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Proposta para reanimar reforma laboral já chegou ao Parlamento

Proposta para reanimar reforma laboral já chegou ao Parlamento

Depois de uma maratona falhada com os parceiros sociais, que durou nove meses, o Governo tenta acelerar uma nova tentativa para fazer aprovar a reforma à Lei do Trabalho. Na semana passada, aprovou o documento no Conselho de Ministros e, esta terça-feira, 19 de maio, enviou-o para o Parlamento.
PSD e CDS deverão depender do Chega para não verem o mesmo desfecho da Concertação Social, embora o primeiro-ministro já tenha referido que também quer negociar com o Partido Socialista.
O partido de André Ventura, que em abril tinha imposto várias condições para aprovar a legislação, foi acrescentando exigências: primeiro a descida da idade da reforma – que esteve na origem das concessões da CIP à UGT – e depois, na passada quarta-feira, a atribuição de mais férias aos trabalhadores.
Embora o Chega defenda que “a reforma é má e não deve ser aprovada”, Ventura não descarta dar luz verde à proposta de lei: “Se me perguntar se isto está completamente acabado, diria que não. Se estivesse, não haveria conversações entre os líderes”, afirmou na sexta-feira.
Se o documento governamental for aprovado na generalidade com o apoio do Chega, o PS admite levar à discussão na especialidade as propostas da UGT.
Projeto de lei incorpora propostas da UGT
O documento, que tem cerca de 80 páginas, inclui “mais de 50 alterações” ao anteprojeto inicial, das quais 12 provenientes da UGT, disse a ministra do Trabalho no Conselho de Ministros de 14 de maio. A central sindical, no entanto, considera que esta versão está “mais próxima do anteprojeto” apresentado aos parceiros sociais em julho.
Rosário Palma Ramalho explicou então que o diploma reintroduz o banco de horas individual, mas vai ao encontro da reivindicação da UGT de remunerar as horas extra: se ao fim de seis meses houver saldo a favor do trabalhador, as horas adicionais serão pagas com um acréscimo de 25%.
Prevê ainda a jornada contínua por acordo, dando a governante conta da “instituição de uma nova medida que decorre da reflexão do próprio Governo” que é a da “jornada contínua para pais e avós com crianças a cargo menores de 12 anos” que “podem, diminuindo a sua pausa para almoço, sair mais cedo do trabalho”. E volta à versão de julho nos contratos a prazo e do ‘outsourcing’.
Além de criar novas fundamentações nos contratos a prazo, incluindo para os jovens, volta a elevar a duração de dois para três anos nos contratos a termo certo e de quatro para cinco anos a termo incerto. E cai a proibição de outsourcing após despedimentos.
Já a reintegração dos trabalhadores após despedimentos ilícitos é estendida a todas as empresas e funções e não apenas para PME, como previsto na última versão negociada com a UGT. Hoje só se aplica a microempresas, para cargos de direção ou administração. Reforça-se ainda a indemnização mínima a pagar ao trabalhador visado (passando de 30 para 45 dias), diz a ministra.
Licenças parentais e luto gestacional
Entre as medidas aprovadas está ainda o reforço das licenças parentais, que passam a ser pagas a 100% nos primeiros seis meses. O tempo de licença do pai é aumentado para o dobro e este passa a beneficiar de três dias de falta justificada por luto gestacional. Ao contrário do que previa o documento apresentado à UGT, prevê agora também a possibilidade de duas faltas justificadas se se juntarem às férias. Ou seja, passa a ser possível “comprar” dois dias extraordinários de descanso, sem exigir o aval da entidade empregadora.
Há ainda evoluções na licença por interrupção de gravidez. Em julho, o Governo propôs revogar a falta por luto gestacional e acrescentar à referida licença que ao “acompanhante da trabalhadora” fosse aplicável o regime de faltas por assistência a membro do agregado familiar, o que colocava em risco o rendimento do pai. Nesta nova proposta, a solução adotada é diferente: garante-se que o pai tem direito a faltar ao trabalho até três dias, após a interrupção da gravidez, refletindo a negociação com a UGT.
Quanto à licença por interrupção de gravidez, no anteprojeto inicial, o Governo propôs revogar a falta por luto gestacional, propondo que ao “acompanhante da trabalhadora” fosse aplicável o regime de faltas por assistência a membro do agregado familiar, o que diminuiria o rendimento do pai. Na proposta que vai seguir para o Parlamento, garante-se agora que o pai tem direito a faltar ao trabalho até três dias, após a interrupção da gravidez, indo ao encontro da negociação com a UGT.
No alargamento dos serviços mínimos em caso de greve, as alterações são também diferentes face à proposta de julho. Propõe-se agora a extensão aos serviços de cuidado a pessoas especialmente vulneráveis (doentes, crianças institucionalizadas, pessoas com deficiência e séniores), ficando de fora as escolas e o abastecimento alimentar.
A hora da negociação política
Apesar da oposição dos sindicatos, o Executivo avança agora com a discussão da nova lei laboral no plano político, com o primeiro-ministro a dar o tiro de partida ao reunir-se com André Ventura na véspera do Conselho de Ministros e com José Luís Carneiro no dia em que foi aprovada a proposta que segue para o Parlamento para “confirmar” a disponibilidade dos socialistas para negociar. O objetivo é encontrar pontos de entendimento para que a reforma laboral que vai ser entregue no parlamento possa receber a aprovação do Chega ou do PS.
O líder do Chega já manifestou disponibilidade para negociar, mas coloca duas exigências para aprovar a reforma laboral: descer a idade da reforma e mais férias para os trabalhadores. Após o encontro em São Bento, Ventura disse ter insistido na descida da idade da reforma e na reposição dos 3 dias de férias como condições para aprovar a reforma da lei laboral que, tal como está, diz, “é má para o país, é má para os trabalhadores”.
Já José Luís Carneiro mantém as críticas à revisão da lei laboral pretendida pelo Executivo e já deixou claro que sentar-se à mesa com Luís Montenegro não significa estar disponível para negociar e aprovar uma reforma que para os socialistas devia ser abandonada. O líder do PS diz que só pode negociar depois de conhecer a proposta, chamando as alterações pretendidas pelo Executivo de contra-reforma. Lembra aqui a agenda do trabalho digno construída pelo governo socialista que, diz, ser uma verdadeira reforma que não pretende trair.
Já Montenegro deixou esta semana um aviso: “estamos preparados para os impactos e tensões e para levar o nosso esforço por diante”, deixando a garantia de que o Governo não desiste.
Os “três eixos estratégicos” da reforma laboral
Segundo a ministra do Trabalho, a reforma, que será enviada ao Parlamento, assenta em “três eixos estratégicos”: nomeadamente “flexibilizar para aumentar a competitividade, a produtividade e os salários”; “reforçar direitos e garantias dos trabalhadores”; e “dinamizar a contratação coletiva, mas também conciliar o direito à greve com outros direitos fundamentais”.
Palma Ramalho rejeitou que a reforma laboral seja “um fracasso”, por não ter tido entendimento dos parceiros sociais, e considera que o Governo está só “a meio caminho”. “Ainda só fizemos a parte da Concertação Social”, disse.

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