WRC, Rali do Japão ‘fecha’ asfalto: o que disseram os pilotos
O Rali do Japão, última prova em asfalto da temporada de 2026 do Campeonato do Mundo de Ralis, disputa-se este ano num enquadramento pouco habitual, com a mudança para maio a prometer temperaturas mais elevadas e condições distintas das edições anteriores. Entre expectativas cautelosas e ambições assumidas, pilotos de Toyota, Hyundai e M-Sport convergem num ponto: o caráter técnico, estreito e exigente das classificativas japonesas continuará a ser decisivo.
Toyota chega ao ‘seu rali de casa’ com pressão e confiança
Na antevisão da prova, Elfyn Evans sublinhou o simbolismo do evento para a equipa japonesa e a exigência acrescida das condições. O piloto galês afirmou: “O Rali do Japão é sempre uma ocasião especial. Temos sempre um acolhimento muito caloroso de todos no Japão e há um ambiente muito agradável durante a semana do rali, bem como uma verdadeira motivação na equipa para fazer um bom resultado no rali de casa da Toyota. As estradas são muito estreitas e técnicas, exigindo precisão e confiança nas notas e no carro. A diferente data este ano deverá trazer temperaturas mais elevadas, o que aumentará as exigências sobre tudo no carro. Tem sido uma boa prova para nós no passado, mas o cronómetro começa sempre do zero para todos e teremos de estar ao nosso melhor nível para tentar somar o maior número de pontos possível.”
Também Sébastien Ogier destacou o apoio crescente dos adeptos e a confiança no desempenho recente em asfalto. O francês declarou: “Ir ao Rali do Japão é um dos pontos altos da nossa época e tem sido ótimo ver o apoio e o interesse pelos ralis crescerem todos os anos. Ao mesmo tempo, as expectativas também são elevadas, mas temos estado bastante bem recentemente, especialmente em asfalto, por isso acredito que temos boas perspetivas para esta prova e podemos voltar a apontar aos lugares da frente. Este ano, com a nova data, podemos provavelmente esperar temperaturas mais altas e talvez menos folhas na estrada, mas estou certo de que o carácter geral continuará a ser o mesmo: piso suave e maioritariamente limpo, mas também muito técnico e sinuoso, onde é preciso ter bom ritmo para fazer um bom tempo.”
Na estreia no Japão com um Toyota Rally1, Oliver Solberg apontou à aprendizagem e à consistência. O sueco referiu: “Estou muito entusiasmado com o Rali do Japão e por competir num Toyota Rally1 pela primeira vez. Venho ao Japão desde muito novo e adoro tudo no país. No ano passado foi a minha primeira vez a competir no rali e o ambiente foi incrível, por isso tenho a certeza de que desta vez a experiência será ainda mais extraordinária. Foi bom ganhar conhecimento das estradas, mas as velocidades serão ainda mais altas no Rally1, por isso haverá alguma aprendizagem a fazer, como acontece na maioria dos ralis este ano. Temos tido boas sensações e andamento em asfalto até agora, e espero que possamos usar isso para alcançar um resultado sólido.”
Já Takamoto Katsuta colocou o foco no peso emocional da prova caseira. O japonês afirmou: “O Rali do Japão é, naturalmente, um rali muito importante para mim e para a nossa equipa. Espero ver ainda mais pessoas interessadas no rali e a seguir-nos nas classificativas. Será entusiasmante ver como as condições vão mudar agora que o rali se realiza numa época diferente do ano. Estará muito mais quente do que o habitual e, com menos folhas e melhor aderência, as condições poderão ser bastante boas. Ainda assim, existe a possibilidade de chuva, se a época chuvosa que normalmente temos em junho chegar mais cedo. Claro que vencer o meu rali de casa seria muito bom, mas estamos a competir contra muitos grandes pilotos, incluindo os meus colegas de equipa. Vou apenas concentrar-me em dar o meu melhor e em desfrutar da sensação incrível de conduzir o nosso Rally1 nas estradas japonesas.”
Depois de dois pódios consecutivos em asfalto, Sami Pajari traçou uma meta clara para o fim de semana. O finlandês declarou: “Estou ansioso por voltar ao Japão. É sempre um lugar fantástico para visitar e tenho memórias muito boas deste rali: foi onde alcançámos o nosso primeiro pódio no ano passado e onde conquistei o título de WRC2 no ano anterior. É uma sensação especial ser piloto da Toyota ali, e todos os anos o número de fãs parece crescer. Vamos lá estar numa altura diferente do ano, mas não penso que o desafio seja menor do que antes. Tendo estado no pódio nos dois últimos ralis de asfalto, bem como no Japão no ano passado, esse é o mínimo a que vamos tentar apontar, e faremos o nosso melhor para alcançar um bom resultado.”
Hyundai prevê um desafio duro, mas quer discutir os lugares cimeiros
Na Hyundai, Adrien Fourmaux antecipou uma prova diferente, mas igualmente exigente. O francês disse: “O Rali do Japão será bastante diferente este ano, por se realizar em maio em vez do habitual período de outono. As condições deverão ser menos imprevisíveis, mas as estradas continuam incrivelmente técnicas e exigentes, com secções estreitas e muita entrega necessária em cada classificativa. O Japão será o último evento de asfalto da temporada, e no ano passado estivemos na luta pelos lugares do pódio, por isso esperamos poder voltar a ser competitivos. O ambiente criado pelos fãs é sempre fantástico no Japão, por isso estamos realmente ansiosos.”
Thierry Neuville chega motivado pela primeira vitória do ano, embora admita reservas quanto ao rendimento em asfalto. O belga afirmou: “Estamos muito felizes por termos conquistado a nossa primeira vitória do ano, algo que já demorava há muito tempo. Mais importante, fomos competitivos durante todo o fim de semana, o que é muito encorajador para o futuro. No entanto, sabemos que ainda estamos a lutar para encontrar rendimento em asfalto, e esperamos um fim de semana difícil no Japão. Este é um dos ralis mais sinuosos do calendário do WRC, e provavelmente um dos mais lentos. O reconhecimento é muito exigente porque precisamos de fazer muitas notas; muitas curvas são semelhantes, por isso é preciso diferenciá-las, bem como as velocidades a que se podem fazer. O meu objetivo é ser competitivo e lutar por uma boa posição.”
De regresso à prova, Hayden Paddon assume um objetivo mais gradual, centrado na aproximação ao ritmo dos colegas de equipa. O neozelandês referiu: “A minha única participação anterior no Rali do Japão foi quando era um rali de terra, em 2010, por isso não tenho experiência nas estradas de asfalto. Passámos muito tempo a analisar dados e vídeos onboard para ultrapassar isso, já que muitas das classificativas são semelhantes às de anos anteriores. Depois de um teste antes da prova, já me sinto ainda melhor no carro do que na Croácia, e fizemos algumas alterações de afinação com base no que aprendemos nesse evento. O nosso principal objetivo é estar mais perto do andamento dos meus colegas de equipa, e até igualá-los em algumas classificativas. Será um desafio, mas certamente vamos aumentar o ritmo em relação aos ralis anteriores.”
M-Sport fecha ciclo do Rally1 em asfalto com metas distintas
Na M-Sport, Josh McErlean encara a prova como uma oportunidade para confirmar a evolução em asfalto e terminar a campanha nessa superfície com um resultado limpo. O irlandês afirmou: “O Rali do Japão é sempre um evento muito especial e é difícil acreditar que já é o último rali de asfalto da temporada, e também a última prova em asfalto para esta geração atual do Rally1. As classificativas são incrivelmente exigentes e precisas, mas fizemos claramente bons progressos em asfalto ao longo do ano e sinto-me num ponto muito mais forte à entrada para esta prova do que no início da temporada. O objetivo é continuar a ganhar confiança, fazer um rali limpo e terminar a época de asfalto com uma nota positiva com a equipa.”
Já Jon Armstrong prepara-se para a estreia no Rali do Japão, depois de contactos anteriores com a prova no âmbito da equipa de notas. O britânico declarou: “Estou ansioso pelo desafio do Japão. É apenas o meu segundo evento de longa distância, mas já lá estive algumas vezes no passado com a equipa de notas de percurso, por isso tenho alguma familiaridade com as classificativas. São bastante interessantes, um pouco sinuosas e com uma boa variação de superfícies. O tempo também pode ser interessante, porque é uma altura diferente do ano e ninguém sabe totalmente o que esperar. Mas penso que vai ser um evento incrível e queremos desfrutar da experiência. É o último rali de asfalto do ano, por isso queremos perceber que andamento podemos ter, mas também simplesmente desfrutar de conduzir o Rally1 na sua última aparição em asfalto no WRC. Adoro o Japão: a cultura, as pessoas e, especialmente, os fãs, são fantásticos. Mal posso esperar para começar.”
Prova decisiva num cenário novo
A mudança de calendário alterou o enquadramento competitivo do Rali do Japão, mas não lhe retirou complexidade. Com temperaturas mais altas, menos folhas nas estradas e possibilidade de chuva precoce, o derradeiro teste em asfalto de 2026 deverá combinar aderência variável, precisão extrema e diferenças mínimas entre os principais candidatos.
FOTOS @World
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