Biocombustíveis ganham tração no mar com aposta antecipada da PRIO
A trajetória da PRIO é, em muitos aspetos, um reflexo da própria evolução da transição energética nos transportes. Tiago Pinho, comercial Manager, Maritime and Emerging Business da PRIO recordou no evento Portugal China Green Maritime Fuels & Decarbonisation 2026 realizado no Templo dos Poetas, em Oeiras que a empresa nasceu em 2006, focada exclusivamente no biodiesel para o setor rodoviário, tendo produzido o primeiro lote em 2007. Durante mais de uma década, esse foco permitiu acumular conhecimento técnico e operacional que viria a revelar-se determinante quando decidiu entrar no setor marítimo, já em 2020.
Esse passo foi dado num contexto em que praticamente toda a procura — “99,9%”, sublinhou — continuava centrada no gasóleo marítimo convencional. Ainda assim, a PRIO avançou, antecipando uma mudança que viria a materializar-se pouco depois.
O momento simbólico dessa viragem ocorreu em 2022, com o primeiro abastecimento de um navio cruzeiro com biocombustível, no porto de Lisboa. “Se bem me lembro foram cerca de 200 toneladas, com uma redução estimada de mais de 400 toneladas de CO₂. “Foi um marco para a PRIO”, relembra, não apenas pelo volume, mas porque respondeu a uma dúvida que persistia no setor: existiria uma alternativa viável ao combustível fóssil no transporte marítimo?
A resposta começou a desenhar-se nos anos seguintes. Segundo Tiago Pinho, o comportamento dos armadores mudou de forma significativa. “Hoje, já há armadores que utilizam estrategicamente biocombustíveis em parte da frota para atingir metas regulatórias, recorrendo a mecanismos como o pooling previsto nas diretivas europeias. Em alguns casos, empresas conseguem cumprir os objetivos anuais de redução de emissões logo nos primeiros meses do ano, gerando depois margens de manobra para o resto da operação”, explica.
Além disso, estão a utilizar duas ou três embarcações da frota movidas exclusivamente a biodiesel ou biomixes, neste caso, e estão a gerar uma redução das emissões que podem ser partilhadas entre toda a frota. “Isto é um ponto positivo e mostra como os armadores estão realmente atentos ao que o mercado permite”.
Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma mudança de atitude. “Os armadores estão atentos e aproveitam as oportunidades quando surgem”, afirmou. O preço continua a ser um fator crítico, mas já não é o único elemento de decisão. Quando o enquadramento regulatório e o diferencial de custo permitem, a adoção acelera.
Para o responsável da PRIO, o futuro próximo será marcado por uma maior regularidade destas oportunidades e por uma expansão gradual dos biocombustíveis, não apenas no marítimo, mas em todo o sistema de transportes. O tom foi de confiança: não porque os desafios desapareceram, mas porque o mercado começou finalmente a responder. “Olhamos para este cenário com otimismo, pois as oportunidades estão finalmente a aparecer”.
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