A carregar agora

E se houver novo apagão (como há um ano)? Saiba como se preparar

E se houver novo apagão (como há um ano)? Saiba como se preparar

Há um ano, dia 28 de abril de 2025, um apagão energético deixou Portugal e Espanha às escuras durante horas, evidenciando a vulnerabilidade das infraestruturas e o impacto imediato que situações inesperadas podem ter na população.
Um ano depois, a DECO PROteste alerta os consumidores para a necessidade de adoção de comportamentos preventivos que permitam reduzir riscos e aumentar a segurança das famílias. Entre as principais recomendações, a criação de um kit de emergência com bens essenciais — como água, alimentos não perecíveis, medicamentos, lanternas, rádio a pilhas e carregadores — que permita garantir autonomia durante, pelo menos, três dias. Este kit deve ser adaptado à realidade de cada agregado familiar e revisto regularmente, assegurando que todos os produtos se encontram em condições adequadas de utilização.
FASE DE PREPARAÇÃO
Manutenção do Kit de Emergência
A revisão do kit deve ser feita de forma periódica, idealmente a cada seis meses, garantindo a sua eficácia em situações reais.
Em primeiro lugar, deve-se confirmar o estado das pilhas e baterias, assegurando que lanternas e rádios funcionam corretamente e que não existem sinais de desgaste ou fuga. As powerbanks também devem ser testadas, uma vez que podem perder capacidade ao longo do tempo. Da mesma forma, é importante verificar os cabos e carregadores, garantindo que continuam funcionais e compatíveis com os dispositivos atuais.
No que diz respeito à água e aos alimentos, para além da validade, é fundamental observar o estado das embalagens. Garrafas devem estar bem seladas e sem deformações, enquanto latas ou outros recipientes não devem apresentar sinais de ferrugem, inchaço ou danos que possam comprometer a segurança alimentar.
Os medicamentos e o kit de primeiros socorros devem ser revistos com atenção, não só quanto à validade, mas também às condições de armazenamento e à adequação às necessidades específicas da família. Produtos de higiene pessoal, como toalhitas ou desinfetantes, também devem ser verificados, já que podem secar ou perder eficácia.
Por fim, recomenda-se a atualização de documentos e contactos de emergência incluídos no kit, bem como a verificação de outros itens, como roupa ou mantas, assegurando que continuam adequados à estação do ano.
Para aqueles que ainda não construíram um Kit de Sobrevivência, a DECO PROteste ensina passo a passo a construir um Kit de Sobrevivência:
Recomendações
A mochila de emergência deve ficar guardada num local de fácil acesso, preferencialmente, perto da saída de casa e a sua localização deve ser do conhecimento de toda a família. A mochila deve ser atualizada com regularidade de modo a manter os alimentos e medicamentos dentro dos prazos de validade e conseguir fazer a substituição sempre que necessário. A substituição atempada dos itens permite que o kit permaneça funcional e preparado para qualquer eventualidade.
O que deve incluir um Kit de sobrevivência?
O primeiro passo é escolher uma mochila de um material resistente para guardar comida e bebidas para três dias, no mínimo. Deve optar-se, preferencialmente, por alimentos que não necessitem de confeção e evitar comida salgada, de forma a reduzir a necessidade de ingestão de água, que pode ser escassa perante determinadas adversidades.
A mochila deve estar equipada com:

Garrafas de água;
Géis energéticos (dos que usam em atividades desportivas), bolachas e chocolates;
Comida enlatada (atum, salsichas, leguminosas, papas de bebé para os mais novos, etc.) e comida para os animais de estimação;
Fogão a gás para campismo;
Apito, caso seja preciso sinalizar o local onde está;
Manta de aquecimento;
Canivete multifunções e isqueiro;
Alguns metros de corda (dê preferência ao material paracord, que é leve, resistente e ajuda a imobilizar fraturas ou prender objetos);
Rádio a pilhas. Em caso de emergência, as autoridades comunicam com as populações através deste meio;
Powerbank com carregamento de dispositivos eletrónicos;
Pequena lanterna a pilhas;
Pilhas de substituição;
Relógio que não precise de ser carregado na corrente. O mais provável é não haver eletricidade em caso de catástrofe natural;
Comprimidos de purificação de água, à venda em lojas de desporto outdoor ou online;
Algum dinheiro, em notas e moedas;
Cópia do cartão de cidadão de toda a família;

O segundo passo é incluir na mochila um estojo de primeiros socorros e alguns objetos de segurança.
O Kit de primeiros socorros deve incluir:

Compressas, ligaduras, luvas descartáveis, pensos, adesivos, tesoura, pinça, agulhas e alfinete-de-dama; estes objetos ajudam a fazer curativos;
Um antisético (como iodopovidona, presente no Betadine), para desinfetar as feridas, e soro fisiológico para os olhos;
Anti-inflamatórios, como ibuprofeno, e paracetamol;
Antidiarreico;
Termómetro e lenços de papel;
Embalagem extra dos medicamentos de toma regular (por exemplo, para a hipertensão, diabetes, etc.);
Máscaras cirúrgicas (três ou quatro unidades por membro da família).

Não podem ser esquecidos os animais de companhia, que também necessitam de um Kit de emergência com:

Ração e água para alguns dias. A ração deve ser armazenada em embalagens herméticas ou à prova de água;
Coleira com identificação (nome do animal, contacto do tutor e chip eletrónico registado);
Trela ou peitoral;
A caixa transportadora (adequada ou tamanho do animal) e a caixa de areia dos gatos também devem permanecer num local acessível da casa, para que pegue nelas rapidamente;
Cópia dos documentos do animal (boletim de vacinas, número do microchip e registo no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC), e contactos de emergência (por exemplo, do veterinário);
Medicamentos que o animal tome;
Manta ou objeto familiar, para ajudar a reduzir o stresse;
Sacos higiénicos, um resguardo ou papel de jornal e toalhitas húmidas.

Para além do kit, é importante definir um plano de emergência familiar que permita garantir uma resposta coordenada em caso de separação dos membros da família. Este plano deve incluir a definição de um ponto de encontro fora de casa, a existência de um contacto de emergência comum, como um familiar fora da área de residência, e a garantia de que todos os elementos da família sabem onde se encontra o kit de emergência e como o utilizar.
FASE DE EXECUÇÃO
Um apagão ou outra situação de catástrofe pode gerar incerteza e alguma desorganização no imediato, mas agir de forma informada e estratégica faz toda a diferença para garantir segurança e minimizar impactos.
O que fazer durante um apagão?
A primeira coisa a fazer é manter-se informado através de fontes fiáveis. Sempre que possível, utilize um rádio a pilhas para acompanhar as comunicações oficiais, uma vez que as redes sociais ou aplicações de mensagens podem disseminar informação incompleta ou incorreta. Ter acesso a informação validada permite tomar decisões mais seguras ao longo de toda a situação.
Em casa, é importante reduzir o risco de danos quando a energia for restabelecida. Para isso, devem ser desligados da tomada os aparelhos não essenciais, evitando sobrecargas elétricas quando a eletricidade regressar. Em relação ao frigorífico e o congelador devem manter-se fechados, abrindo-os apenas quando estritamente necessário, de forma a conservar a temperatura no interior e preservar os alimentos durante o máximo de tempo possível.
A segurança alimentar deve também ser uma prioridade, para tal, a DECO PROteste recomenda prudência no consumo de alimentos, sobretudo quando existam dúvidas sobre o tempo sem refrigeração ou alterações de cheiro, cor ou textura. Após 12 horas sem energia deve privilegiar o consumo de alimentos não perecíveis, como conservas, evitando assim comprometer a conservação dos produtos refrigerados até que a energia seja reposta.
A gestão da bateria do telemóvel deve ser feita com cautela. Reduzir ao mínimo a sua utilização e ligar os dados móveis apenas quando necessário, garantindo assim que pelo menos um canal de comunicação disponível. Em relação ao uso de powerbanks também deve ser gerido como recurso para manter os dispositivos operacionais.
Em relação às deslocações, a DECO PROteste aconselha a limitar as viagens apenas ao essencial. Caso utilize um veículo elétrico, pode ser mais prudente deixá-lo parado e optar por alternativas, se necessário. Na estrada, deve redobrar os cuidados, já que sistemas como semáforos podem estar inoperacionais.
Situações como apagões ou catástrofes naturais podem ocorrer de forma inesperada, mas a preparação prévia permite reduzir os seus impactos. Ter um kit de emergência funcional, atualizado e adaptado à realidade de cada família é um passo essencial para garantir segurança, autonomia e tranquilidade em momentos de crise.
Ainda assim, tão importante como a preparação é a forma como se atua no momento. Durante um apagão, é fundamental manter a calma, procurar informação através de fontes oficiais, gerir os recursos disponíveis, como bateria e alimentos, de forma consciente e adotar comportamentos seguros dentro e fora de casa.

Share this content:

Publicar comentário