Indústria farmacêutica nacional investe 116 milhões de euros em I&D
O mercado dos medicamentos é muito valioso. “A nível global, o mercado farmacêutico atinge cerca de 2,3 mil milhões de dólares, registando um crescimento anual na ordem dos 7%”, afirma Hermano Rodrigues na conferência “Economia na Saúde: Sustentabilidade e Inovação”, promovida pelo Jornal Económico em Lisboa.
“Este é sustentado por uma forte dinâmica de inovação, com destaque para áreas como a oncologia, imunologia, diabetes e outras doenças crónicas associadas ao envelhecimento”, explica. Só para ter uma ideia, nos últimos cinco anos foram lançadas 394 novas substâncias ativas.
E no caso de Portugal?
Em Portugal, o setor apresenta sinais de evolução, com cerca de 608 ensaios clínicos em curso, refletindo um ecossistema em crescimento, ainda que com margem de desenvolvimento. O investimento em investigação e desenvolvimento na indústria farmacêutica nacional ronda os 116 milhões de euros, enquanto o valor dos medicamentos inovadores em vida ronda os 5 e os 7 mil milhões de euros anuais, acima da despesa total de Portugal que se situa nos 3,8 milhões de euros. Além disso, Hermano Rodrigues diz que reduzem 560 milhões de euros em hospitalizações e custos diretos em saúde.
Mas Portugal perdeu 33% dos genéricos essenciais na última década relativamente a 30% na União Europeia.
Entre as diferentes classes terapêuticas, os antidiabéticos destacam-se como os medicamentos com maior crescimento, acompanhando tendências internacionais relacionadas com o aumento da prevalência de doenças metabólicas.
“A análise da despesa deve, no entanto, ser contextualizada, uma vez que os novos medicamentos contribuem para ganhos significativos em qualidade de vida e produtividade, reduzindo custos indiretos associados à incapacidade”, explica.
O acordo estabelecido entre o Governo e a indústria farmacêutica, nomeadamente com a APIFARMA prevê mecanismos de incentivo ao investimento, incluindo a possibilidade de compensação de despesas relacionadas com investimento em I&D, ensaios clínicos e instalação de capacidade produtiva. Neste contexto, o desafio para Portugal passa por reforçar a sua competitividade, aumentar a atração de investimento e consolidar o seu posicionamento na cadeia de valor global do setor farmacêutico.
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