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Antigo presidente da Colômbia diz que América Latina vive encruzilhada política entre EUA e China

Antigo presidente da Colômbia diz que América Latina vive encruzilhada política entre EUA e China

O antigo presidente colombiano, Ivan Duque, defendeu que a América Latina vive atualmente uma encruzilhada geopolítica sem precedentes nos últimos cinquenta anos, pressionada pela forte parceria comercial com a China e, como referência institucional e democrática, os Estados Unidos.
O ex-chefe de Estado enquadrou a situação com uma metáfora familiar: “a América Latina assemelha-se a “filhos de pais separados em litígio”, os países estão obrigados a navegar entre duas potências com interesses divergentes”
“Há vinte anos, os EUA eram o parceiro económico preferencial da região. hoje a China é parceira comercial de 95% dos países da América Latina e Caraíbas”, disse Duque.
Ivan Duque esteve esta terça-feira à conversa com o ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Gilmar Mendes, e André Esteves, chairman e sócio sénior do BTG Pactualbanco de investimento sul americano, BTG Pactual, durante o segundo dia do Fórum Lisboa que decorre na Aula Magna da Universidade de Lisboa até quarta-feira, 3 de junho. Esta é a 14ª edição do evento promovido pelo ministro Gilmar Mendes.
Na conversa, Ivan Duque foi questionado sobre qual deve ser o parceiro estratégico preferencial da América do Sul: os EUA ou a China?. Para antigo chefe de Estado são os valores democráticos que une a região aos Estados Unidos. “Geopoliticamente esses princípios importam, e importa que tenhamos democracias com a defesa da economia de livre mercado e da iniciativa privada. Com a China temos uma relação comercial, mas isso não nos une institucionalmente. A China não é uma democracia e embora aplique fórmulas capitalistas as grandes empresas chinesas têm grande influência do governo”.
E reforçou: “atualmente, 70% do mundo vive debaixo de sistemas autoritárias ou quase autoritárias. A democracia é, por vezes, caótica, e por vezes tem muito ruído. Mas prefiro mil vezes o ruído da democracia ao silencio do autoritarismo.  Nenhuma empresa pode prosperar sem a liberdade. E por isso há que ter uma relação priveligiada com os EUA”.
Elogio à política fiscal de Milei e ao pragmatismo de Lula da Silva
O debate entre esquerda e direita tomou conta da parte final da conversa. Ivan Duque rejeitou a divisão clássica entre esquerda e direita e indicou que a verdadeira discussão é hoje entre “demagogos e pedagogos”.
“Em certas regiões da América Latina existe quem se diz progressistas mas sempre forem “pobressistas” que perseguem a iniciativa privada e intimidam o investimento, são os demagogos”. Apelidou de pedagogos os que acreditam na iniciativa privada e que a sociedade tem de fazer sacrifícios para obter resultados. “Todos os países que captam maior investimento são aqueles que colocam no centro o investimento mercado e a economia de mercado”, explicou. Elogiou a política fiscal posta em prática na Argentina pelo presidente Javier Milei e citou o presidente brasileiro, Lula da Silva, como um político pragmático.  “Ele vê a política como quem toca violino, apoia-se com a esquerda e toca com a direita”.
Já no final da palestra, Ivan Duque sublinhou a importância da intervenção da administração Trump na Venezuela, “a operação judicial funcionou impecavelmente”, indicou,  sublinhando de seguida que existe agora uma euforia para investir naquele país. Contudo, advertiu que a Venezuela ainda está longe da estabilidade. “Ainda não há separação de poderes, esta semana anunciou-se uma reforma de estado mas as forças armadas ainda contam com três mil generais.  Requer-se a reconstrução das forças armadas e definição um cronograma para que se marquem eleições na Venezuela” .
O terceiro dia e último dia do Fórum Lisboa decorre amanhã, 3 de junho, na Aula Magna da Universidade de Lisboa e na Faculdade de Direito de Lisboa.

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