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Hospital CUF Tejo realiza primeiro transplante de córnea artificial em privado em Portugal

Hospital CUF Tejo realiza primeiro transplante de córnea artificial em privado em Portugal

O Hospital CUF Tejo realizou, pela primeira vez numa unidade privada em Portugal, um transplante de córnea artificial EndoArt, marcando um avanço relevante na oftalmologia nacional e abrindo novas possibilidades terapêuticas para doentes com patologias corneanas complexas.
A intervenção foi conduzida por uma equipa da Unidade de Córnea e Transplantação, liderada pelos oftalmologistas Vítor Maduro, Nuno Campos, Tomás Loureiro e Inês Machado Soares. O procedimento introduz no país uma tecnologia inovadora destinada sobretudo a casos de edema crónico da córnea associado a disfunção endotelial — uma condição que compromete a transparência da córnea e pode levar à perda progressiva de visão.
O implante EndoArt atua ao nível do endotélio, a camada mais interna da córnea responsável por manter o seu equilíbrio hídrico. Quando esta função falha, a acumulação de líquido torna a córnea opaca. Ao contrário dos transplantes tradicionais, esta solução artificial não depende de tecido humano, estando disponível de forma imediata e eliminando o risco de rejeição imunológica típico dos enxertos biológicos.
A nova técnica não substitui os métodos convencionais, mas surge como alternativa em situações específicas, nomeadamente quando a queratoplastia endotelial falha ou apresenta elevado risco de insucesso.
“Este procedimento representa mais um passo na diferenciação da transplantação corneana em Portugal. O EndoArt não substitui as técnicas convencionais, mas acrescenta uma opção altamente especializada para alguns doentes, aos quais as alternativas tradicionais podem não oferecer a melhor resposta. O mais importante é podermos escolher, em cada caso, a técnica mais adequada ao doente”, afirma o oftalmologista do Hospital CUF Tejo, Vítor Maduro.
As doenças do endotélio da córnea, como a distrofia endotelial de Fuchs, estão entre as principais causas de perda de transparência corneana. Embora faltem dados epidemiológicos consolidados em Portugal, estudos internacionais indicam que esta patologia é uma das mais comuns neste domínio, sobretudo em populações envelhecidas, sendo uma das principais indicações para transplante.
A nível global, a transplantação de córnea enfrenta um problema estrutural: a escassez de tecido de dador. Estima-se que existam cerca de 12,7 milhões de pessoas à espera de um transplante, com apenas uma em cada 70 necessidades a ser satisfeita. Em Portugal, têm sido feitos esforços para mitigar esta limitação, incluindo a criação do Banco de Córneas de Cultura, em 2023, que reforçou a capacidade de colheita e conservação.
Neste contexto, soluções artificiais como o EndoArt ganham relevância, sobretudo em cenários clínicos mais exigentes. Com esta intervenção, o Hospital CUF Tejo reforça a sua posição como centro de referência na área, concentrando num único espaço as principais técnicas de transplantação corneana utilizadas a nível internacional — das mais convencionais às mais inovadoras.

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