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Médio Oriente: negociações correm bem, mas Trump volta a ‘dar a mão’ a Netanyahu

Médio Oriente: negociações correm bem, mas Trump volta a ‘dar a mão’ a Netanyahu

As negociações entre os Estados Unidos e o Irão, que começaram este domingo na Suíça depois da assinatura do memorando de entendimento há uns dias atrás, foram palco de ”grandes progressos”, segundo as palavras do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, encarregado por Donald Trump de liderar o bloco dos Estados Unidos. Vance chegou ao resort suíço de Burgenstock no início da manhã de domingo, onde se encontrou com o lado iraniano e com representantes dos países medidores Paquistão e do Qatar. O enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, assessor de Trump, também estão na Suíça.
Mas o Irão anunciou planos para fechar o Estreito de Ormuz após mais uma série de ataques israelitas no Líbano, medida que ameaça comprometer o frágil acordo de paz provisório com os Estados Unidos. A Guarda Revolucionária Islâmica alertou os navios para que não se aproximassem da hidrovia, por entender que as ações israelitas no Líbano são uma violação dos compromissos de cessar-fogo na região. A decisão levou Donald Trump a fazer novas ameaças aos iranianos, publicando nas redes sociais que: “O Irão deve impedir imediatamente que os seus PROXYS bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irão com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!” A resposta não se fez esperar: segundo a imprensa iraniana, as negociações entraram de imediato numa fase difícil depois da mensagem “ofensiva do presidente Donald Trump”. Teerão afirmou que não cederá às ameaças, ressaltando que qualquer progresso depende da vontade política de Washington e do seu compromisso prático com as obrigações que assinou.
Noutra circunstância – novas declarações à Fox News –alertou o Irão contra o encerramento do Estreito de Ormuz, dizendo às autoridades iranianas que “se vocês o fecharem, não terão mais país”. As afirmações contrastam não só com as declarações de JD Vance, mas principalmente com o tom com que Trump se dirigiu ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu na última semana. O presidente norte-americano havia deixado claro que entendia que Israel era o culpado da permanência da guerra no Líbano, mas as declarações deste domingo indicam para que Trump voltou à retórica de desculpabilizar Israel e de preferir culpar o Irão. Está assim respondida a dúvida sobre se Trump teria ou não vantagem suficiente sobre Netanyahu para o chamar à razão: não tem.
Do seu lado, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou em comunicado que não havia e não há “nenhuma restrição” imposta ao exército israelita em relação à forma como deve eliminar qualquer ameaça no Líbano, e que as tropas não se retirarão da zona de segurança. Netanyahu disse que as forças israelitas permanecerão no sul do Líbano “enquanto for necessário”.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou que Teerão está disposta a fornecer garantias de que o país não quer desenvolver armas nucleares, ao mesmo tempo que insiste que o Irão não abrirá mão do seu direito de enriquecer urânio.
Entretanto, Rafael Grossi , chefe da Agência Internacional de Energia Atómica, disse ter se reunido com o ministro das Relações Exteriores da Suíça, Ignazio Cassis, em Burgenstock, “para avaliar os recentes acontecimentos em relação ao Irão, o caminho a seguir e o importante papel da agência”.
O ministro das Relações Exteriores do Irão, Abbas Araghchi, também reuniu com Ignazio Cassis em Burgenstock, segundo avança a imprensa iraniana. O encontro ocorreu antes do início das negociações com os Estados Unidos.
A delegação iraniana chegou a Zurique no final da noite de sábado. Além do ministro das Relações Exteriores, a delegação inclui Ali Bagheri, vice-ministro para os Assuntos Internacionais do Secretariado do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Abdolnaser Hemmati, governador do Banco Central do Irão, Hamid Bovard, vice-ministro do Petróleo e CEO da Companhia Nacional de Petróleo Iraniana, Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, e o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.
O primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Qatar, o sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, reuniu com o seu homólogo suíço em Burgenstock para discutir os recentes desenvolvimentos após a assinatura do memorando. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército, general Asim Munir, também estarão na Suíça.

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