Fidelidade e CNseg debateu seguros e clima no primeiro fórum bilateral Portugal-Brasil
A Fidelidade e a CNseg — Confederação Nacional das Seguradoras do Brasil — realizaram esta semana, em Lisboa, o 1.º Fórum Brasil-Portugal de Seguros, uma iniciativa inédita que reuniu especialistas dos dois países para discutir estratégias de adaptação climática e aprofundar a cooperação setorial entre os dois maiores mercados seguradores de língua portuguesa. O encontro decorreu no Técnico Innovation Center, Powered by Fidelidade, e contou com o apoio da Associação Portuguesa de Seguradores (APS).
O evento estruturou-se em três painéis temáticos. O primeiro focou-se em adaptação climática e resiliência, refletindo sobre as limitações dos modelos tradicionais de gestão de risco perante eventos de elevada severidade, e a necessidade de desenvolver mecanismos de proteção que articulem seguradoras, governos, bancos de desenvolvimento e mercados de capitais. O segundo painel abordou o papel dos dados e da inteligência climática na transformação do setor segurador, enquanto o terceiro se debruçou sobre a proteção do agronegócio, analisando as implicações das alterações climáticas para o desenho de coberturas, a definição de prémios e a governação do seguro agrícola.
O CEO da Fidelidade, Rogério Campos Henriques, classificou o fórum como um momento histórico para o setor, assinalando que pela primeira vez Portugal e Brasil se uniram formalmente, ao nível setorial, para debater estratégias de adaptação climática e explorar vias de colaboração.
A sessão de abertura contou ainda com as intervenções do presidente do conselho diretivo da CNseg, Roberto Santos, e do embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro.
Do lado brasileiro, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, alertou para a insuficiência dos modelos tradicionais de análise de risco face à nova dinâmica climática, salientando que as alterações climáticas não se limitam a aumentar o volume de indemnizações pagas pelo setor, mas transformam a própria essência da atividade seguradora, tornando a análise baseada exclusivamente em dados históricos inadequada para avaliar o risco futuro.
O fórum encerrou com o compromisso das duas organizações de dar continuidade ao diálogo, aprofundando a cooperação bilateral no domínio dos seguros e da adaptação climática, num contexto em que o setor segurador assume crescente protagonismo nas negociações climáticas internacionais, reconhecido pela Agenda de Ação da COP30.
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