Donos da Brisa, Igneo, Manila Water e Acea disputam Indaqua
As propostas não vinculativas para a compra da Indaqua foram entregues no passado dia 21 de abril e, segundo apurou o Jornal Económico, há entre sete e oito candidatos na corrida.
Até ao momento, foi possível apurar que o APG (Algemene Pensioen Groep) — líder do consórcio internacional que adquiriu 81,1% da Brisa – Autoestradas de Portugal em 2020 — está na corrida, sendo sua uma das propostas não vinculativas entregues para a compra da Indaqua, segundo fontes conhecedoras do processo.
Entre as propostas entregues aos assessores financeiros mandatados pelo fundo francês Antin Infrastructure Partners está ainda uma da Igneo Infrastructure Partners, acionista maioritária da Finerge, com 75%, e que comprou, em Portugal, também a Autoestradas do Douro Litoral (AEDL), em 2024.
A Igneo Infrastructure Partners é a unidade de investimento autónoma do grupo First Sentier Investors Group, que investe em empresas de infraestruturas.
Outro candidato, segundo apurou o Jornal Económico junto de fonte conhecedora do processo, é a Manila Water Company, uma empresa privada filipina concessionária de serviços públicos, que até ao momento não tem investimentos em Portugal.
A italiana Acea SpA — um dos principais grupos multiutilities italianos, com sede em Roma e especializado na gestão da água, distribuição de eletricidade, produção de energia e serviços ambientais — terá também entregue uma proposta não vinculativa para a compra da Indaqua.
Mas não foi possível confirmar se a espanhola Aqualia, vocacionada para a gestão do ciclo integral da água e que inicialmente estudou a empresa, avançou efetivamente com uma proposta. Também não há informação de que a KKR e a Brookfield, que estudaram a Indaqua, tenham entregue propostas non-biding.
Há mais candidatos na corrida, mas cujos nomes não foi possível identificar.
O processo de venda segue os seus trâmites até à fase das propostas vinculativas, o que, por regra, acontece depois de uma seleção dos candidatos que passam à fase seguinte.
Tal como avançou o Jornal Económico em primeira mão, a empresa liderada por Pedro Perdigão está a ser avaliada, neste negócio, em cerca de mil milhões de euros em termos de Enterprise Value (ou seja, incluindo dívida).
O fundo francês Antin Infrastructure Partners colocou a Indaqua à venda no início de 2026, depois de, no final de 2025, ter contratado a Société Générale e o Citi como assessores financeiros para receberem as propostas de compra.
A Antin Infrastructure Partners é uma empresa francesa de gestão de fundos de private equity focada em investimentos em infraestruturas. Controla a Indaqua desde 2020, quando adquiriu a empresa à Bridgepoint (que anteriormente a tinha comprado aos israelitas da Miya/Arison Group).
Esta é mais uma tentativa de venda da Indaqua e ocorre dois anos após a tentativa de 2023, que não chegou a bom porto. Na altura, o fundo britânico Equitix, especializado no setor das infraestruturas, esteve em negociações exclusivas para adquirir a Indaqua à Antin por cerca de 800 milhões de euros.
No entanto, a operação falhou após o Equitix não ter conseguido angariar o capital necessário para atingir o montante pedido pelo vendedor. O negócio de 2023 incluía também a Plainwater, empresa que opera no setor do abastecimento e tratamento de águas residuais, detida pela Indaqua.
A empresa liderada por Pedro Perdigão concluiu, em fevereiro de 2025, a aquisição da espanhola Hidrogestión à Cobra IS, uma subsidiária do grupo Vinci — um negócio que ocorreu apenas dois anos após a sua primeira entrada no mercado espanhol de abastecimento de água, com a compra da Fusosa.
Em setembro de 2025, a Indaqua assegurou um financiamento de 358 milhões de euros junto da Schroders Capital e do Santander, destinado a reforçar a sua estrutura de capital e a apoiar o crescimento futuro.
Já em janeiro de 2026, a empresa liderada por Pedro Perdigão reforçou o seu portefólio internacional ao assinar dois contratos de gestão em Angola, avaliados em 10 milhões de euros.
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