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CEO reafirma que BPF quer mobilizar mais de 30 mil milhões em financiamento ao longo do triénio no AECM Lisbon 2026

CEO reafirma que BPF quer mobilizar mais de 30 mil milhões em financiamento ao longo do triénio no AECM Lisbon 2026

Lisboa acolhe a partir desta quinta-feira o AECM Lisbon 2026, o principal congresso europeu dedicado às garantias, reunindo líderes institucionais e financeiros de 33 países e reforçando o papel de Portugal no financiamento à economia.
Organizado pelo Banco Português de Fomento (BPF) e pela Sociedade de Garantia Mútua (SGM), o encontro decorre hoje amanhã e junta 51 membros da Associação Europeia de Instituições de Garantia Mútua (AECM), representando um total de 173 instituições. A iniciativa posiciona a capital portuguesa como centro europeu do debate sobre instrumentos de garantia, acesso ao financiamento e competitividade empresarial.
O congresso arrancou com intervenções de Gonçalo Regalado, CEO do Banco de Fomento, e do presidente da AECM, Guy Selbherr, que fez uma introdução baseada nas oportunidades que surgem das crises. Isto num mundo que se está a tornar multipolar, com a China a emergir como a nova potência global, superando os Estados Unidos em indústria, produção de eletricidade, construção de navios e especificamente militares, na produção de drones, em painéis solares, em produção de baterias e em produção de carros elétricos.
O Banco de Fomento tem como metas globais para 2026 ampliar o impacto no PIB e isso voltou a ser reafirmado por Gonçalo Regalado.
O plano para 2026 eleva a fasquia da relevância económica do banco promocional. O grande objetivo delineado aponta para que o impacto gerado pelas soluções do grupo atinja os 3% do PIB nacional. Para transformar este propósito em realidade, o BPF estruturou a sua atuação anual em quatro pilares fundamentais de financiamento: Garantias para PME, onde o banco tem uma meta de originação superior a 6 mil milhões de euros para expandir o crédito acessível, impulsionar o investimento e acelerar o crescimento das pequenas e médias empresas.
O segundo pilar são os “Subsídios (Grants)”. A previsão é de canalizar mais de 1,2 mil milhões de euros em fundos públicos perdidos para acelerar investimentos em áreas consideradas estratégicas.
O terceiro pilar é a função de Banco de Investimento que consiste no apoio superior a 1,2 mil milhões de euros direcionado a projetos estruturais de âmbito nacional em que se verifiquem falhas de mercado.
Por fim o pilar do “Capital” que consiste na mobilização e coinvestimento de mais de 500 milhões de euros em capital e quase-capital para facilitar o acesso de empresas a fundos próprios.
Com estas frentes ativas, estima-se que o número de empresas apoiadas ascenda às 20 mil, consolidando a capilaridade e robustez do tecido empresarial português.
O Plano Estratégico 2026–2028 do Banco Português de Fomento materializa uma ambição a médio prazo “assente numa visão holística estruturada em seis eixos que respondem diretamente às transições globais e aos desafios geopolíticos e macroeconómicos”, disse Gonçalo Regalado.
No eixo do Banco das Empresas, o objetivo passa por mobilizar mais de 30 mil milhões de euros em financiamento ao longo do triénio, complementado pela injeção direta de mais de 2,5 mil milhões de euros em capital nas empresas e pela concessão de 1,5 mil milhões de euros em subsídios, com enfoque na inovação e na competitividade.
Já no Banco das Exportações, a meta é ultrapassar os 3 mil milhões de euros em operações apoiadas, apostando na comercialização de novas garantias de seguro de crédito à exportação e em linhas de financiamento direto, com vista à mitigação de riscos e ao reforço da presença internacional das empresas portuguesas.
No domínio do Banco da Resiliência, o plano responde aos impactos de choques externos e eventos climáticos — como as recentes tempestades que geraram perdas equivalentes a 2% do PIB — com a previsão de mais de 3,25 mil milhões de euros para linhas de apoio e reconstrução. Acresce a execução de mais de 2,2 mil milhões de euros em fundos do PRR e a emissão superior a 3,6 mil milhões de euros em dívida sob o modelo de co-lending, destinada a viabilizar megaprojetos nacionais. No eixo do Banco da Inclusão, o foco incide na coesão social e territorial, com mais de 4 mil milhões de euros destinados ao financiamento da habitação, incluindo garantias públicas para reabilitação e construção de habitação social e a custos controlados, bem como linhas de crédito setoriais superiores a 1 milhão de euros para modernização de áreas como a agricultura e a eficiência energética.
O Banco da Inovação aposta em instrumentos financeiros disruptivos e em parcerias internacionais de relevo, como os 7 mil milhões de euros mobilizados através do fundo FEI-MSC Portugal, em colaboração com o Fundo Europeu de Investimento, com o objetivo de posicionar Portugal como líder em garantias do Banco Europeu de Investimento nas áreas da inovação, sustentabilidade e competitividade. Este eixo inclui ainda o lançamento de novas linhas de garantias de curto prazo e a criação de um “Fundo de Fundos” para dinamizar a captação de capital privado. Por sua vez, o Banco da Revolução Digital procura liderar a transição tecnológica, destacando-se a viabilização de mais de 4 mil milhões de euros para a criação de uma AI Gigafactory em Portugal e a meta interna de alcançar 70% de clientes digitais, suportada por plataformas de interoperabilidade com os serviços do Estado, como o Fomento Now e o Fomento Next.
A nível internacional, o Banco Português de Fomento tem vindo a expandir a sua presença através de memorandos de entendimento e parcerias estratégicas de investimento, procurando posicionar o país para captar uma parcela dos cerca de 70 mil milhões de euros em oportunidades identificadas para a próxima década. Estas oportunidades concentram-se em setores estratégicos, nomeadamente transportes e infraestruturas, com cerca de 40 mil milhões de euros associados a projetos como o novo aeroporto de Lisboa, a rede de alta velocidade ferroviária e a nova travessia do Tejo; portos e logística, com cerca de 8 mil milhões de euros, incluindo a expansão de Sines e Leixões e a descarbonização portuária; habitação e desenvolvimento urbano, com cerca de 12 mil milhões de euros ligados ao programa “Construir Portugal”; e telecomunicações e economia digital, com cerca de 9 mil milhões de euros, destacando-se o Start Campus Data Center em Sines.
Guiado pelo lema “Think Bigger, Do Better”, o Banco Português de Fomento diz que se posiciona para o período pós-2026 com uma cultura corporativa reforçada, processos mais ágeis e uma ambição renovada, assumindo-se como um catalisador central do desenvolvimento económico nacional, ao cruzar rigor financeiro com inovação digital e impacto social, e contribuindo para um país mais competitivo, sustentável, resiliente e atrativo à escala global.
Após um ano de 2025 marcado por conquistas — com um impacto de 2,2% no PIB nacional, mais de 16 mil empresas apoiadas e a ascensão ao 5.º lugar no ranking europeu da European Association of Long-Term Investors (ELTI) — o foco da instituição está firmemente direcionado para o futuro. A estratégia delineada para o horizonte de 2026 a 2028 e as metas ambiciosas para o ano em curso revelam o BPF não apenas como um agente de resposta imediata, mas como o arquiteto de uma transformação estrutural de longo prazo na economia portuguesa, segundo o seu presidente.
A realização do congresso em Lisboa é vista como um sinal de reconhecimento do crescente peso de Portugal no ecossistema europeu de garantias e da relevância dos instrumentos financeiros públicos num contexto de transição económica e pressão competitiva.
“Receber em Portugal o principal encontro europeu dedicado às garantias traduz a confiança dos nossos parceiros e o reconhecimento do papel que o Grupo Banco Português de Fomento tem vindo a assumir no ecossistema financeiro europeu”, afirmou Gonçalo Regalado, CEO do BPF. O responsável sublinhou ainda que o evento constitui uma oportunidade para aprofundar o debate sobre o futuro do financiamento à economia e reforçar a cooperação entre instituições europeias.
O congresso inclui vários painéis e sessões de keynote com representantes institucionais europeus, centrados no futuro das garantias e no papel dos instrumentos públicos no financiamento da economia europeia.
Acordos com Croácia e Grécia
Um dos principais momentos do encontro será a assinatura de dois novos Memorandos de Entendimento entre o BPF e o HBOR (banco promocional e agência de crédito à exportação da Croácia) e o Hellenic Development Bank (HDB), da Grécia.
Segundo Luís Guimarães, Chief Commercial Officer do BPF, os acordos visam “aprofundar mecanismos de financiamento, coinvestimento e apoio à internacionalização das empresas”, contribuindo para uma economia europeia “mais competitiva, resiliente e sustentável”.
Do lado croata, o presidente do HBOR, Hrvoje Čuvalo, destacou que a parceria permitirá reforçar a cooperação institucional e criar mecanismos mais robustos de apoio às empresas e à inovação, além de estreitar as relações económicas entre Croácia e Portugal.
Já o HDB sublinhou que a cooperação com o BPF pretende acelerar investimentos com impacto, promover a inovação e contribuir para um modelo de crescimento mais sustentável e inclusivo, numa altura de crescente complexidade económica.
 

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