SIBS prepara Multibanco nas juntas de freguesia em zonas remotas
Chamam-lhe “multibanco social”, mas, na prática, é uma solução para responder ao problema de a rede Multibanco continuar a deixar de fora parte do território nacional.
O Banco de Portugal está a preparar um projeto-piloto do “multibanco social”, que deverá envolver 20 freguesias, ainda este ano, revelou uma fonte ao Jornal Económico. A sugestão, sabe o Jornal Económico, partiu da SIBS, que está a trabalhar no projeto há bastante tempo.
O Jornal Económico sabe ainda que a solução passa por instalar ATM nas juntas de freguesia que não dispõem de multibancos.
A SIBS está a trabalhar com o Banco de Portugal, que tem a lista das freguesias, e com a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), segundo fonte conhecedora do processo.
Segundo as mesmas fontes, o projeto da SIBS conta também com o respaldo do Ministério da Economia e da Coesão Territorial.
A proprietária da rede Multibanco está assim a trabalhar numa solução para responder à falta de acesso a serviços bancários em várias zonas do país.
Quatro em cada dez freguesias do país não têm qualquer caixa multibanco, segundo dados públicos. Isto apesar de, segundo as nossas fontes, a cobertura de ATM em Portugal comparar favoravelmente com a média europeia, de acordo com os dados de um estudo que será revelado em breve.
Portugal está mesmo entre os países europeus com melhor rede de ATM. Ainda assim, é reconhecido que há zonas mais remotas onde existe falta de acesso a numerário.
Em dezembro, a ANAFRE mostrou preocupação com o assunto ao Conta Lá, referindo que esta “é uma situação que não pode continuar em pleno século XXI”.
Recorde-se que o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, revelou, em março, que está em contacto com outros bancos centrais para encontrar uma resposta para a falta de máquinas multibanco em zonas rurais periféricas. Numa entrevista à TSF, o governador afirmou que estão “a estudar algumas soluções”, que podem passar por trabalhar com as juntas de freguesia para garantir que o numerário existe em todo o território.
Estão, no entanto, em aberto outras possibilidades, disse, “nomeadamente utilizar o ‘cash-in-shop’ (dinheiro na loja)”. No fundo, trata-se de utilizar o terminal de pagamento automático (TPA) das lojas para que os consumidores possam levantar dinheiro diretamente da caixa do estabelecimento comercial, explicou na altura o governador.
Nessa entrevista, Álvaro Santos Pereira afirmou que “acima de tudo, o que queremos é que as pessoas tenham escolha. Se as pessoas quiserem ter acesso ao numerário, devem ter essa possibilidade. Se as pessoas preferirem pagar com os seus telemóveis ou com os seus cartões, também devem ter essa opção. Gostamos de concorrência, gostamos que as pessoas possam decidir por elas próprias o que é que querem fazer”.
No entanto, acrescentou, “o Banco de Portugal não quer deixar ninguém para trás e não vamos deixar ninguém para trás. Portanto, se houver um problema grave nessa área, iremos atuar diretamente”, argumentou o governador à TSF.
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