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Incerteza e tensões comerciais levam bancos centrais a afastarem-se do dólar e procurarem ouro

Incerteza e tensões comerciais levam bancos centrais a afastarem-se do dólar e procurarem ouro

Os bancos centrais do mundo estão a acumular mais ouro e a afastar-se do dólar, isto numa altura em que a incerteza continua em alta e os riscos de desdolarização também. Quase nove em cada dez autoridades monetárias preveem uma subida nas reservas globais de ouro no próximo ano e quase metade irá aumentar as suas próprias reservas, ao passo que três quartos veem uma perda de relevância da divisa norte-americana.
O relatório anual do Central Bank Gold Reserves, publicado esta terça-feira, inquiriu 76 bancos centrais entre fevereiro e maio, ou seja, durante o conflito entre EUA e Israel e o Irão, pelo que a incerteza dominava as perspetivas económicas e monetárias. Neste ambiente, 89% das respostas antecipavam uma subida nas reservas de ouro dos bancos centrais de todo o mundo, uma tendência que já se tem verificado.
Entre os inquiridos, 88% refere que as reservas cresceram em relação há cinco anos, uma percentagem que cresceu em relação aos 85% registados em 2025. Ainda assim, entre as economias avançadas, a percentagem caiu de 80% para 78%.
Também 45% das respostas vão no sentido de aumentar as próprias reservas de ouro, acima dos 42% registados no ano anterior. Ainda assim, a diferença entre economias avançadas e emergentes é notória: no primeiro grupo, apenas 18% dos inquiridos responderam neste sentido, ao passo que no segundo a percentagem salta para 53%.
Os bancos centrais têm acumulado nos últimos quatro anos uma média de mil toneladas de ouro, o que representa o dobro da média da década anterior, cifrada em 500 toneladas. “Esta aceleração marcada ocorreu num contexto de incerteza geopolítica e económica, que obscurece as perspetivas dos gestores de reservas”, explica o relatório.
Perante esta incerteza, estes gestores esperam uma perda de relevância do dólar norte-americano. E, se no terceiro trimestre do ano passado as reservas totais eram compostas em 42% por dólares e 26% por ouro, a expectativa agora passa por uma descida para a divisa, que deverá ficar entre 39% e 41% daqui a cinco anos, indicam 62% dos inquiridos.
Em sentido inverso, 78% das respostas indicavam esperar ver o ouro assumir entre 27% a 35% do montante total de reservas em igual período, sinalizando a tendência de perda de importância da divisa dos EUA perante o metal.
“O ouro pode beneficiar das tensões geopolíticas e comerciais crescentes”, indica uma das respostas selecionadas pelo relatório. “Esperamos uma mudança e queda na percentagem de reservas detidas em dólares. Esta redução deve vir sobretudo de países cujas relações com os EUA são prováveis de ser afetadas pela política externa norte-americana”, lê-se noutro comentário destacado.
Questionados sobre os motivos para esta relevância do metal precioso, quase metade dos inquiridos sinalizou a “performance em tempos de crise”, uma “reserva de longo prazo de valor/proteção contra a inflação” e um “diversificador eficiente do portfólio”. De destacar que os dois primeiros motivos são significativamente mais citados por gestores de bancos centrais de economias emergentes, enquanto o terceiro é mais comum entre economias avançadas.

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