Retalho prepara-se para a maior mudança em 50 anos com transição para códigos 2D
O setor do retalho está a preparar-se para abandonar o código de barras tradicional e acelerar a adoção de códigos 2D inteligentes, numa mudança descrita pela GS1 Portugal como uma das mais profundas das últimas décadas. A transição deverá trazer mais informação sobre validade, origem, sustentabilidade e segurança dos produtos, além de reforçar a rastreabilidade e a eficiência operacional.
A conclusão saiu da 14.ª Conferência de Supply Chain do Retalho, organizada pela GS1 Portugal em Lisboa, onde responsáveis empresariais e institucionais defenderam que a mudança já não é uma opção distante, mas uma prioridade estratégica. A ideia central do encontro foi a passagem “do código à inteligência”, com a digitalização a ganhar peso como ferramenta de competitividade, transparência e resposta às exigências regulatórias. Para os intervenientes, a adoção de códigos bidimensionais também se alinha com as metas europeias de sustentabilidade e resiliência.
Paulo Gomes, diretor-geral da GS1 Portugal, afirmou que a “próxima fronteira da competitividade está nos dados”, sublinhando que o setor vive uma transformação profunda.
O debate defendeu que a transição do setor do retalho tem de começar já, sob pena de as empresas perderem competitividade.
Carlos Caldeira, administrador da Lusiaves, afirmou que a codificação 2D “não é para daqui a cinco anos, é para agora”, enquanto Rui Rodrigues, da Gelpeixe, defendeu uma entrada faseada, começando com alguns produtos.
O exemplo da Tesco foi usado como caso de sucesso: a cadeia britânica iniciou esta mudança em 2018 e conseguiu reduzir desperdício alimentar, melhorar a disponibilidade de produtos e obter ganhos operacionais e financeiros.
Passaporte digital ganha peso
Outro eixo da transformação é o Passaporte Digital do Produto, que vai exigir trabalho sobre os dados e maior organização da informação existente nas empresas. Maria João Graça, do Instituto Português da Qualidade, defendeu que muitas empresas já têm parte dos dados necessários, mas terão de os validar, estruturar e mapear melhor.
A conferência também destacou o papel da inteligência artificial na análise preditiva, no apoio à decisão e na automatização de tarefas de menor valor acrescentado. Para os participantes, o desafio já não é apenas tecnológico: passa também por liderança, colaboração entre sistemas e capacidade de adaptação das equipas.
A GS1 Portugal encerrou o encontro com um apelo à ação, defendendo que a cadeia de valor tem de evoluir para um modelo mais digital, eficiente e transparente. No centro desta transformação está uma ideia simples: os códigos deixam de ser apenas identificadores e passam a ser uma fonte de informação e inteligência para toda a cadeia de abastecimento.
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