“A Delta não vai ser comprada, vai comprar fora de Portugal”
Rui Miguel Nabeiro aprendeu com o avô, de quem herdou o nome e a capacidade de liderança, que só se levanta um pé quando o outro já está bem assente no chão. Dá-se o caso. Enquanto inaugura o maior investimento de sempre na fábrica de CampoMaior, anuncia nova meta: atingir o top 10 em 15 anos. O Grupo Nabeiro-Delta Cafés é hoje 20º no mundo, há dois anos era 22.º.
“Temos de crescer cinco vezes mais a nossa dimensão, o que significa ter uma faturação acima dos três mil milhões de euros”, revela Rui Miguel Nabeiro, CEOdo grupo, ao Jornal Económico (JE). Em 2025, a faturação foi de 650 milhões de euros e para este ano são esperados 700 milhões.
Não estará o pé a ser levantado demais? Não. “Não, é uma ambição desmedida”, responde, justificando: “É uma ambição bastante calculada da nossa parte e que irá acontecer, não só porque a Delta vai continuar a crescer organicamente, mas porque vai fazer aquisições (…) Os portugueses podem estar felizes. A Delta não vai ser comprada. A Delta vai comprar fora de Portugal”.
Nos tempos mais recentes, o grupo comprou duas empresas. Um distribuidor Delta no principado de Andorra e outro, AMD, na Suíça.
A Europa é de facto o foco da estratégia. É aqui, no velho continente que estão os países que melhor e mais consomem café no mundo. Maior torrefação de café e maior operador da Península Ibérica, o Grupo Nabeiro-Delta Cafés tem os olhos postos na vizinhança, que é, além do mais, um grande mercado.
“Estamos a olhar para aquisições em Espanha. Esse é o mercado principal, que nós queremos consolidar”, diz Rui Miguel Nabeiro ao JE, esclarecendo que, neste momento, não há nada de palpável que possa ser anunciado em termos de negócio.
Com o gestor, continuamos a percorrer o mapa. A França é o terceiro mercado da empresa e no Luxemburgo, embora seja um pequeno país, lidera. E no caso da Suíça? “Já faturamos 30 milhões de euros e adquirimos recentemente um distribuidor. É um país muito importante para nós, com um negócio rentável.”
Rui Miguel Nabeiro sintetiza numa frase a estratégia que o grupo terá de percorrer para atingir o top 10 mundial: “Continuarmos esta expansão geográfica calculada, bem pensada, adquirir empresas com as quais nos identifiquemos, que estrategicamente tenham algumas semelhanças connosco para conseguirmos fazer uma boa adaptação cultural e uma boa integração dentro do nosso grupo.”
As exportações representam cerca de 35% dos 650 milhões de euros faturados no ano passado. Este prato da balança tenderá a subir à medida que o grupo crescer. “Haverá uma inversão grande e importante, que significará menos dependência do mercado português com uma consolidação também”, avança.
O caminho tem vindo a ser preparado. Em 2019, o Grupo Nabeiro-Delta Cafés iniciou um investimento de 20 milhões de euros, o maior de sempre realizado no complexo fabril de Campo Maior e que acrescentou à infraestrutura um armazém, silos de armazenamento de café verde, um torrador de grande capacidade, moinhos industriais e linhas de embalamento e de produção de cápsulas e um parque fotovoltaico.
A inauguração deste investimento é a circunstância desta nossa conversa. Horas antes, Rui Miguel Nabeiro revelou à vasta plêiade de convidados, entre os quais o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, que a capacidade da fábrica duplica de 100 toneladas por dia para 200 toneladas.
Ainda assim, será preciso mais capacidade, mais adiante, para atingir a meta, como explica ao JE: “A modernização não pode parar. Temos de continuar a modernizar e a dotar a fábrica, passo a passo, daquilo que forem as nossas necessidades. O que foi feito aqui foi um movimento de preparação (…) Dotámos esta fábrica de uma capacidade completamente diferente, sobretudo demos-lhe mais flexibilidade para novos produtos.”
O “passo a passo” é outra medida da estratégia que Rui Miguel Nabeiro aprendeu com o avô.
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