Médio Oriente: com negociações suspensas, Irão radicaliza discurso ofensivo
Um general da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que o Irão tem capacidades militares reservadas e que está pronto para um confronto direto com os Estados Unidos e, se for caso disso, com a OTAN. Observadores ocidentais identificaram, por outro lado, um comandante interino daquela força, Ahmad Vahidi, como o responsável pela suspensão das negociações com os Estados Unidos – com o recurso à decisão de impedir contactos enquanto Israel continuar a invadir o Líbano.
O general de brigada Mohammad Jafar Asadi, alto oficial militar da IRGC, afirmou que “já dissemos repetidamente que ainda não revelámos todas as nossas cartas. Existem muitas capacidades e opções que permanecem ocultas e, se necessário, vamos utilizá-las”. Asadi é também inspetor adjunto do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya. Segundo disse, Teerão “não tem problemas com a guerra”, “quando a rendição não é uma opção”. E assegurou que a postura militar do Irão permanece ao mais alto nível de prontidão.
Também o comandante-em-chefe interino da IRGC, Ahmad Vahidi, foi identificado como uma das figuras-chave que defendem uma abordagem intransigente nas negociações.
Segundo adianta a agência Euronews, o Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya é o principal centro de comando centralizado do Irão em tempos de guerra, supervisionando as operações militares estratégicas de todas as forças armadas sob a autoridade da IRGC.
A agência iraniana de notícias Fars, ligada ao Estado, informou que não há troca de mensagens entre Teerão e Washington e que as negociações para um acordo inicial foram suspensas há vários dias. Saeed Ajorlou, membro da equipa de negociação iraniana, disse que as propostas ainda estão a ser analisadas pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão e por comités de especialistas – mas, aparentemente, a demora é apenas uma forma de suspender a negociação.
Entretanto, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que Washington continua empenhado nas negociações com Teerão – secundando o que o presidente Donald Trump tinha dito no dia anterior. “As discussões entre os EUA e o Irão podem agora abranger aspetos do seu programa nuclear que, há apenas um mês ou mesmo um ano, eles recusavam a discutir”, disse. “Isso não garante que, no fim, haverá um acordo aceitável”, acrescentou Rubio.
Entretanto, no Líbano
Num dia marcado pela notícia de um telefonema muito intempestivo entre Donald Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, era esperado um novo encontro negocial entre israelitas e libaneses, com a mediação dos Estados Unidos. Mas, nem mesmo assim o cessar-fogo foi cumprido. O Hezbollah continuou ao longo desta terça-feira a atacar tropas israelitas que entraram no Líbano e novos ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF) foram sentidos em vários locais.
Beirute continua empenhada em manter negociações para pôr fim ao conflito, referem as agências noticiosas, apesar do pouco impacto que as quatro rondas anteriores tiverem no terreno. Num sinal aparente de que o grupo respeitará uma nova trégua, um assessor do presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, um aliado do Hezbollah, afirmou que o governo garantirá a adesão do grupo militar. Berri, líder do partido Amal, aliado do Hezbollah, é há muito o intermediário entre o grupo e os Estados Unidos.
As IDF informaram ter intercetado dois foguetes do Hezbollah disparados em direção à cidade israelita de Safed, enquanto um drone, aparentemente lançado por aquele grupo atingiu uma posição militar na Galileia Ocidental, perto da fronteira com o Líbano.
Mesmo internamente em Israel, os conflitos sucedem-se. Esta terça-feira, os ministros das Relações Exteriores da Turquia, Egipto, Indonésia, Jordânia, Paquistão, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos emitiram uma declaração conjunta condenando as contínuas incursões de israelitas ligados à ultraortodoxia religiosa no complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental.
Os ministros denunciaram as visitas, que, segundo o comunicado, foram realizadas sob a proteção das forças israelitas. E descreveram as ações como provocatórias e inaceitáveis, argumentando que constituem uma violação flagrante do direito internacional, das resoluções relevantes das Nações Unidas e do status quo histórico e jurídico de longa data que rege o local.
Os ministros também condenaram o que chamaram de medidas israelitas sistemáticas destinadas a alterar o carácter histórico, jurídico e demográfico de Jerusalém Oriental. Reafirmando a sua rejeição a quaisquer tentativas de alterar o status quo em Jerusalém, os ministros enfatizaram a importância de preservar os acordos existentes, reconhecendo ao mesmo tempo o papel especial da custódia da Jordânia – que, por via do Ministério dos Assuntos Islâmicos, detém a autoridade exclusiva sobre a administração do local e as normas de acesso.
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