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Soberania energética é crucial para a economia e turismo de São Tomé e Príncipe, diz ministro

Soberania energética é crucial para a economia e turismo de São Tomé e Príncipe, diz ministro

O ministro das Finanças são-tomense considerou que a soberania energética, através das renováveis, é crucial para o crescimento do turismo e subsequentemente da economia, numa altura em que o país aposta na redução da dependência dos combustíveis fósseis.
“Esta soberania energética é fundamental para São Tomé e Príncipe, porque se nós continuarmos a ser dependentes da importação, não somos nós que estamos a decidir, são os outros que estão a decidir por nós”, afirmou Gareth Guadalupe em declarações à Lusa à margem do encontro anual do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em Brazzaville, que decorre até sexta-feira na capital da República do Congo.
“O turismo não passa só por ter praias lindas ou por ter infraestruturas hoteleiras”, mas também pela construção de novas infraestruturas como a modernização do aeroporto, de um “hospital de qualidade” e no investimento na segurança, disse.
O aumento dos custos internacionais dos combustíveis, agravado pela instabilidade no Médio Oriente, elevou significativamente a fatura energética do país, que importa a maior parte do combustível utilizado para a produção de eletricidade.
Trimestralmente, antes da guerra o preço das importações situava-se entre os 6 milhões de dólares (5,16 milhões de euros) e os 8 milhões de dólares (6,88 milhões de euros)
“Agora, esta última importação, tivemos de fazê-la a 15 milhões de dólares”, disse, admitindo que o país teve de reduzir a quantidade importada “porque inicialmente estava por volta de 18 milhões de dólares”.
“O custo de oportunidade dos 18 milhões de dólares para uma economia como São Tomé é muito elevado”, sublinhou o ministro, acrescentando que o objetivo do Governo passa pela aposta na transição energética, com projetos de energia solar em São Tomé e na ilha do Príncipe, financiados pelo Banco Mundial e pelo BAD.
Um dos projetos prevê a instalação de um parque solar de 11 megawatts em São Tomé, acompanhado por sete megawatts de baterias, num investimento de cerca de nove milhões de dólares, em parceria com a empresa norueguesa Scatec e a International Finance Corporation (IFC).
“Nós esperamos que, a partir de outubro, possamos reduzir, na melhor das hipóteses, para 50% daquilo que é a nossa demanda, em termos de energias renováveis”, frisou Gareth Guadalupe
Na Região Autónoma do Príncipe, está igualmente previsto um projeto de quatro megawatts de energia solar e dois megawatts de baterias, avaliado em mais de 20 milhões de dólares.
Esta aposta, sublinhou, impacta diretamente na maior fonte de receitas do país: o turismo. Segundo um relatório do BAD divulgado na terça-feira, o setor é fundamental para a previsão de crescimento da economia de São Tomé e Príncipe de 2,4% em 2026 e 3,2% em 2027.
Mas o aumento dos preços dos combustíveis motivado pelas tensões no Médio Oriente pode “agravar ainda mais as pressões sobre a balança de pagamentos”, reconheceu o ministro. Para além disso, é o próprio BAD que aponta a “lentidão das reformas no setor energético”.
O relatório foi apresentado no encontro anual do Grupo BAD, no qual representantes dos 81 países membros, entre chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, incluindo de países africanos lusófonos, vão analisar os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham.
O lema das reuniões deste ano é “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado” e junta mais de 3.000 mil pessoas, até sexta-feira, na capital da República do Congo, Brazzaville.
As reuniões deste ano estão a ser marcadas por medidas sanitárias contra o Ébola, que foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo (RDCongo) por um rio, e o próprio formato dos encontros foi alterado, com o Banco a adotar “um formato híbrido, permitindo que todos os delegados participem plenamente nos trabalhos, independentemente das condições de viagem e logísticas”.

*** A Lusa viajou a convite do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) ***

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