Indústria investe 42 mil euros em bolsas no Técnico para formar engenheiros da transição energética
As empresas ligadas aos recursos minerais e energéticos já investiram 42 mil euros em bolsas para estudantes da Licenciatura em Engenharia de Minas e Recursos Energéticos do Instituto Superior Técnico, num programa que pretende responder à escassez de quadros qualificados num setor estratégico para a transição energética.
Desde o arranque, no ano letivo de 2024/2025, o programa Recursos+ atribuiu 42 bolsas de mil euros cada. No primeiro ano, 15 estudantes beneficiaram do apoio. Já em 2025/2026, foram renovadas oito bolsas a alunos que transitaram de ano e atribuídas mais 19 a novos estudantes.
O modelo prevê o pagamento integral da propina aos alunos do primeiro ano, podendo o apoio prolongar-se ao longo da licenciatura, desde que exista aproveitamento académico. A lógica é dupla: aliviar o custo de entrada num curso exigente e, ao mesmo tempo, incentivar a continuidade e o desempenho.
A iniciativa junta atualmente 15 empresas — entre elas Almina, Boliden Somincor, Sibelco ou Secil Agregados — que procuram, desta forma, aproximar-se da formação de futuros profissionais e garantir um pipeline de talento numa área onde a procura tem vindo a aumentar, em Portugal e no exterior.
A licenciatura em Engenharia de Minas e Recursos Energéticos forma engenheiros com competências em ciências da terra, tecnologias de exploração e processamento, sustentabilidade e sistemas energéticos. Trata-se de um perfil cada vez mais valorizado num contexto de pressão sobre matérias-primas críticas e necessidade de acelerar a descarbonização.
Além do apoio financeiro, o programa reforça a componente prática do curso, com visitas técnicas, seminários com profissionais do setor, estágios de verão e projetos aplicados. Esta ligação direta à indústria é vista como um fator diferenciador na preparação dos estudantes para o mercado de trabalho.
Com novas empresas interessadas em aderir no horizonte de 2026/2027, o Recursos+ deverá ganhar escala, num momento em que o setor procura antecipar necessidades futuras e assegurar competências para responder a desafios tecnológicos, ambientais e económicos cada vez mais complexos.
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