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Afonso Taira: “O futebol está em ponto de rebuçado para inovação e tecnologia”

Afonso Taira: “O futebol está em ponto de rebuçado para inovação e tecnologia”

O COREangels, primeiro fundo europeu exclusivamente dedicado a startups early stage em tecnologia desportiva, vai avançar no final deste mês o primeiro comité de investimento exclusivamente dedicado ao futebol (com esta ronda a ter lugar na semana passada, a 27 e 28 de maio).
Este fundo de cariz europeu procura projetos na Europa tem um alvo de cinco milhões de euros e o objetivo de construir um portfólio de 25 a 30 startups, com um ticket médio de 120 mil euros por investimento. E que projetos vão estar sob o foco deste fundo? Projetos em IA, dados, wearables, fan engagement e e-sports.
Este comité de investimento assinala ainda o nascimento de uma parceria com o futebolista Afonso Taira (que joga no Abha Club na segunda divisão da Arábia Saudita), que irá integrar este fundo com a missão de identificar as ideias com maior aplicabilidade real no futebol, e atrair outros atletas para a iniciativa, como investidores e mentores de projetos de inovação desportiva.
Aqui, os investidores não entram apenas com o financiamento já que vão também participar ativamente na seleção das startups e no apoio direto aos projetos investidos, com mentoria especializada e ainda uma rede de contactos que abrange atletas, clubes e corporações.
A COREangels Sportstech tem vindo a preparar-se para o primeiro comité de investimento exclusivamente dedicado ao futebol. Como encaram a inovação europeia e o que esperam encontrar relativamente a inovações relacionadas com tecnologia desportiva.

Afonso Taira: O futebol está em ponto de rebuçado para inovação e tecnologia. Acreditamos que cada vez mais clubes e federações entendem a necessidade de reinventar a experiência do adepto – o consumidor -, aprimorar o produto e ir mais além dos relvados. A performance vai sempre ser uma prioridade, mas temas como o tratamento de dados para explorar receitas ou o fan engagement são caminhos que vão ser percorridos.
IA, dados, wearables, fan engagement e e-sports são projetos aos quais estarão especialmente atentos para o investimento. Acreditam que as startups europeias possam ter soluções que façam a diferença no que diz respeito à forma como a tecnologia exponencia as receitas dos clubes?
Maurizio Calcopietro: Sem dúvida. Acreditamos que as startups europeias estão muito bem posicionadas para ajudar os clubes a aumentar receitas através da tecnologia. IA, dados e wearables permitem decisões mais inteligentes e novas oportunidades de monetização, enquanto fan engagement e e-sports aproximam os clubes de audiências globais e mais jovens. Hoje, os clubes já não são apenas organizações desportivas, são plataformas de media, comunidade e entretenimento. E é precisamente aí que vemos maior potencial de crescimento e investimento.
Neste modelo em que os investidores não só financiam como desenvolvem uma série de valências, esperam que haja uma maior eficácia na forma como vão ser aplicados estes montantes?
Luis Felipe Gutman: Sem dúvida. O investidor assume um papel ativo na execução do fundo: participa nos comités de seleção e de investimento e contribui para a discussão sobre o potencial de crescimento e de retorno de cada projeto avaliado. Por outro lado, ponderamos sempre a nossa capacidade de apoiar cada empresa em função da experiência e do track record dos investidores envolvidos, o que naturalmente influencia as decisões tomadas. Tratando-se de investimentos em fase early-stage, o nosso objetivo é precisamente acompanhar as startups neste momento crítico do seu desenvolvimento. Por isso, sim, este modelo procura trazer maior eficácia aos investimentos, e os resultados mostram que essa proximidade faz, de facto, diferença.
Os atletas estão sensibilizados para se tornarem parte do futuro da indústria do futebol e de poderem ajudar os clubes a tomarem decisões que vão mais ao encontro das expectativas dos adeptos?
Afonso Taira: Não. Não mesmo. Faria aqui distinção entre sensibilização e preparação. Preparados, sim – muitos atletas têm capacidade para ser parte integrante do futuro da indústria do futebol. Sensibilizados, não. É uma das minhas motivações para esta parceria – encontrei uma forma de ser parte desse futuro, e, espero eu, abrir caminho para mais Afonsos.
Que frutos esperam que este investimento possa trazer?
Maurizio Calcopietro: Esperamos gerar valor em várias dimensões: apoiar startups com potencial global, acelerar a transformação digital da indústria do desporto e criar ligações estratégicas entre tecnologia, clubes, ligas e investidores. Procuramos investir em soluções capazes de melhorar performance, engagement e modelos de negócio, contribuindo para um ecossistema desportivo mais inovador, sustentável e escalável.
Com uma considerável rede de startups, Portugal tem uma palavra a dizer no futuro tecnológico do futebol?
Luis Felipe Gutman: Portugal é uma força desportiva relevante, apesar da sua dimensão. E não apenas no futebol, mas também no rugby, atletismo, andebol, basquetebol, entre tantas outras modalidades. Temos, além disso, uma rede de empreendedorismo e de apoio a startups muito robusta e descentralizada, o que cria um contexto fértil para o nascimento e desenvolvimento de novos projetos. Ainda assim, continuamos a ter uma limitação natural de escala. Por essa razão, o COREangels SportsTech, sendo um fundo de nicho, tem um âmbito de investimento europeu e procura ativamente startups em toda a comunidade europeia. Isso confere-nos maior alcance, maior potencial de retorno e, naturalmente, uma diversificação mais sólida da carteira.

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