Fabricante de armamento KNDS prepara entrada nas bolsas de Paris e Frankfurt
A oferta pública de venda (OPV) pode tornar-se uma das maiores da Europa. Os acionistas vão vender 20% do capital, enquanto o estado francês e o alemão deterão 40% cada um, como já havia sido anunciado.
De acordo com o site espanhol Cinco Días, o grupo de defesa franco-alemão deu o primeiro passo oficial para a sua estreia bolsista. Dois dias após o acordo para a entrada do estado alemão na capital, o fabricante de armamento KNDS anunciou a sua intenção de cotar nas bolsas de Frankfurt e Paris, no âmbito do seu objetivo de se tornar um gigante estratégico de defesa europeia, avança o jornal.
A entrada em bolsa pode figurar entre as maiores ofertas públicas de venda (OPV) europeias dos últimos anos, uma vez que a empresa no seu conjunto tem uma valorização estimada entre 15 000 e 18 000 milhões de euros, o que deixaria uma operação entre 3000 e 3600 milhões. Após a estreia em bolsa, a KNDS terá sede social nos Países Baixos.
No início da semana, o governo alemão acordou adquirir 40% das ações do fabricante franco-alemão. Os atuais acionistas da empresa de defesa são o Estado francês, com 50% do capital, e a Wegmann, sociedade que agrupa as participações das famílias fundadoras alemãs Bode e Braunbehrens, com os restantes 50%.
A entrada de Berlim na estrutura acionista através do instituto público KfW e o processo de OPV redefinirá a estrutura da empresa. A Wegmann irá vender uma participação de 40% ao governo alemão numa transação que se espera concretizar antes da entrada em bolsa, segundo Jean-Paul Alary, CEO da KNDS.
A KNDS é o último grupo de defesa a recorrer aos mercados europeus para captar capital através da sua cotação, impulsionado pelo compromisso dos governos de investir mais em defesa.
Como empresa franco-alemã, a KNDS é uma referência na cooperação industrial entre os dois países, uma aliança que foi recentemente comprometida pelo fracasso no desenvolvimento do avião de combate conjunto conhecido como FCAS. Este mês, Berlim e Paris cancelaram oficialmente o programa devido a problemas relacionados com a distribuição da carga de trabalho e a propriedade intelectual entre as empresas francesas e alemãs.
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