Goldman Sachs corta previsão do ouro para 4.900 dólares
O Goldman Sachs reviu em baixa, na semana passada, a sua previsão do ouro, até ao final de 2026, em 500 dólares, para os 4.900 dólares. Atualmente, a matéria-prima negoceia nos 4.053 dólares por onça e já acumula uma quebra superior a 9% no último mês apesar de ter valorizado mais de 23% no último ano. A se concretizar o cenário traçado pela instituição bancária estaríamos perante uma valorização superior a 20%.
Os analistas do Goldman Sachs, Lina Thomas e Daan Struyven, numa nota transcrita pelo Mining, referem que esta revisão do preço do ouro, para o final do ano, implica que a matéria-prima “ganhe terreno na segunda metade do ano, mas um pouco menos” do que o anteriormente previsto.
“As nossas perspetivas para o preço do ouro permanecem estruturalmente construtivas, mas taticamente cautelosas, com risco de queda no curto prazo e risco de alta no médio prazo”, referiram os analistas na nota.
A nota sublinha que a revisão em baixa para o ouro leva em consideração a “desaceleração dos fluxos de entrada em external traded funds (ETF) garantidos por ouro, com a expectativa de que a Reserva Federal norte-americana (Fed) adie os cortes das taxas de juro para junho e dezembro do próximo ano. Anteriormente, as reduções de juros estavam projetadas para dezembro de 2026 e março de 2027″.
Num cenário em que se confirme uma subida das taxas de juro, pela Fed, o Goldman Sachs salienta que a previsão de preço para o ouro cai mais 500 dólares, para os 4.400 dólares por onça, para o final do ano, uma vez que “a procura de ouro como proteção contra a política macroeconómica poderá diminuir de forma mais persistente”, refere a nota transcrita pelo Mining.
O Goldman Sachs assinala também que existem alguns fatores que podem favorecer a matéria-prima como por exemplo as “robustas compras” por parte dos bancos centrais. Os analistas do banco salientaram que as compras de ouro pelos bancos centrais pode atingir as 50 toneladas por mês este ano e baixar para as 40 toneladas por mês em 2027.
XTB: subida dos juros limita potencial de subida do ouro
A corretora XTB, salienta que após o acordo entre os Estados Unidos e o Irão, os investidores “desviaram” o seu foco dos riscos geopolíticos e “voltaram a concentrar-se” na política da Fed e num dólar norte-americano mais forte, levando a uma queda no preço do ouro.
“Os investidores rapidamente voltaram a considerar um cenário de taxas de juro elevadas durante um período prolongado nos Estados Unidos. Embora a Fed tenha mantido as taxas inalteradas, a sua comunicação foi interpretada como agressiva. Diversos decisores políticos ainda veem espaço para pelo menos um aumento adicional da taxa antes do final do ano”, salientou a corretora.
“Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subiram, enquanto o dólar se fortaleceu para o seu nível mais elevado em mais de um ano. Isto cria um ambiente desafiante para o ouro, que não oferece rendimento e tende a tornar-se menos atrativo quando os ativos que rendem juros proporcionam retornos mais elevados”, adiantou a XTB.
As chances de possibilidade de subida das taxas de juro pela Fed, refere a corretora, “limita a procura” de investimento pela matéria-prima.
“No curto prazo, o ouro continua a ser largamente influenciado pelo dólar norte-americano, pelos rendimentos dos títulos do Tesouro e pelas expectativas em torno da política da Reserva Federal norte-americana. Enquanto os mercados continuarem a precificar taxas de juro mais elevadas nos Estados Unidos, o potencial de subida do metal precioso poderá permanecer limitado”, considera a corretora.
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