O paradoxo da F1: Como o motor Red Bull é o melhor para a FIA mas o quarto na pista
Mercedes e Ferrari sob suspeita de ‘fintar’ a FIA com mapas de motor táticos. Decisão da FIA isola Red Bull Powertrains e liberta atualizações para as rivais.
Para perceber quão estranha foi a decisão da FIA em determinar que a Red Bull Powertrains possui o melhor motor de combustão interna da Fórmula 1, basta olhar para os resultados de todas as sessões relevantes até este momento na Fórmula 1. É crucial não esquecer que a Red Bull tem na sua equipa aquele que é considerado, senão o melhor piloto, certamente um dos melhores, Max Verstappen.
Sendo também verdade que um monolugar de F1 está longe de ser “somente” motor, a verdade é que ninguém deixou de ficar surpreendido pelos resultados da avaliação do regulamento de desenvolvimento adicional (ADUO). Esta avaliação resultou na concessão de uma oportunidade de atualização à Mercedes e duas à Ferrari, Audi e Honda. A Red Bull não teve direito a melhorias, pois, segundo dizem, possui o melhor motor.
Mercedes lidera desempenho na pistaOs dados, superiormente analisados pela ‘The Race’ e pelo experiente jornalista de F1, Mark Hughes, determinaram que, em qualificação, a Mercedes lidera com uma média de 1m22,706s, seguida pela McLaren e pela Ferrari. A Red Bull surge apenas em quarto lugar (1m23,360s).Segundo as métricas confidenciais da FIA, o motor Mercedes está pelo menos 2% atrás do topo, enquanto a Ferrari regista uma desvantagem mínima de 4%. Novamente, a F1 não é só motor, mas é “muito” motor.
A conclusão disto é que se suspeita que a Mercedes e a Ferrari tenham rodado de forma conservadora (tática) antes de o estatuto de potência ser definido, ocultando o seu real potencial para influenciar as concessões da FIA. Se agora começarem a utilizar mapas de motor mais agressivos, o ganho de velocidade revelará se o sistema confidencial da FIA foi, de facto, manipulado pelos construtores.
A FIA controla as equipas, mas, como sempre na história da F1, estas têm “cérebros” bem mais avançados que a FIA e quase sempre encontram forma de estar um passo (provavelmente, bem mais) à frente da federação. Isto, por vezes (senão sempre), resulta em situações como esta, em que a Red Bull Powertrains — uma entidade e um motor completamente novo na F1 — “suplanta” logo à partida construtores como a Mercedes e a Ferrari, que têm décadas de avanço de experiência. Tal facto leva a crer que algo falhou em todo este processo.
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