IA e agentificação traz escala e aumento da produtividade
No painel “Qual o contributo da tecnologia? Dados, IA, personalização” participaram André Piolty Esteves, Insurance Principal Director da NTT DATA Portugal; Ana Pina, Diretora de Digital Health na Future Healthcare Future Healthcare Group e Ricardo Ponce, Portugal Country Lead Outsystems e foi discutido o papel da Inteligência Artificial (IA) e da agentificação na atividade das seguradoras.
A tecnologia revoluciona os seguros, promovendo interações personalizadas, relações mais fortes e novas oportunidades de receita. Mas a grande revolução é a produtividade e a escala global que permite às empresas, de seguros e não só.
As funções vão mudar muito drasticamente, defendeu Ricardo Ponce que lembrou que a agentificação permite que o upload de documentos do setor segurador ocorra ao mesmo tempo que a interpretação, o que nos transporta para uma escala de eficiência sem precedentes.
Ricardo Ponce considera que há três áreas fundamentais. A primeira é o tratamento de dados. O tratamento de documentação e a sua interpretação já é automático. Depois o facto de os processos de decisão poderem ser automáticos com ou sem o Human-in-the-Loop [a IA analisa dados e filtra informações complexas, enquanto a decisão final permanece humana]. “Decidir se devo ou não pagar um sinistro e se é ou não fraude, é algo que as máquinas com este modelos de agentificação já o conseguem fazer”, lembrou.
Por último a personalização, a interpretação do contato individual, “as máquinas já o conseguem fazer com muita assertividade”, disse Ricardo Ponce, que aponta como o grande desafio que existe nas organizações o de conseguirem escalar estas vantagens para a dimensão empresarial. Mas “há riscos que têm de ser controlados nesse processo, como riscos de reputação, riscos de operação, riscos financeiros”, disse.
No entanto “as organizações vão ter ganhos de escala gigantes”, disse o Country Lead da Outsystems em Portugal que citou como exemplo a telemedicina. Citou mesmo o caso de um médico que hoje consegue dar consultas médicas para mais de 86 países, “as pessoas vêm à consulta cá e depois regressam aos seus países, e continuam a fazer consultas com o mesmo médico”.
A escalada da produtividade vê-se por exemplo ainda no call center, que perante uma catástrofe como a Kristin, com a AgenticAI conseguiu-se acompanhar o ritmo de aumento das chamadas através desses agentes da IA, sem necessidade de aumentar os recursos, explicou.
Tudo isto para concluir que “hoje já não há razão para uma organização em Portugal não pensar à escala global”.
“Uma seguradora já não precisa de abrir um escritório em Madrid para vender em Espanha”, disse Ricardo Ponce que citou o caso da Revolut e Spotify que usaram a tecnologia para escalar.
“Temos muitas empresas tecnológicas nacionais, se nos dinamizarmos todos para que a tecnologia nos dê este ganho de escala, conseguimos triunfar. Somos um país com bom tempo, pacífico, e com boa formação, mas tem de haver este mindset que aproveita a IA para escalar em termos globais e é este momento. Eu não acredito que haja muitos mais. A escala e o aumento da produtividade que os agentes e a IA podem dar às organizações é único na história da tecnologia. Mas se não formos os primeiros a adoptar de uma forma inteligente, outros vão fazer por nós. Depois não vale a pena estar a pedir subsídios, porque, como se costuma dizer ‘já fomos’”, referiu Ricardo Ponce.
A transformação digital e a integração da Inteligência Artificial (IA) estão a provocar uma reestruturação profunda no setor segurador e na saúde. Num painel dedicado ao impacto da tecnologia nestas indústrias, especialistas debateram a urgência de modernizar sistemas antigos, a gestão e segurança de dados, e a necessidade de colocar o foco na criação de valor e na personalização do serviço ao cliente, em vez de focar as ferramentas digitais apenas na redução de custos.
Foi defendido, nomeadamente por Ricardo Ponce, que a IA e a agentificação “vem dar um salto qualitativo enorme à produtividade das empresas de seguros”.
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