“É muito triste”: Comunidade venezuelana na Madeira acompanha situação com “muita preocupação”
“É muito triste o que está a acontecer”. Foi assim que reagiu a presidente da Associação da Comunidade de Imigrantes Venezuelanos na Madeira (Venecom), Ana Cristina Monteiro ao sismo que afetou a Venezuela na passada quarta-feira. O país sul-americano foi atingido por dois sismos de 7,2 e 7,5 na escala de Richter na quarta-feira, pelas 23h00 portuguesas. A Presidente interina, Delcy Rodríguez, já confirmou pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima, com base em modelos informáticos, entre 10 mil e 100 mil mortes.
Ana Cristina Monteiro está a acompanhar a situação com “muita preocupação”. A presidente da Venecom referiu que a tragédia já levou a que a comunidade que está na Madeira se esteja a mobilizar de forma a prestar auxílio à Venezuela.
“A nossa comunidade está muito disponível para ajudar os que estão [na Venezuela]”, refere Ana Cristina Monteiro ao Jornal Económico (JE).
Ana Cristina Monteiro salienta que a associação está a encontrar as melhoras vias para canalizar essa ajuda, através do Governo, tornando mais fácil o processo de envio e recepção da ajuda prestada pela comunidade à Venezuela.
A presidente da Venecom refere que o sismo “vem acentuar” os problemas que o país sul-americano já estava a atravessar em termos económicos e sociais.
“Os venezuelanos não estão numa situação boa em termos económicos e sociais. Estão muito debilitados”, refere.
Ana Cristina Monteiro refere que as regiões que estão a ser mais afetadas pelo sismo concentram uma boa parte da comunidade portuguesa. A líder da Venecom diz que já teve conhecimento que muitas famílias ficaram “sem as suas casas” e os seus trabalhos e que já houve relatos de supermercados, geridos pela comunidade na Venezuela, que acabaram destruídos pelo sismo.
Ana Cristina Monteiro salientou também a importância que a ajuda internacional terá para a reconstrução da Venezuela depois do sismo.
Governo da Madeira já expressou solidariedade
O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque manifestou hoje profunda solidariedade para com o povo venezuelano após os dois sismos registados na quarta-feira na Venezuela, onde vive uma grande comunidade madeirense, sublinhando estar a acompanhar a situação.
“Perante os dois fortes sismos que atingiram a Venezuela nas últimas horas, causando elevados danos materiais e afetando inúmeras famílias, o Governo Regional da Madeira manifesta a sua mais profunda solidariedade para com o povo venezuelano, em particular com as comunidades mais atingidas por esta tragédia”, refere Miguel Albuquerque em comunicado.
Na nota, Miguel Albuquerque indica que a Região Autónoma da Madeira está a acompanhar “com grande preocupação a evolução da situação e expressa sentidas condolências às famílias das vítimas, bem como votos de rápida recuperação para todos os feridos e desalojados”.
O Presidente do Governo Regional lembra que a Madeira tem laços históricos, culturais e humanos com a Venezuela, onde reside uma vasta comunidade de origem madeirense.
“Por isso, este acontecimento é sentido de forma particularmente próxima pelo povo madeirense”, é sublinhado na nota.
“Neste momento de dor e incerteza, dirigimos uma palavra de coragem às autoridades venezuelanas, às equipas de proteção civil, aos profissionais de saúde, aos voluntários e a todos aqueles que se encontram empenhados no apoio às populações afetadas”, é referido no comunicado.
O Presidente do Governo Regional da Madeira diz ainda esperar que a “solidariedade, a união e a determinação do povo venezuelano permitam ultrapassar esta difícil provação, com o apoio da comunidade internacional e de todos os que se associam a este sentimento de fraternidade”.
Consulados portugueses disponibilizam números telefónicos
Os consulados-gerais de Portugal nas cidades venezuelanas de Caracas e Valência, disponibilizaram números telefónicos para que os portugueses informem sobre situações de emergência, na sequência dos dois sismos que afetaram quarta-feira a Venezuela.
“O consulado-geral de Portugal em Caracas está a acompanhar a situação e atento a qualquer emergência”, explica um aviso divulgado nas redes sociais das reapresentações portuguesas.
Os contactos para comunicar situações urgentes são o número +58 414-466.53.50 e o e-mail cgcaracas@mnet.pt para a região de Caracas e o número +58 412-040.55.65 e o correio eletrónico valencia@mne.pt para a área de Valência.
Venezuela já declarou estado de emergência
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, já declarou o estado de emergência depois dos dois sismos.
Delcy Rodríguez anunciou, também na quarta-feira, o encerramento do Aeroporto Internacional de Maiquetía, que serve Caracas, e cancelou as aulas em todo o país durante vários dias.
Num discurso televisivo, Rodríguez disse que o aeroporto, que tem ligações a Portugal, operadas pela companhia de bandeira portuguesa TAP, tinha sofrido “graves danos nas infraestruturas” e acrescentou que os serviços de metro e de comboio também foram suspensos.
A presidente cancelou ainda todas as atividades que não sejam “serviços essenciais” e indicou que houve interrupções nos serviços de eletricidade e água e, nos edifícios danificados, o fornecimento de gás natural foi cortado.
“Pedimos à nossa população que mantenha a calma”, disse a chefe de Estado. “Pedimos à união”, acrescentou.
Rodríguez pediu ainda a todos os profissionais de saúde do país que se apresentassem nos hospitais para assistir qualquer pessoa ferida.
No estado de Falcón (noroeste), o governador Victor Clark disse que 32 pessoas foram hospitalizadas e, mais de quatro horas após o terramoto, ainda havia 15 pessoas presas nos escombros.
O autarca de Chacao, na região metropolitana de Caracas, Gustavo Duque, reportou possíveis mortes no município.
“Infelizmente, até à data, sim, mas estamos focados em tentar resgatar o máximo de moradores possível com vida”, disse o autarca aos jornalistas no meio dos esforços de resgate dos moradores de dois prédios que ruíram em frente à Praça Altamira.
Duque, que descreveu a situação como “muito difícil” no município, considerado uma zona sísmica, explicou que estão a concentrar esforços nas “operações de busca e salvamento” na zona, onde confirmou o resgate de 16 pessoas.
“Como podem ver, existem ambulâncias em tempo real no local. Atualmente, temos mais de 150 funcionários municipais. Estamos a solicitar o apoio de outras agências nacionais, como já foi feito, porque a situação aqui continua a ser crítica”, afirmou.
O responsável pediu aos moradores da zona, sobretudo aos do bairro de Los Palos Grandes, que se dirigissem às praças da cidade para aguardar o fim do desabamento, se hidratarem ou utilizarem as casas de banho.
Duque confirmou que, além das duas estruturas que ruíram por completo, várias outras sofreram danos graves.
A falta de sinal de telemóvel em partes da Venezuela agravou o sofrimento de muitas famílias, sobretudo entre os mais de 7,7 milhões de pessoas que emigraram.
Edifícios em Manaus, Belém e Macapá, na Amazónia brasileira, foram evacuadas, segundo informações da emissora TV Globo.
Os tremores foram também sentidos nas regiões das Caraíbas e do nordeste da Colômbia, mas não houve registo de danos ou feridos.
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