NATO faz nova exigência de financiamento, desta vez para apoio a Kiev
Depois de Donald Trump exigir que os Estados-membros da NATO gastem 5% do PIB de cada país em defesa e segurança, desta vez é a aliança, pela voz do seu secretário-geral, Mark Rutte, que faz mais uma exigência financeira: cada aliado deve canalizar 0,25% do PIB para ajudar a Ucrânia. A conta já vai, por isso, em 5,25% do PIB, numa altura em que a Ucrânia se assume como um dos principais países produtores e exportadores de armamento – nomeadamente no que tem a ver com os drones, a nova alma ‘de luxo’ das guerras modernas.
Mark Rutte disse esta quinta-feira, num encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO na Suécia, que muitos Estados-membros não estão a apoiar a Ucrânia com dinheiro suficiente, defendendo um debate sobre os níveis mínimos de apoio por cada país. “O apoio não está distribuído de forma equitativa dentro da NATO”, afirmou, citado pela Lusa, numa conferência de imprensa ao lado do primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, antes do início da reunião.
Segundo referiu, o apoio “está concentrado num pequeno número de países, incluindo a Suécia, que está realmente a empenhar-se ao máximo no seu apoio à Ucrânia, bem como países como o Canadá, a Alemanha, os Países Baixos, a Dinamarca e a Noruega”. No entanto, alertou, “há muitos que não estão a investir o suficiente para apoiar a Ucrânia”. E antes que o tema vá a debate, Mark Rutte marcou a agenda: os aliados devem canalizar 0,25% do seu PIB para ajudar Kiev.
Esta proposta, que vai atingir de forma severa os orçamentos de cada país numa altura em que a inflação promovida pela crise petrolífera volta a tolher a capacidade de crescimento da Europa (e do resto do mundo), enfrenta forte oposição por parte de alguns dos principais Estados-membros. “Como esta proposta não obterá apoio unânime, não será adotada”, reconheceu Rutte, sublinhando que, no entanto, dará início a um debate entre os aliados.
“Se todos afirmarmos que a Ucrânia deve garantir que se mantém na luta com a maior força possível e que continua essa luta até que a paz seja alcançada, então, claro, todos devemos contribuir de igual forma, e este debate está agora, pelo menos, muito presente dentro da NATO, o que é muito positivo”, argumentou. O que Rutte não disse foi que os Estados Unidos – membro e líder da aliança – se tem demarcado deste apoio: para 2026, o país orçamentou 400 milhões de dólares em assistência militar à Ucrânia. Esta verba faz parte da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA), sancionada pela administração de Donald Trump, que estipulou um teto de 800 milhões de dólares distribuídos por dois anos (400 milhões para 2026 e outros 400 milhões para 2027). Ora, os 400 milhões representam cerca de 0,0012% do PIB dos Estados Unidos previsto para 2026.
Os países nórdicos e bálticos, como os Países Baixos e a Polónia, destinam uma fatia do seu PIB muito maior para ajuda militar a Kiev do que muitos outros aliados, segundo dados do Instituto de Kiel para a Economia Mundial.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO estão reunidos entre até sexta-feira em Helsingborg – bem em frente da cidade dinamarquesa de Helsingor, cenário que Shakespeare escolheu para centrar a peça ‘Hamlet’. ‘Ser ou não ser’ apoiante da Ucrânia, eis a questão que Rutte quer ver debatida. O encontro serve para preparar a próxima cimeira da aliança, que terá lugar em julho, na Turquia.
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