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Economia europeia ainda não reflete impacto da guerra no Médio Oriente, segundo o BCE

Economia europeia ainda não reflete impacto da guerra no Médio Oriente, segundo o BCE

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, alertou hoje que, ao contrário da inflação, a economia europeia ainda não reflete o impacto da guerra no Irão nem o bloqueio do estreito de Ormuz.
Durante a participação num fórum jornal do elEconomista, o vice-presidente do BCE, explicou que se verificou uma queda “muito acentuada” da confiança do consumidor na Europa e do índice PMI dos serviços em março e abril, indicadores da deterioração que a economia poderá sofrer, mas que ainda não se reflete.
O aumento dos preços da energia levou a uma queda da atividade e a um aumento da inflação, mas a intensidade do impacto na economia dependerá da duração do conflito e do bloqueio do estreito, explicou Luis de Guindos.
De qualquer forma, o vice-presidente do BCE descartou a possibilidade de se chegar a falar de estagflação na Europa, por muito que a economia se deteriore ou a inflação aumente.
“Não seria assim tão dramático, a estagflação é um período mais prolongado”, salientou.
O BCE atualizará em junho as previsões económicas e, embora os mercados estejam a descontar um nível de incerteza “extremamente importante”, o responsável do banco central pediu para se aguardar a evolução da situação nos próximos dias e assinalou que, por enquanto, a curva de futuros do petróleo prevê que o barril volte a situar-se nos 70 dólares.
Numa das suas últimas intervenções públicas antes do fim do mandato no BCE, Luis de Guindos destacou também o comportamento “muito positivo” dos mercados, tanto de ações como de obrigações, e do crédito, pois, apesar das condições de financiamento terem-se tornado mais restritivas, não se verifica qualquer situação de tensão de liquidez.
Contudo, o BCE continua a considerar um risco para a região o défice orçamental de alguns países, a margem reduzida dos governos para aumentar, por exemplo, a despesa com a defesa, e insistiu que a política orçamental está nas mãos dos governos.
Perante esta situação de margem orçamental reduzida, só é possível aumentar a despesa com a defesa se se aumentarem os impostos ou com a emissão de dívida, pelo que criticou que estejam a ser postas em prática medidas de apoio para fazer face ao impacto da guerra no Irão, caso estas não sejam temporárias ou não se centrem naqueles que delas necessitam.
O ex-ministro da Economia recordou também que o consumo das famílias “não está a impulsionar a economia” e que as taxas de poupança continuam acima dos níveis pré-pandemia.
“Os consumidores podem estar a antecipar aumentos de impostos ou cortes no Estado-providência”, considerou.
Luis de Guindos refletiu ainda sobre a fragmentação do mundo nos últimos anos e lamentou que, se a Europa continuar com abordagens nacionais, será difícil avançar.

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