A carregar agora

“É preciso ter metas ambiciosas e os mecanismos certos para acelerar a realidade do biometano”, dizem especialistas

“É preciso ter metas ambiciosas e os mecanismos certos para acelerar a realidade do biometano”, dizem especialistas

Na urgência para descarbonizar a indústria nacional e europeia, o biometano ganhou relevância na indústria energética. Este foi a ideia-chave do painel “Alternativa do Biometano”, na conferência sobre a Transição Energética, organizada pelo Jornal Económico e que decorreu hoje no auditório da Pérez-Llorca, em Lisboa. O painel contou com a presença de António Farracho, CEO da Prado Energia; Ana Cristina Carrola, administradora da APA; Nuno Vieira, representante da AIVE – Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem e Joana Appleton, Head of Investor Relations, Risk, ESG, Stakeholders & European Affairs da Floene. A moderação ficou a cargo de Débora Melo Fernandes, sócia de Direito Público e Regulatório da Pérez-Llorca.
“Estamos a evitar um conjunto de toneladas de CO2 que iriam ser libertadas para a atmosfera e isso pode ser monetizado. Ao dia de hoje, em alguns casos, podemos estar a evitar até uma tonelada de CO2 por cada megawatt produzido”, diz António Farracho, CEO da Prado Energia. O gestor sublinha ainda que a Prado Energia está totalmente comprometida em contribuir para o desenvolvimento do setor em Portugal e na Europa, através de projetos concretos, ambição industrial e colaboração com os diferentes agentes do ecossistema. O setor precisa de mais ambição política? “Em termos de ambição como promotores estamos satisfeitos, é continuar este trabalho de implementação”, acrescenta.
No mesmo sentido, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) encara o biometano com “bastante otimismo” e está disponível para criar as melhores condições para que este mercado possa evoluir. “A Produção de biometano traz sinergias. Há a possibilidade de fazer a valorização de resíduos, como o uso dos bioresíduos”, explica Ana Cristina Carrola, administradora da APA. A responsável alerta ainda para os “desafios no cumprimento das metas” e “dados que indicam alguma incapacidade de execução no setor”. “Ao nível de procedimentos temos realizado um trabalho de apoio muito direto. Da nossa parte, em termos de licenciamento, reforçámos as equipas e estamos disponíveis para acompanhar o mais possível. Estamos abertos a fazer todas as melhorias”, reforça Ana Cristina Carrola.
Indústria e literacia energética
Nuno Vieira, representante da AIVE – Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem, explica que o setor, com 15 fornos, exporta grande parte da produção e que o biometano é uma “solução viável” e que não obriga a “uma transformação tecnológica dos fornos”. “É uma solução interessante se houver biometano disponível a um preço acessível. Ainda há questões de regulação que precisamos de resolver, mas seguramente iremos usá-lo para o nosso consumo”, afirma Nuno Vieira. O responsável explica ainda que estamos “num mercado muito competitivo” dentro e fora da Europa. “Temos de entregar valor aos acionistas das nossas empresas e a descarbonização vai trazer custos. Não os podemos entregar aos nossos clientes. O que queremos ver é os melhores preços para adquirir o biometano”, acrescenta. E o que pedia aos decisores? “Simplificação e integração de biometano com garantias de origem e provas de sustentabilidade. Estamos interessados em descarbonizar e esse plano inclui o biometano”.
Já Joana Appleton, Head of Investor Relations, Risk, ESG, Stakeholders & European Affairs da Floene, diz que o “biometano é uma solução virtuosa”. “Na França, na Dinamarca e em Itália, o biometano é uma realidade há muitos anos e podemos aprender muito com isso”, explica. A responsável acrescenta ainda que o setor é complexo e envolve muitos players. “Há um misto de necessidade em ter metas ambiciosas e os mecanismos certos para acelerar a realidade do biometano”, afirma. Joana Appleton reforça que é necessário aproveitar o conhecimento do que já foi feito na Europa e trazer esse conhecimento para Portugal. “Há muito para fazer, mas é preciso simplificar e formar os técnicos que avaliam estes projetos para passarmos da teoria à prática. “São precisos múltiplos mecanismos de apoio para o desenvolvimento do biometano. E há mais necessidade de haver maior literacia energética”, conclui.

Share this content:

Publicar comentário