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Estreito de Ormuz espalha a confusão em torno do acordo de paz Irão-EUA

Estreito de Ormuz espalha a confusão em torno do acordo de paz Irão-EUA

Entre notícias segundo as quais o Estreito de Ormuz está prestes a abrir à navegação porque o presidente Donald Trump conseguiu convencer disso o regime iraniano e informações que indicam que Teerão não abrirá o estreito até serem abertas negociações formais – até notícias de que a sua abertura só se dará 30 dias depois do início dessas negociações, prazo que para algumas fontes é de 60 dias, quase tudo já foi dito sobre o assunto. Com o brent a fechar o dia abaixo dos 100 dólares por barril, o mundo parece ter interiorizado a perceção segundo a qual o Estreito de Ormuz será reaberto à navegação – logo se verá quando. Não parece muito, mas é o suficiente para manter o preço de referência abaixo da fasquia dos 100 dólares.
De concreto, o presidente dos Estados Unidos disse que “o acordo com o Irão ou terá um grande e significativo, ou não haverá acordo”, enquanto um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão disse que “um consenso foi alcançado sobre muitos dos tópicos discutidos, mas ninguém pode afirmar que a assinatura de um acordo está iminente”. Parece, por outro lado, ganhar força – e isso é que verdadeiramente sustenta as esperanças do mercado – a ideia de que o pior de todos os cenários (o reinício dos ataques norte-americanos e israelitas ao Irão) não será para repetir. Entre outras razões porque Trump terá concluído que os Estados Unidos não ganharam nada com o conflito (o regime terá inclusivamente saído reforçado) e que a proximidade das eleições intercalares (em relação às quais as sondagens antecipam maus resultados para os republicanos) aconselha a alguma serenidade na política externa.
 
O regresso de Abraão
Entretanto, segundo a imprensa norte-americana, Donald Trump terá insistido com a Arábia Saudita, Qatar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia para que aderissem aos Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel. Ficou sem se perceber se o regresso dos acordos criados por Trump no final do seu primeiro mandato (e que o seu sucesso, Joe Biden, não tentou desmotivar) são ‘moeda de troca’ para Israel. Mas, segundo alguns analistas, isso é o mais provável: seria forma de o governo de Benjamin Netanyahu, sitiado pelos extremistas, ser chamado a concordar com a paz no Irão e um incentivo adicional para que o exército israelita pare de bombardear o Líbano.
Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão – o Kosovo também quis entrar no grupo, mas Washington não quis saber – assinaram os acordos e, a partir daí, as relações com Israel melhoraram, principalmente em relação aos Emirados. A sua assinatura foi largamente contestada pelas forças políticas que controlam Gaza e a Cisjordânia – mas o facto de a Arábia Saudita se ter mantido de fora foi sempre observado como um falhanço da diplomacia de Trump. O regresso dos acordos pode bem agradar a alguns nórdicos, o que será bom para o presidente dos Estados Unidos se eles por acaso pertencerem ao Comité Norueguês do Nobel.
 
Qatar recebe governador do Banco Central do Irão
Por outro lado, e segundo as mesmas fontes, o principal negociador do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, estiveram em Doha para conversar com o primeiro-ministro do Qatar, o xeique Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, sobre o possível acordo com os Estados Unidos. Sendo uma região sunita, o certo é que o Qatar mostrou sempre bem menos animosidade com o xiismo persa que, por exemplo, os sauditas. O facto de o Irão se ter disposto a este encontro revela que o país continua a ter pontos de contacto no Golfo Pérsico.
A imprensa iraniana adianta por seu lado que a comitiva também contava com o governador do Banco Central iraniano, Abdolnaser Hemmati. A sua presença é considerada muito significativa, uma vez que é ali que estão congelados 12 mil milhões de dólares em ativos. A sua libertação é, para algumas fontes, uma condição prévia para a assinatura do acordo com os EUA.
De forma geral, as principais condições do Irão para o fim do conflito incluem o levantamento das sanções, a liberação de ativos congelados, a indemnização pelos danos causados ​​pela guerra, o reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz, o fim dos ataques israelitas ao Líbano e o levantamento do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos.

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