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BPI com lucros de 133 milhões no primeiro trimestre a caírem 2%

BPI com lucros de 133 milhões no primeiro trimestre a caírem 2%

O Banco BPI registou um resultado líquido de 133 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, representando uma diminuição de 2% face ao mesmo período do ano anterior. A atividade em Portugal contribuiu com 90 milhões de euros para este resultado, menos 8% em termos homólogos, refletindo sobretudo a redução dos proveitos com juros, influenciada pelo repricing do crédito num contexto de indexantes mais baixos.
Ainda assim, o banco manteve níveis de rentabilidade robustos, com a rentabilidade dos capitais próprios tangíveis recorrentes (ROTE) em Portugal a atingir 15,3% nos últimos 12 meses. As participações internacionais, no Banco de Fomento Angola (BFA) e no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), contribuíram com um total de 43 milhões de euros.
O produto bancário ascendeu a 283 milhões no primeiro trimestre de 2026, o que corresponde a uma redução de 3% (em termos homólogos). A margem financeira diminuiu também 3% para 216 milhões, um resultado explicado pelo repricing do crédito com indexantes inferiores aos do período homólogo, que foi apenas parcialmente compensado pelo efeito volume positivo do crescimento do negócio.
Na variação trimestral, a margem financeira evidencia uma estabilização nos últimos trimestres e ainda não reflete o repricing decorrente da recente subida das taxas de juro do mercado. As comissões subiram 5% para 79 milhões de euros.
Os custos de estrutura recorrentes mantêm-se controlados, com um crescimento de 4%. O número de colaboradores do BPI aumentou para 4.544, representando um acréscimo de 269 profissionais face ao período homólogo.
O rácio de eficiência (cost-to-income) situou-se em 42% no acumulado dos últimos 12 meses.
O presidente executivo do banco, João Pedro Oliveira e Costa, destacou a resiliência da instituição num contexto internacional mais exigente, sublinhando “o crescimento consistente do volume de negócios e a evolução positiva da atividade comercial”. Entre os principais indicadores, salientou-se o aumento de 11% no crédito à habitação, 13% no financiamento às PME e 18% nos fundos de investimento e seguros de capitalização.
A carteira de crédito total cresceu 8% em termos homólogos, equivalente a mais 2,4 mil milhões de euros, enquanto os recursos totais de clientes aumentaram 6%, ou 2,5 mil milhões de euros, com os depósitos a subirem 2% num ano para 32,2 mil milhões (caíram 1% face ao fim de dezembro). No segmento da habitação jovem, foram celebrados 6,6 mil contratos no valor de 1,3 mil milhões de euros com garantia pública, tendo o BPI reforçado a sua garantia em 250 milhões de euros. O crédito à habitação subiu 11% num ano e 2% este ano, fixando-se em 17,5 mil milhões de euros.
Apesar do crescimento expressivo no volume de crédito, o rácio de Non-performing exposures (NPE) fixa-se em 1,3%, apresentando uma cobertura por imparidades e colaterais de 136%. No que diz respeito ao rácio de Non-performing loans (NPL), este situa-se nos 1,6%, com uma cobertura de 143%. O BPI reportou um valor de imóveis obtidos por recuperação de créditos de 600 mil euros no trimestre (valor balanço líquido).
No primeiro trimestre de 2026, as imparidades de crédito líquidas de recuperações totalizaram 23 milhões de euros, o que representa uma descida de 4% face ao período homólogo, mantendo o custo do risco de crédito em níveis baixos, nos 0,07% da carteira de crédito nos últimos 12 meses.
O CEO do BPI destacou o saldo de imparidades não alocadas de 70 milhões de euros, que permite usar caso seja preciso no futuro, “pelos tempos que vêm pela frente”.
Em termos de solvabilidade, o banco detém uma folga de capital confortável face aos requisitos mínimos exigidos pelo Banco Central Europeu. No final de março de 2026, o BPI reportou um rácio CET1 de 13,8%, um Tier 1 de 15,1% e um rácio de capital total de 17,1%, enquanto o rácio de alavancagem (leverage) se fixou em 7,2%. O Buffer MDA, que representa a folga de capital sem limitações à distribuição de resultados, ascende a 2,6 pontos percentuais. Adicionalmente, a instituição cumpre os rácios de MREL, com 28,3% em percentagem dos ativos ponderados pelo risco (RWA) — superando o requisito de 26,65% — e 13,6% em percentagem da exposição total (LRE), face ao requisito exigido de 5,91%.
No plano interno, o banco aposta na qualificação dos seus recursos humanos, com o lançamento do programa “AI Dive”, que prevê formação em Inteligência Artificial para os cerca de 4.500 colaboradores. O número total de trabalhadores subiu para 4.544, mais 269 face ao ano anterior, sendo também notório o aumento do peso de jovens no quadro, de 6% em 2021 para 16% em 2026.
O banco destacou ainda o seu papel no apoio às populações afetadas por fenómenos climáticos adversos, tendo disponibilizado mais de 300 milhões de euros para famílias, empresas e comunidades impactadas por tempestades recentes. “O BPI apoiou com mais de 300 milhões as famílias, empresas e comunidade afetadas pela tempestades”.
Paralelamente, promoveu ações de solidariedade, incluindo o contacto com 1.500 instituições sociais no âmbito da sua Iniciativa Social Descentralizada, financiada pela Fundação la Caixa.
Para 2026, a Fundação “la Caixa” prevê reforçar o investimento em Portugal para 56 milhões de euros, consolidando o seu papel no apoio a projetos sociais no país.

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