Drone português salva vidas nos EUA e enfrenta Rússia e Irão
É uma cena retirada de um filme de ficção científica. Um tiroteio ocorre no centro da cidade. Um drone entra em operação para fazer uma primeira avaliação do sucedido, identificando o número de vítimas e se o evento ainda decorre. São então acionados os meios operacionais mais adequados. Não é o futuro distante, vai mesmo começar a acontecer no final deste ano em várias cidades dos EUA. E os drones usados são ‘made in Portugal’.
“Quando há uma situação de emergência ou há um tiroteio e a polícia tem que intervir, os drones saem autonomamente como primeira unidade de resposta”, explica ao JE Dário Pedro presidente da Beyond Vision.
O contrato inicial com a Paladin vale 15 milhões de euros para fornecer 300 drones em três anos. Mas há mais para vir. O contrato pode vir a ser alargado até atingir um total de sete mil drones.
Nesse cenário, a companhia admite mesmo vir a construir uma fábrica no país para dar resposta. “Vamos fazer um investimento significativo para montar um pequeno espaço de suporte e de desenvolvimento de negócio que muito provavelmente vai evoluir para ter assemblagem e produção. Caso o processo se mantenha, e se conseguirmos mais contratos, vamos evoluir para quase uma réplica do que temos em Portugal”, segundo o gestor sem adiantar valores de investimento.
A companhia prevê continuar a crescer nos próximos anos, esperando que a faturação atinja os 100 milhões de euros até ao final da década, face aos 15 milhões de 2025. “Estamos a trabalhar muito ativamente para fazer esse crescimento.”
Os drones da companhia são todos produzidos em Portugal, na fábrica de Alverca. A companhia está agora a desenvolver um sistema que vai permitir aos seus drones neutralizar drones Shahed, produzidos no Irão, mas usados também pelos russos.
Já tinha registado várias vendas no Médio Oriente, no setor civil, mas o foco agora é “no setor da defesa, muito pelo que se está a passar com o Irão”.
“Os países do Médio Oriente não estavam programados para a necessidade de terem armamento ou proteção para os níveis de que realmente necessitavam. Este evento fo um abre-olhos. Estavam muito focados no turismo e outras áreas. Claramente mudaram o foco para a defesa. Os drones, pela exposição que estão a ter na Ucrânia, são um dos equipamentos mais procurados. Temos tido vários pedidos dos diferentes países do Médio Oriente”, revela Dário Pedro ao JE.
A Europa é o “principal mercado” da companhia, que já tem o Brasil debaixo de olho. “Já temos um pequeno escritório em Garulhos [São Paulo]. É um mercado que faz sentido explorarmos pela proximidade de língua, embora seja complexo pelo historial de empresas portuguesas”.
O mercado da defesa pesa cada vez mais nas contas da empresa, devido ao investimento que está a ser feito na Europa, EUA e Canadá, mas o gestor pede menos burocracia para os drones operarem. “Se olharmos para a China, existem dezenas de aplicações que hoje em dia já são triviais. Em Portugal, missões autónomas de drones para fazerem inspeções em cidades, são quase tabu. Percebo que a segurança seja um ponto crítico, mas tem que se permitir às empresas operar no setor civil se queremos que a economia acelere. A tecnologia dos drones evolui a um ritmo muito elevado”.
Outro exemplo de uso que dá a nível civil, é o uso para entregas em zonas rurais. “Fizemos um projeto piloto em zonas rurais na Alemanha. Tentámos replicá-lo em Portugal, mas o projeto acabou por ser abandonado porque houve muitas complicações a nível regulamentar, mas existe imenso potencial, como na instalação de nova rede elétrica, além da inspeção de linhas para prevenir incêndios, percebendo quais as áreas mais propícias a incêndios.”
Outros usos importantes, são as patrulhas de áreas marítimas. “Existem dezenas de coisas hoje em dia onde não existe regulamentação. Há um potencial enorme, não só para nós, mas para um ecossistema de empresas envolvidas na nossa cadeia de abastecimento, com isto a acelerar a economia.”
A empresa começou por produzir software em 2018, mas passou a fabricar drones para uso civil perante a falta de resposta do mercado. A partir de 2022, apostou na defesa devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.
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