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Metade dos profissionais já se sentiram “impostores” em algum momento da sua vida profissional

Metade dos profissionais já se sentiram “impostores” em algum momento da sua vida profissional

Num mercado de trabalho marcado por crescente exposição, comparação entre pares e processos de avaliação constantes, a chamada Síndrome do Impostor continua a revelar-se uma realidade transversal a diferentes carreiras e níveis de experiência. De acordo com um inquérito realizado pela Hays, 88% dos profissionais afirma já ter sentido este fenómeno em algum momento do seu percurso.
Entre estes, 40% diz tê-lo experienciado de forma pontual, enquanto 48% reconhece senti-lo com frequência. Apenas 13% indica nunca ter passado por esta sensação.
Trata-se de um fenómeno caracterizado pela dificuldade em reconhecer o próprio mérito, pelo receio persistente de não estar à altura das expectativas ou pela sensação de fraude profissional — mesmo em contextos de elevado desempenho ou experiência consolidada.
“O termo Síndrome do Impostor pode não soar familiar, mas, na verdade, quando os profissionais entendem o conceito, acabam por realizar que já a sentiram em algum momento ou até é algo que experienciam constantemente na sua vida profissional, o que é altamente limitador na procura de novos projetos quer a nível interno, quer externo.”, explica Matilde Moreira, Strategic Accounts Director da Hays Portugal.
Comparação, recrutamento e novas funções como gatilhos
Os dados da Hays indicam ainda que este fenómeno tende a intensificar-se em momentos de maior transição ou exposição profissional. As comparações com outros colegas surgem como o principal fator desencadeador (39%), seguidas dos processos de recrutamento (27%) e da entrada numa nova função (27%).
Estas situações, frequentes ao longo do percurso profissional, podem amplificar dúvidas internas e impactar diretamente a confiança, o desempenho e até a progressão de carreira. Em muitos casos, traduzem-se em autocensura, menor disponibilidade para assumir desafios ou na recusa de oportunidades de crescimento.
A própria análise da consultora aponta para um contexto laboral em que a mobilidade profissional se encontra em mínimos históricos, com apenas 67% dos inquiridos a manifestar intenção de procurar uma nova oportunidade. “Esta perceção de si próprio pode contribuir para o profissional não dar um passo no seu percurso, sendo importante conhecer este fenómeno e identificá-lo, de forma a não se tornar um fator negativo para o crescimento e desenvolvimento profissionais”.
Entre o indivíduo e as organizações: como gerir a síndrome
A Síndrome do Impostor não se limita à esfera individual. Segundo a Hays, a forma como organizações e líderes atuam pode ser determinante na mitigação destes sentimentos.
Do lado dos profissionais, a recomendação passa por uma maior consciência dos momentos em que estas sensações surgem, bem como pela criação de mecanismos objetivos de autoavaliação. Registar conquistas, procurar feedback regular e confrontar perceções com evidência concreta são estratégias apontadas como essenciais para reduzir a autocrítica excessiva.
“Em momentos de maior exposição, como as avaliações internas ou o início de novas funções, encorajamos os profissionais a encararem-nos como parte do seu crescimento profissional, compreendendo e normalizando muitas destas sensações”, explica a Strategic Accounts Director da Hays Portugal.
Já do ponto de vista organizacional, a criação de culturas de feedback contínuo e comunicação aberta surge como um elemento-chave para reforçar a confiança das equipas. A promoção de lideranças próximas, focadas no desenvolvimento individual em vez da comparação entre colegas, é igualmente destacada como fator mitigador.
“A falta de confiança nas próprias capacidades pode ter um impacto direto em aspetos-chave como a produtividade ou a aposta na inovação dentro da organização. Neste ponto, as organizações têm um papel decisivo na criação do contexto adequado e na promoção de uma cultura orientada para o reconhecimento do talento.
“Alguns mecanismos que gostamos de sugerir, passam pela promoção de cultura de feedback contínuo e comunicação aberta, contribuindo para reduzir a incerteza e reforçar a confiança das equipas. Além disso, impulsionar lideranças próximas que se foquem na evolução individual e não tanto em termos comparativos entre membros de equipa, permitem validar o esforço de cada um e mitigar a constante comparação, identificada como um dos fatores que dão origem à Síndrome do Impostor em contexto profissional”, conclui.
Num contexto em que o desempenho é cada vez mais visível e escrutinado, a Síndrome do Impostor mantém-se como um desafio silencioso, mas com impacto real na confiança, na progressão e nas decisões de carreira de milhares de profissionais.

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