Saúde: especialistas defendem investimento e aposta na prevenção para evitar sobrecarga nos hospitais
Portugal tem uma população cada vez mais envelhecida, que por um lado vive mais, mas por outro também o faz com mais doenças. Perante este cenário os especialistas defendem que é necessário investir mais na medicina através da inovação e com uma aposta na prevenção de terapias como as vacinas, que podem evitar a sobrecarga nos hospitais. Esta foi uma das principais mensagens transmitidas pelo painel ‘Tendências e oportunidades’ inserido na conferência ‘Economia na Saúde’, organizada pelo Jornal Económico e que decorre na sede da Morais & Leitão esta terça-feira.
“A saúde é o maior ativo que temos na nossa vida, mas que tratamos como um problema. A saúde não é um problema e temos de olhar para ela como aquilo que representa e vale”, afirmou Helena Freitas, Country Lead da Sanofi Portugal, salientando que a saúde faz parte do principal investimento de um Governo. “Acho que os governos têm dificuldade em olhar para os resultados e olham sempre primeiro para a despesa”, realçou.
Por sua vez, Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) recordou que no ano passado foram investidos 312 milhões de euros em hospitais, sendo que o défice do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi de 1,3 mil milhões depois de ter recebido mais de dois mil milhões de euros de investimento. Contudo, o grande problema para o presidente da AHPH está na capacidade de atrair as novas gerações para a medicina.
“Não há nenhuma reunião em que participe em que esta não seja a questão a resolver. No centro da Europa já é muito claro que há uma menor atração de jovens. Os jovens já não querem ir para medicina. É uma profissão exigente, onde se trabalha mais de 24 horas, com um esforço psicológico forte, onde em alguns casos se lida com a morte”, referiu.
Perante este cenário destacou que Portugal anda “distraído” com uma suposta guerra entre público e privado. “Nunca o SNS teve tantos médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos”, disse.
Sobre o que pode ser feito para evitar as doenças, a Helena Freitas sublinhou que como cidadãos, sociedade e governo a solução passa por trabalhar na prevenção. “O nosso grande investimento e oportunidade para ajudar a saúde em Portugal a ser melhor é com literacia”, referiu, dando como exemplo a doença cardiovascular que pode ser prevenida de diferentes formas.
“Há estudos que demonstram que uma simples vacina contra a gripe traz uma proteção cardiovascular que até agora não tinha sido estudada. Se investirmos na medicina que permite evitar este tipo de doenças graves que levam a internamentos hospitalares estamos a retirar o doente do sistema, esse é o grande objetivo da inovação”, disse Helena Freitas.
Presente no painel esteve Carlos Ribeiro, Diretor-geral da Takeda Portugal, que foi questionado sobre a forma como as cadeias de abastecimento tiveram de repensar os seus sistemas nos últimos anos.
“Desde a pandemia fomos observando alguns momentos que geraram tensão de abastecimento. Primeiro a própria pandemia, depois as guerras e as tarifas. Tudo isto pode gerar instabilidade numa área altamente regulada como é a da saúde. Estamos numa área onde não podemos fazer ajustes de preços com base na inflação, temos acordos firmados”, sublinhou.
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