Ferrari desvaloriza 6% depois de apresentar primeiro modelo 100% elétrico
A Ferrari está a desvalorizar esta terça-feira 6% depois de ter apresentado, na segunda-feira, o Luce, o seu primeiro modelo 100% elétrico, com um preço de partida de 550 mil euros. O analista da XTB, Henrique Tomé, diz que este novo modelo “reforça o posicionamento” da marca no segmento de ultra-luxo mas alerta que existem riscos entre os quais as tarifas norte-americanas e o desinvestimento de outras marcas nos elétricos.
“O impacto do Luce nas contas da empresa vai muito além do preço de tabela. Um veículo elétrico a este nível de preço reforça o posicionamento da marca no segmento de ultra-luxo, o que tende a elevar o valor percepcionado de toda a gama, incluindo os modelos de combustão. Do ponto de vista da tecnologia, a Ferrari registou mais de 60 patentes relacionadas com a arquitetura do motor e tecnologia do Luce. Este investimento em propriedade intelectual poderá gerar receitas de licenciamento a longo prazo e serve também como barreira à entrada de concorrentes no segmento de desportivos elétricos de ultra-luxo”, assinala o analista da XTB, Henrique Tomé.
Para o analista a grande questão estará em se perceber se este modelo 100% elétrico da marca italiana “consegue ter um impacto” nas receitas da empresa que seja visível nos earnings (resultados) dos próximos trimestres.
Henrique Tomé alerta que existem riscos que são necessários levar em consideração. Um deles prende-se com as tarifas norte-americanas de 25% sobre automóveis europeus, um mercado que é dos maiores da marca.
Outro risco, destacado pelo analista, está ligado a “movimentos cambiais adversos” que já afetaram o crescimento no primeiro trimestre, e por fim a concorrente Lamborghini ter abandonado os seus planos para veículo elétrico para 2030, “citando que a procura por desportivos de luxo elétricos é baixa”.
Henrique Tomé defende também que para os puristas (que são entusiastas do motor a combustão) esta aposta num veículo 100% elétrico pela Ferrari “possa não ser bem recebida”, algo que aconteceu com a primeira geração do Taycan, o modelo elétrico da Porsche.
“De uma forma geral, e tendo em conta todos os fatores analisados, conclui-se que o lançamento do novo modelo 100% elétrico pode realmente trazer benefícios para os resultados da empresa, uma vez que as margens financeiras são bastante apelativas. Contudo, existem riscos associados à entrada neste mercado elétrico, um segmento onde a marca ainda não tem histórico, o que poderá condicionar as metas de vendas planeadas. Apesar disso, mesmo com o anúncio do modelo em fevereiro, a avaliação e os múltiplos da empresa continuam elevados, mostrando que os investidores estão confiantes nesta nova aposta”, assinala o analista da XTB.
O novo modelo da marca italiana foi desenhado, desenvolvido, e produzido em Maranello. O desenho do Luce esteve a cargo de John Ive e Marc Newsom, contando com a colaboração do coletivo criativo LoveFrom.
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