guerra no Médio Oriente”, inclinando a atividade para a recessão ao mesmo tempo que regressam as pressões inflacionistas.
“Os custos dos inputs e preços de venda já subiram não só em resposta a custos energéticos mais altos, mas também refletindo uma inversão mais alargada dos preços das matérias-primas e um desequilíbrio entre a procura e uma oferta constrangida”, explicou, falando no “maior disparo nas pressões de custos que registamos desde 2000”.
Por país, a Alemanha destacou-se pela negativa, registando a primeira leitura abaixo de 50 pontos (e, portanto, em terreno de contração da atividade) desde maio do ano passado. o indicador composto alemão caiu de 51,9 em março para 48,3, pressionado sobretudo pelos serviços, que levaram o maior impacto da atual crise energética. Foi mesmo a leitura mais baixa do sector terciário germânico desde 2022, com 46,9 pontos.
França também registou a leitura mais baixa dos últimos 14 meses no indicador composto, com 47,6, mas já antes o PMI francês mostrava uma contração da atividade. Também aqui os serviços foram os mais afetados, caindo de forma marcada para 46,5 pontos.

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