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EDP apanhada na guerra entre a Califórnia e Trump

EDP apanhada na guerra entre a Califórnia e Trump

A EDP foi apanhada no meio da guerra entre o estado da Califórnia e Donald Trump. No fundo, esta é uma batalha entre duas visões sobre o futuro da América. A Califórnia seria a quarta maior economia mundial, se fosse um país. O ‘estado dourado’ acredita num futuro movido a energia verde, liderado pelo governador democrata Gavin Newsom, um dos principais críticos de Trump, apontado como candidato à presidência em 2028. Já o presidente dos EUA aposta tudo na continuação da energia fóssil e a sua ofensiva contra a energia eólica continua imparável, tendo já qualificado os aerogeradores como “feios” ou “monstros”.
A investigação foi lançada esta semana pela Comissão de Energia da Califórnia (CEC), uma agência estatal, sobre o acordo firmado entre o Governo dos EUA e o consórcio que determinou o fim do projeto eólico offshore (marítimo) Golden State Wind, com 2 gigawatts de potência na costa central da Califórnia. Este projeto era detido pelo consórcio da Ocean Winds (EDPR + Engie) com a britânica Reventus Power e o Canada Pension Plan Investment Board (CPP Investments).
“O Governo Trump está a gastar de forma irresponsável milhares de milhões de dólares dos contribuintes em acordos de bastidores que provocam um recuo na inovação”, disse David Hochschild, presidente da CEC. “Os californianos merecem respostas imediatas sobre a natureza deste pagamento. O dinheiro dos contribuintes deve ser utilizado para construir um futuro energético sustentável, e não para pagar para fazer desaparecer projetos”.
A agência estatal abriu assim uma investigação para apurar se houve “potenciais violações da lei” com o acordo do Governo Trump.
Contactada pelo JE, a EDP não fez comentários.
O acordo prevê a devolução de 120 milhões de dólares ao consórcio, mas este valor terá de ser reinvestido em projetos de energia fóssil na Costa do Golfo do México, no sul do país, com a EDP a garantir que não vai participar nestas iniciativas, ficando a cargo de parceiros.
A companhia garante que os EUA vão continuar a ser um dos seus mercados de eleição, mas agora com o foco na energia solar e baterias.
Donald Trump tem estado numa fúria de cancelamentos de projetos eólicos desde que regressou à Casa Branca. No final de 2025, o Governo federal anunciou a suspensão de todas as licenças para os grandes projetos eólicos offshore em construção, citando riscos para a segurança nacional, mas não os detalhando.
Para evitar litígios com as companhias na justiça, optou por uma nova estratégia. Propõe-lhes transformar o valor das licenças em cheque para investir em projetos de energia fóssil. O primeiro acordo do género foi assinado em março com os franceses da Total Energies, que vão investir 860 milhões de euros numa fábrica de gás líquido no Texas.
Além do projeto na Califórnia, outro consórcio onde a EDPR está inserida também chegou a acordo para cancelar o projeto Bluepoint Wind, na costa leste do país, com um dos parceiros a ir investir mais de 700 milhões num projeto de gás no Texas. A Casa Branca qualificou os projetos como “caros, pouco fiáveis e intermitentes.” Dos três projetos eólicos offshore nos EUA, a EDP conta agora apenas com um: o SouthCoast Wind ao largo do Massachussets que encontra-se atualmente suspenso.

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