A carregar agora

Ricos pobres

Ricos pobres

A economia portuguesa cresceu 43% desde 2019, aquele último ano antes da pandemia de covid-19 que serve de marco internacional entre duas realidades distintas. Impressivo. Analisando períodos de seis anos consecutivos, só registámos crescimentos idênticos no início do milénio, antes da crise financeira e económica que nos deitou abaixo. A economia cresceu uns robustos 6,1% ao ano, ajudada pela inflação, é certo, mas com este ritmo de criação de riqueza aproximámo-nos da média europeia. O crescimento real até foi limitado, de 1,8% ao ano. Mas convergimos. Estávamos mais ricos.
Estávamos errados. Já havia indícios fortes de que assim era, mas o INE tirou-nos as dúvidas. Há muito mais riqueza, mas nós continuamos, essencialmente, na mesma. Porque somos muitos mais, devido aos fluxos migratórios excecionalmente elevados que, até aqui, não estavam totalmente incorporados nas estatísticas, e isso faz toda a diferença. Pensávamos que a população tinha aumentado 3,5% neste período, mas não, alargou-se em 10,24%, para 11,42 milhões de habitantes, segundo a correção feita pelo Instituto de Estatística, que também reviu em baixo o ponto de partida. É uma diferença superior a um milhão de pessoas, que faz toda a diferença, porque altera toda a narrativa.
Assim, nos seis anos entre 2019 e 2025, a economia cresceu 11,1%, em termos reais, mas a população aumentou em 10,2%. Anualmente, o PIB cresceu a uma média composta de 1,77%, só 0,02 pontos percentuais acima da média de crescimento da população. Dividindo a riqueza criada por pessoa, ficamos quase na mesma. Não convergimos com a Europa, divergimos. Estamos nos 77%, quatro pontos abaixo do que pensávamos. E três lugares abaixo no ranking europeu do PIB per capita. Ficamos na 22ª posição. No último terço, já.
Chegados aqui, podemos concluir que o que temos feito é insuficiente, ineficaz. Manter a posição será, por isso, ficar mais pobre.

Share this content:

Publicar comentário