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Mapfre alerta para o impacto duplo da Inteligência Artificial nos ambientes laborais

Mapfre alerta para o impacto duplo da Inteligência Artificial nos ambientes laborais

No Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, que se assinala amanhã, 28 de abril, a Mapfre alertou em comunicado para o impacto duplo da Inteligência Artificial (IA) nos ambientes laborais: um poderoso aliado na prevenção de riscos, mas também fonte de novos perigos quando mal implementada.
De acordo com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), a IA tem um potencial transformador na proteção dos trabalhadores. Sensores inteligentes conseguem detetar perigos em tempo real, robôs podem substituir humanos em tarefas de alto risco, modelos preditivos antecipam acidentes com base em dados históricos e a realidade virtual permite formar trabalhadores em procedimentos críticos sem qualquer exposição ao perigo.
No entanto, este potencial só se concretiza quando a tecnologia é adotada de forma responsável e centrada no ser humano.
A Mapfre identifica cinco grandes desafios que na sua opinião as empresas não podem ignorar. Máquinas autónomas e responsabilidade difusa: Quando um equipamento autónomo provoca um acidente, quem é responsável? O operador, o fabricante ou o programador? A opacidade dos sistemas de “caixa negra” torna as auditorias de segurança extremamente difíceis e a atribuição de responsabilidades praticamente impossível.
O segundo é a cibersegurança como risco físico. Um ciberataque a sistemas industriais conectados já não é apenas uma ameaça digital. Infraestruturas comprometidas podem fazer com que máquinas se comportem de forma imprevisível e perigosa, gerando acidentes com consequências físicas diretas para os trabalhadores.
Seguem-se os riscos psicossociais da gestão algorítmica. A monitorização constante de produtividade, a sobrecarga de informação em tempo real e a perda de autonomia perante decisões tomadas por algoritmos estão a alimentar novos problemas: tecnostress, fadiga cognitiva e burnout digital — doenças profissionais ainda subdiagnosticadas nos sistemas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).
A desigualdade digital e novos riscos ergonómicos. Trabalhadores com menor literacia tecnológica enfrentam maior ansiedade e risco de erro na transição digital. Paralelamente, o boom do teletrabalho criou milhões de postos de trabalho em casa sem qualquer avaliação ergonómica, o que tem provocado um aumento significativo de problemas músculo-esqueléticos.
A dependência tecnológica e vazio regulatório. Uma falha sistémica pode inutilizar simultaneamente vários mecanismos de proteção. A tecnologia avança muito mais rapidamente do que a regulação. Embora o EU AI Act (2024) e o Regulamento Europeu de Máquinas (2023/1230) representem avanços importantes, a sua implementação prática exige tempo e recursos que muitas organizações ainda não possuem.
“A Mapfre está consciente tanto das enormes vantagens como dos desafios que a IA representa para a gestão da Saúde e Segurança no Trabalho. Para nós, o sucesso desta tecnologia depende sempre das pessoas e deve servir, acima de tudo, para melhorar as suas condições e ambientes de trabalho”, afirma Luis Anula, CEO da Mapfre.
O CEO relembra “o compromisso da seguradora com uma Inteligência Artificial humanista, ética e responsável”, princípios que constam do Manifesto de Inteligência Artificial da empresa.
Os dados mais recentes reforçam a urgência da prevenção. Em 2023, Portugal registou 184.607 acidentes de trabalho, dos quais 136 foram mortais. A média de dias de trabalho perdidos por acidente subiu para 38,6 — o valor mais alto dos últimos três anos (GEP/Ministério do Trabalho, 2025), sublinha a seguradora.
“Na era da inteligência artificial, prevenir significa também identificar e mitigar os riscos que ainda não são visíveis”, defende a Mapfre.

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